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Teatro - Memórias de uma Mulher Perdida

1 Comment | This entry was posted on jan 16 2010

Estreou no dia 15 de janeiro, no Teatro do Planetário da Gávea - Rio de Janeiro, uma peça da qual fiz o projeto gráfico: Memórias de uma Mulher Perdida (Monologo della Puttana in Manicomio, no original).

A principal proposta desta encenação é promover uma reflexão sobre aspectos da solidão, que podem se instalar e se manifestar na vida de qualquer indivíduo em sociedade, levando-o à loucura.

Dario Fo, além de ator e diretor, é reconhecido autor italiano de peças, romances e ensaios e, em 1997, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto da obra. Franca Rame, atriz e escritora, é sua esposa e assídua colaboradora.

Em 1977, escreveram Monologo della Puttana in Manicomio. Esta peça foi inserida pelos próprios autores na luta antimanicomial da Itália, iniciada por Franco Basaglia, psiquiatra e precursor do movimento de reforma psiquiátrica italiano, na década de 60.



Rio 2016, é sério?

7 Comments | This entry was posted on out 02 2009

Sob risco de parecer pragmático demais, devo afirmar: acho muito estranha a possibilidade de um evento desses no Rio de Janeiro. Diria absurdo até, se nosso país não fosse tão marcado por absurdos que se tornam senso comum e causam letargia no povo.

Minha visão é simples: deveria ser absurdo trazer uma olimpíada para uma cidade governada por bandidos, onde mendigos (adultos e crianças) se amontoam e só podem contar com a força da polícia e a boa vontade de algumas almas caridosas, onde diariamente vemos vendedores de bala nos ônibus, trocando 3 amendoins por R$ 1,00 para não ter que roubar, onde bandidos (adultos e crianças) entram pela porta de trás dos ônibus sem pagar, quando esses passam por suas comunidades, onde (adultos e crianças) cheiram cola e fumam crack, onde não se pode conversar no portão até tarde, onde um turista não pode andar com uma câmera fotográfica no pescoço, onde não se pode abrir a carteira em público pra pagar um café, onde ser parado pela polícia à noite significa prejuízo quase certo, onde ser abordado no sinal vermelho significa prejuízo quase certo também, onde vemos pessoas (adultos e crianças) fazendo literalmente malabarismos para ganhar seu dia, onde algumas pessoas moram em casas de papelão, com telhado de plástico, fincados no barro, que escorre morro abaixo quando chove, onde balas perdidas matam crianças de colo, onde fuzis que deveriam ser exclusivos das forças armadas (daqui e de outros países) são encontrados nas favelas na mão de bandidos (adultos e crianças), onde traficantes comandam suas ações mesmo estando presos (ou seja, quem está preso é o cidadão honesto), onde políticos de sorriso largo e moral estreita governam não pelo e para o povo e sim para as próximas eleições, como se estivessem jogando war, onde um jogo chamado War In Rio faz sentido, enfim, a lista pode crescer indefinidamente, basta parar para ler as notícias mais recentes e ver quais outros problemas minha humilde ignorância sequer arranhou. Será que essas questões foram colocadas no relatório entregue ao COI? Não seria razoável pensar que temos questões um tanto quanto urgentes e básicas pra resolver, como guerrilha urbana, antes de sediar um evento desse porte?

Eu não ando de carro blindado como quem me governa, não tenho seguranças e gerentes pra garantir minha paz. Eu mesmo tenho que ficar ligado no meu caminho, pra saber se ninguém vai interrompe-lo. E eu conheço razoavelmente minha cidade, mas tenho pena dos gringos que vem pra cá achando que o Rio é um paraíso (e será durante os jogos, caso seja escolhida como cidade sede, porque acontecerá todo um trabalho de maquiagem, de photoshop socio-político).

Agora, o que me dá mais pena é dos cariocas (eu inclusive), que são levados a esse clima de oba-oba, de pão e circo, mas que depois voltarão, com ou sem jogos, para a dura realidade de uma cidade governada por bandidos.

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Design em 56 questões

0 Comments | This entry was posted on set 21 2009

Porque não existe um Quarteto de Design? Porque não existe um fomento nacional ao design? Porque as pessoas são mais atingidas pelo cinema do que pelo design? Os designers querem apenas ganhar dinheiro, os cineastas não? Os designers são escravos da indústria? Porque não existe um imposto compulsório para os designers? Porque os simpósios de design são tão detestáveis? O design é mais comercio do que cultura? Como podemos fazer um frio produto da indústria nos falar ao coração? O design tem uma função educativa? É um diletantismo do consumo querer possuir coisas belas? O design serve à auto-afirmação?

Coisas belas nos provêem com felicidade duradoura? Design precisa ser sempre bom? Um objeto pode ser uma expressão de nossa sociedade? Porque o design acredita não necessitar de uma teoria? Porque qualquer um pode se chamar de designer? A necessidade social do design é um romantismo social irrealista? O design pode ser político? O design tem que ser ético? O bom design é democrático? Pode se decidir democraticamente sobre o design? Precisamos de designers estrelas? Somente os projetos produzidos têm valor? Os melhores projetos acabam engavetados? O que faz um designer ter sucesso? A inteligência prejudica o sucesso do design?

Um bom designer pode ser superficial? Os designers não sabem ler? Porque os designers querem sempre reinventar as coisas? Porque os designers não admitem ser inspirados por outros projetos? O sampling só existe na música? As citações só existem na literatura? Porque os designers lidam tão mal com o passado e a tradição? Os designers se interessam por sua própria história? Há designers no Congresso Nacional? São os designers advogados do consumidor ao invés de agentes da indústria? A economia impulsiona o design ou o design impulsiona a economia? Porque os designers se tornaram tão apolíticos? Os designers ouvem o marketing?

Como conseguiram os publicitários se afirmar como criativos, quando eles servem mais ao comércio que os designers? Como os criadores de tendências se tornaram tão importantes? Devem os designers ser tão livres como os artistas? Porque os designers acreditam que devem argumentar com os termos do marketing? Porque o significado econômico do design deve ser mais importante do que o social? Porque a divulgação sobre design é tão ruim? Porque não há programas sobre design na televisão? Quem é a Maria Gabriela do design? Quando o design perdeu a sua relevância? Que idiota criou os termos Design Babys e Design Drugs?

Porque as instituições do design fazem tão pouco pela imagem do design? Porque acreditamos que o design tenha que ser limitado em relação às fronteiras das outras disciplinas? O design pode ser uma tendência cultural autônoma? Como, em um grupo tão pequeno, não se consegue concordar com alguns ideais? Pode o design transformar a sociedade? Quando se inicia o século do design?

Via Design Gráfico (via Freddy Van Camp)

Valorize seu trabalho

1 Comment | This entry was posted on set 11 2009

O mercado está repleto de clientes que não valorizam o trabalho bem feito e tentam obter vantagens espúrias a partir de argumentos descabidos.

Veja uma lista de 10 armadilhas que irão desvalorizar seu trabalho e sua postura como profissional e precisam ser evitadas a qualquer custo:

01 Faça esse trabalho barato (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor.
Nenhum profissional sério deixa de cobrar pelo seu serviço.

02 Nós nunca pagamos 1 centavo antes de ver o produto final.
Você está trabalhando desde a reunião de briefing e precisa receber uma entrada.

03 Esse trabalho será ótimo para seu portfolio! Depois desse você vai conseguir muitos outros.
O cliente é que deve investir em qualidade, por isso está contratando você.

04 Não temos certeza se queremos seu trabalho. Deixe os estudos comigo e vou falar com meu sócio e depois te dou uma resposta.
Seu trabalho só deve ser entregue mediante remuneração justa, acordada no inicio do processo.

05 Veja, o job não foi cancelado, somente adiado. Deixe a conta aberta e continuaremos dentro de um mês ou dois.
Seria um erro não faturar o que foi feito até o momento esperando que o trabalho continue depois.

06 CONTRATO?? Nós não precisamos assinar contratos! Não estamos entre amigos?
Todo profissional usa um contrato para definir como será o trabalho e quais as responsabilidades de cada parte envolvida.

07 Envie-me a conta depois que o material for pra gráfica.
Essa desculpa possivelmente é uma tática para atrasar o pagamento, já que na gráfica, o trabalho precisa de alterações intermináveis.

08 O último designer fez esse job por R$ XX.
Se o último designer era tão bom por que ele te chamou? Faça um preço justo, ofereça no máximo 5% de desconto e não abra mão disso.

09 Nosso orçamento para esse job é de R$ XX.
O valor do seu tempo e conhecimento não devem ser regulados por orçamentos de terceiros e sim pelo quanto você investiu em preparação para oferecer um trabalho de qualidade.

10 Estamos com problemas financeiros. Entregue o trabalho e te pagamos depois.
O trabalho só deve ser entregue mediante o pagamento acordado em contrato. Sem concessões.

Visto no Pto de Contato.

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Fotografia solidária

0 Comments | This entry was posted on ago 29 2009
Fotos e Reencontros é um Blog que nasceu da idéia de Wilton Jr, fotógrafo da Agência Estado, a partir da atitude do também fotógrafo Severino Silva de tentar se aproximar, através da fotografia, dos moradores de rua na cidade do Rio de Janeiro.

É uma atividade que o Severo não conta para quase ninguém. Poucos conheciam até o momento, o quanto importante é isso para ele. Inúmeras vezes ele já levou remédios, alimentos e as valiosas fotografias que ele retrata dessa população nômade de nossa cidade.

Mas o principal mesmo é o contato, a conversa, a aproximação dessa gente sofrida, que o Severo realiza anonimamente.

A função deste Blog é colocar essas fotos que Severino Silva realiza nas ruas para que, de alguma forma, algum parente ou conhecido localize as pessoas retratadas. Com um pouco de sorte e bastante divulgação, talvez possa acontecer algum reconhecimento positivo.

Não sabemos ao certo os motivos que levam essa população a viver nas ruas, se é o abandono da família, se é o abandono do Estado e de que forma isso afeta as pessoas. No caso das doenças mentais, certamente, estas devem ser tratadas de forma moderna e eficaz, abolindo os hospícios como depósitos de seres humanos em condições psiquiátricas precárias. Mas, por outro lado, abandonar essa população à própria sorte nas ruas não é uma política pública social e decente.

Deixando de lado todas essas teorias, apresentamos aqui este trabalho que faz parte do Projeto Imagens Urbanas, que é um projeto de participação social através do fotojornalismo, realizado a principio por Severino Silva, Wania Corredo, Domingos Peixoto, Wilton Junior e Guillermo Planel.

Para acessar o blog, basta clicar em www.fotosereencontros.blogspot.com

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Como lidar com clientes?

0 Comments | This entry was posted on ago 25 2009

Está no Vimeo também o vídeo da Palestra ministrada em junho de 2009, durante o evento 24h de Comunicação, da Faculdade CCAA, sobre como manter uma relação saudável e construtiva com o cliente.

Assista clicando aqui ou nas imagens.

Twitter para que?

3 Comments | This entry was posted on ago 22 2009

Uma matéria do portal Globo.com corrobora minha teoria de que o Twitter ainda é usado para postar relatos que só dizem respeito ao umbigo do usuário, do tipo “não gosto de dia nublado”.

Foram apresentados dados da consultoria Pear Analytics, que analisou mensagens aleatórias no Twitter, onde  “os textos foram classificados em seis categorias: notícias, spam, promoções de empresas anunciando produtos e relatos sem maior interesse coletivo, bate-papo (entre duas pessoas) e reenvio de mensagens (retweet-RT)”.

O resultado:

40,55%    Relatos sem maior interesse
37,55%   Bate-papo
08,70%   Reenvio de mensagens
05,85%   Promoções
03,75%   Spam
03,60%   Notícias

Ou seja, o Twitter ainda é muito usado como uma agenda de adolescente: “quero registrar o que se passa na minha vida e dividir isso com o mundo, porque eu devo ser muito importante”.

O Twitter, em sua página inicial, incentiva os usuários a “descobrir e compartilhar o que está acontecendo em qualquer parte do mundo”, ou seja, compartilhar conhecimento. Foi exatamente o que aconteceu quando dos mais recentes conflitos no Irã, onde as pessoas usaram o microblog para levar ao mundo os problemas que estavam passando, numa situação onde a instantaneidade da web foi primordial.

Quero propor que o Twitter só seja usado em casos de guerra? Quando a China mandar mais soldados para o Tibet, ou quando os Talibãs cortarem mais dedos de eleitores, ou quando a Coréia testar mais armas nucleares? Não, claro que não (ainda que seja essencial que isso aconteça).

Existem algumas boas utilizações do Twitter, como por exemplo: Carol Hoffmann, que troca links e recomendações de leitura interessantes. Eu mesmo passo muitos recomendações para ela que são postados lá.

Acredito que toda tecnologia lançada leva um tempo até sua completa maturação e pelo visto o Twitter ainda está um pouco longe disso, mas tenho certeza de que ainda vamos ouvir falar de alguém que conseguiu potencializar as características desse serviço. O que é possível narrar no Twitter com 140 caracteres todo mundo já está testando. Mas como utilizar essa característica a favor da narrativa? Alan Moore faria um baile com isso . . .

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Eu penso em política

0 Comments | This entry was posted on ago 14 2009

Só pra fechar minha lamentação sobre meu país, quando ouço alguém dizendo que não se preocupa com política, entendo que a decepção com o tema no Brasil seja tão grande que nos desmotive a entrar nesse buraco negro. A maioria das pessoas prefere nem lembrar que essa esfera existe, pra não alimentar expectativas e depois vê-las frustradas.

Entendo, mas discordo.

Pensar em política não quer dizer pensar em partidos políticos, que no nosso país são um câncer, e sim pensar nas questões que permeiam a coexistência entre pessoas, comunidades e culturas no espaço público (e na proteção do espaço privado).

Significa entender que decisões serão tomadas por gestores públicos e quais deverão ser tomadas por nós. E como essas duas instâncias irão interagir.

Não pensar em política é viver alienado, sozinho e ignorando a pessoa do seu lado, que habita o mesmo espaço que você e usufrui dos mesmos recursos (o equipamento urbano, meios de transporte, acesso a informação etc).

Alguém que não pensa em política não pode querer pensar em por qual motivo foi assaltado no sinal de trânsito, ao parar seu carro, porque quem o assaltou fez isso justamente por ser consequência de um sistema qualquer. E que sistema é esse?

Fiz questão de evitar a expressão “vítima do sistema” no parágrafo anterior porque nem todos são vítimas, alguns são oportunistas aproveitando brechas entre a lei e a justiça. Alguns camelôs não querem um emprego assalariado, com carteira assinada, VT + VR. Preferem ficar com suas barracas na calçada esperando que a Guarda Municipal siga para outro quarteirão para voltar a vender. Alguns ganham mais assim, na informalidade, do que muito segurança de banco por aí. Alguns meninos preferem trabalhar para o movimento no morro do que trabalhar como contínuos numa firma, porque o traficante lhes dá um status e uma remuneração “acima do mercado”.

Essas pessoas precisam de preparo, de alerta, de senso crítico, de ideologias e valores. Precisam também de investimento e fé (palavra que eu nem gosto de usar mas aqui cabe).

E veja que curioso: aquela pessoa que estudou a vida inteira, que teve acesso a informação, boa criação em casa, na escola, no trabalho, diploma, vivência, ou seja, aquela pessoa que dispõe o senso crítico essencial a tantos outros, que poderia compartilhar suas visões e oferecer alternativas, enfim, essa pessoa diz que “não pensa em política”.

Será que ela pensa em quanto custa um carro blindado?

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Pré-requisitos para altas posições

0 Comments | This entry was posted on ago 14 2009

Alguém já teve um chefe incompetente e totalmente despreparado para o cargo? (ok, ok, eu também já tive).

Agora, verdade seja dita, a pessoa que vai liderar um processo deveria ser versada no assunto a tratar e ter conhecimento do que sua equipe é capaz de produzir e mais, deve saber o que sua equipe precisa produzir, porque vai atender a alguma demanda específica.

Pela lógica, não seria um qualquer a assumir uma posição importante, que fosse diretamente responsável pelo destino de outrem. Isso pela lógica. Porque em um pardieiro chamado Brasil a elegibilidade para cargos públicos tem se mostrado bastante flexível. Gostaria de saber quais os critérios para se lançar uma candidatura. Tentei achar no site do TSE mas não consegui (se alguém souber, por favor me avise).

O que nos acontece é que qualquer cidadão, em pleno gozo de seus direitos políticos, se lança candidato para nos brindar com pérolas durante a campanha eleitoral, onde demonstram total despreparo para gestão (e depois se elegem e aí praticam esse despreparo todo).

Imaginem a visão de tantos mestres e doutores, que suaram para obter seus diplomas, ao ver essa manada de acéfalos discursando por poucos segundos no horário eleitoral e pensar: “o salário dele será 6 ou 7 vezes maior que o meu”. Deve ser bizarro . . .

A administração pública deveria ser responsabilidade de quem pode e não de quem quer. Deveria haver um processo de triagem que nos livrasse de certos constrangimentos. E antes que alguém diga “mas o povo é culpado porque vota nessa gente”, bom, que povo? Os milhões e milhões de outros despreparados para o processo de escolha? Os milhões que todos os dias são assediados por essa gente politiqueira, nas suas comunidades, oferecendo cestas básicas (e bolsa esmola) em troca de votos? Não sei, mas acho que esses também precisam de treinamento (educação? um dos problemas que os legisladores deveriam resolver?). Senso crítico precisa ser estimulado . . .

Fico pensando: não seria lógico exigir de alguém que se presta a gerir processos, sejam quais forem, uma formação adequada em administração, economia, etc ou que os candidatos ao legislativo apresentem pelo menos diploma de direito? Não seria lógico pensar que para ser gestor de vidas, o sujeito deveria ser pelo menos o 3º grau?
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O poder da política

0 Comments | This entry was posted on ago 13 2009

Não gosto de política partidária feita no Brasil. Simples assim. Acho que este sistema está falido e já deveria ter sido substituído por outro que valha o atual esforço do voto. Nossas crenças são diariamente desperdiçadas por um classe que, salvo raras e quase insignificantes exceções, utilizam a “máquina estatal” para realizar tráfico de influência, desvio de verbas, marketing pessoal e outras tantas práticas espúrias.

Os partidos políticos são como clubes de doutores em retórica vazia, sofistas de várzea e apedeutas que mais parecem saídos de programas humorísticos de quinta categoria. Nenhuma das categorias merece os pomposos salários que recebem.

Não há no Brasil um alinhamento ideológico sério, por conseguinte também não há uma filiação que se possa chamar de respeitável, o que leva a esse circo de troca de partidos da noite para o dia, de acordo com os interesses de projeção para a eleição seguinte. Ou seja, mudam de partido não porque se identificaram com uma nova proposta, uma ideologia e sim porque naquele momento (e só naquele momento) parecia mais promissor, dentro da meta de obter mais e mais poder, nem que seja micro poder.

Hoje ligamos a TV e vemos o suplente do suplente resolvendo questões que deveriam ser tratadas por gente que merece o lugar que ocupa, por ter sido corretamente escolhido, pelo voto da população. Qual compromisso com o bem estar coletivo essa gente terá ao tomar decisões importantes? E como ficam as pessoas que sequer puderam votar ou deixar de votar neles e agora também não têm acesso ao sistema que os mantém no cargo, tendo que assistir barbaridades sem fazer nada?

O Brasil é a maior democracia do mundo, mas muitas vezes os vários desdobramentos desse mesmo sistema democrático são utilizados de maneira prejudicial à população, criando essas aberrações, como analfabetos comandados como títeres por marketeiros apostadores, suplentes que congelam ações, poetas milionários e cínicos trocando de poder com outros cínicos piores que eles, líderes depostos pela porta dos fundos do executivo e recebidos pela porta da frente do legislativo, baixo e alto clero (como se o país pudesse se dividir em baixa e alta importância), enfim, é por essas e outras que não gosto desse sistema.

Ao que me consta, os problemas básicos de saúde, segurança, habitação e educação (que falta a muitos parlamentares) continuam os mesmos.

Não seriam muitos políticos “contratados” para no final não resolver o que se deve? Não são altos demais os salários? Não são grandes demais os benefícios? Não seria lei demais para pouca justiça?

Vídeo da Palestra Interfaces do Homem Digital

0 Comments | This entry was posted on ago 13 2009

Está no Vimeo também o vídeo da Palestra ministrada em outubro de 2008, durante a 3ª Mostra da Faculdade CCAA, sobre como o homem contemporâneo transformou sua existência e suas relações sociais a partir das novas tecnologias.

Assista clicando aqui.

Entrevista UTV

0 Comments | This entry was posted on ago 13 2009

Coloquei no Vimeo o vídeo da entrevista que eu concedi para o programa Expresso.com da Veiga de Almeida, transmitido pelo UTV (NET canal 11).

Assista clicando aqui.

Cadáveres Perfumados

1 Comment | This entry was posted on mai 17 2009

A importância de se lidar com o trabalho de Oliviero Toscani e suas campanhas na Benetton é a chance de pesquisar um outro modelo de publicidade e comunicação de massa, que na verdade não passa de uma reedição do modelo original desta forma de comunicação: a publicdade serve para publicar informações, levá-las ao conhecimento do público e permitir que cada vez mais pessoas tenham acesso a bens, serviços e produtos de consumo, seja por necessidade, seja por vontade garantida pelo regime democrático.

Anúncios, como a palavra indica, anunciam que determinada oportunidade está acessível: seja um novo remédio ou um novo tipo de roupa, ou um evento. Anúncios devem tornar uma informação pública para o observador.

As pessoas têm o direito de consumir, mas o que elas consomem? E em que ordem, sob qual regime? A comunicação de massa lhes mostra quais produtos estão disponíveis para compra ou mostra que não participar da compra significa “exclusão”?

Que discurso é esse segundo o qual a compra de um determinado produto nos transforma em espécies de pessoas que não somos originalmente? E onde isso vai nos levar? Obviamente, se alguém compra um perfume, se tornará alguém mais perfumado, mais arrurmado e bem cuidado, talvez mais zeloso de um certo ponto de vista, mas induzir a pensar (subjetivamente) que aquele perfume nos torna parecidos ou tão bem sucedidos quanto o galã que protagoniza o anúncio não corresponde exatamente á realidade.

Usar um perfume significa que uma pessoa ficará perfumada, nada mais.

A abordagem onírica dos anúncios, que prega sutilmente que o consumidor pode reproduzir o contexto dos “garotos-propaganda” exibidos nos comerciais apela para um desejo humano de superação e inclusão, de pertencimento e evolução. Mas a super-valorização dessa abordagem tem mergulhado os consumidores numa espiral de compra e frustração, porque nenhum produto transforma a vida de uma pessoa, só ela mesma.

Sobre Toscani, Spike Lee, cineata, escreveu na Roling Stone:

A Benetton desafiou o apartheid quando a agente de África do Sul protestou junto a Luciano Benetton, reclamando  novos cartazes. Luciano respondeu-lhe ”Sinto muito, mas não mudaremos as fotos; esse é um problema seu, não nosso. O apartheid vai acabar desaparecendo um dia”.

O próprio Toscani diz:

Dois bebês nus, negro e branco, sentados em penicos brincavam juntos. Naquele mesmo ano de 1980 realizei uma campanha com a foto da criança negra espalmada contra a grande mão de um adulto branco. Lançamos este cartaz em painéis em 110 países durante a batalha do referendo que ia pôr fim ao apartheid.

Por que a publicidade, como a arte, como qualquer meio de comunicação, não poderia ser um jogo filosófico, um catalisador de emoções, um espaço polêmico?

Hoje em dia a publicidade se apresenta como o caminho das fórmulas consumistas, que estereotipam os consumidores e, por mais gerações X, Y e Z que surjam, a comunicação de massa tende a lhes apresentar o mesmo modus operandi: compre para ser igual a quem já comprou, para ter tanto sucesso e parecer parte de um mundo que na realidade não é seu.

O trabalho de Toscani data da década de 90 do século XX e ainda hoje parece atual, parece cada vez mais pertinente, num mundo que ainda segue modelos simplistas e pouco críticos.

Como diria Toscani: a publicidade precisa ser reinventada . . .

(leia a entevista original}

Calouros IV: Senso Estético

4 Comments | This entry was posted on abr 25 2009

Além da teoria, da técnica e da prática, que se adquirem na academia, um fator será essencial para um bom desempenho na área de comunicação (design, moda, publicidade, multimídia, belas artes etc): senso estético.

Por senso estético entenda-se aqui a capacidade subjetiva de discernir sobre beleza aplicada a uma determinada situação. O belo, enquanto “perfeição agradável à vista, e que cativa o espírito” é intangível e relativo, cada pessoa tem seu referencial de beleza, mas é possível agrupar pessoas e estabelecer qual a linguagem visual que melhor se adapta a elas. E qual a que mais as desafia também, porque o papel do comunicador é expandir os limites da percepção, sua e dos demais.

O profissional que consegue desenvolver um projeto e avaliar sua funcionalidade, bem como sua excelência estética, ou seja, sua aplicabilidade numa demanda específica e sua capacidade de traduzir/transformar de forma agradável as referências visuais de uma comunidade, este será o profissional bem sucedido no mercado.

Quero deixar claro que não se trata de “agradar o cliente”, nem de dar ao observador o que ele “quer” mas de entender como e porque ele quer algo, a distância entre o que ele quer e o que ele necessita e comunicar idéias/conceitos, utilizando uma iconografia que seja adequada para a demanda e que seja também causadora de lapso, a captura da atenção do público.

Um bom profissional deve desenvolver a capacidade de avaliar se a informação proposta é adequada e se é esteticamente agradável ou se causa repulsa. Deve poder olhar um layout e pensar “isso não tem nada a ver com o que o público precisa” ou ainda “isto não está num nível profissional e requer mais refino, mais apuro”.

Dizem que bom senso não se ensina, que é um dom que vem com alguns desde o berço. Eu, que sou um cartesiano praticante, gosto de esquadrinhar cada conceito e tento enquadrá-los em normas técnicas, mensuráveis e controláveis e portanto não sou afeito a concepções cósmicas/espirituais. Obviamente eu respeito a predisposição genética de cada um. Então vou colocar minha visão sobre como se desenvolve o senso estético (que para ser desenvolvido precisa existir em cada pessoa, então talvez seja um dom natural mesmo).

Busque referências gráficas e visuais. O olhar precisa ser praticado e a mente precisa ser abastecida com informações para poder processá-las. Veja imagens de diversas estilos e plataformas, estude correntes diferentes de expressão. Permita-se expor a experiências estetica e sensorialmente instigantes, para que diferentes áreas do cérebro seja estimuladas. Leia os guias de referência e busque a origem dos cânones. Com um repetório vasto, fica mais fácil testar e propor linhas alternativas de comunicação.

Aumente sua bagagem cultural. Viaje sempre que possível, para sair dos lugares conhecidos e se deparar com costumes, comportamentos, temperos e temperaturas novas. Ler é básico, além das teorias e pesquisas, a leitura de ficção é igualmente útil, porque durante a leitura nossa imaginação constrói as imagens e esse exercício é essencial para uma mente que pretende ser criativa. Converse sobre assuntos que você (ainda) não domina. É incrível o que se pode aprender com qualquer pessoa eu aprendo muito com meus alunos. Ver filmes (no cinema, na tela grande, de preferência) é básico pela experiência de desligamento do mundo real e imersão num mundo proposto. Teatro, música, dança são igualmente construtivos. Eu só trabalho com música. Ver sites hoje em dia nem é necessário, é quase como respirar. Antigamente, no século passado, era preciso gastar um bom dinheiro para ter um anuário de design ou um portfolio impresso de algum escritório. Hoje basta entrar no site e ver todo o trabalho de designers, ilustradores, arquitetos, pintores, estilistas, escultores, etc. Ter uma biblioteca de referências para consulta e comparação é imperativo.

Por último, tenha senso crítico sobre o que você aprende. Tudo pode (e deve) ser questionado. Com sabedoria obviamente, mas todo o conhecimento deve ser testado e sua função verificada. Buda dizia: “meu ensinamentoé como um dedo apontando para a Lua. Favor não confundir o dedo com a Lua”. Quer dizer que não se deve seguir nenhuma direção só porque já seguiram e sim porque você testou e verificou que realmente te serve. Compare linhas de pensamento, compare autores, veja cada questão por diferentes ângulos. Ler sobre política somente na Veja é pedir para ficar bitolado. Agora, se você lê também a Carta Capital, a Caros Amigos, Le Monde Diplomatique e a Piauí, aí já dá para ter uma noção mais completa de cada caso.

Quando nosso cérebro está alimentado de informações visuais inventivas, nossa memória abastecida de experiências de vida interessantes e nosso raciocínio treinado para discernir valores, aí sim podemos contar que nosso senso estético está num nível bom e que o talento de cada um vai encontrar terreno fértil para se desenvolver.

Fica fácil perceber, por exemplo, que a cobertura política da Veja é muito, mas muito feia . . .

Calouros III: Teoria + Técnica + Prática

4 Comments | This entry was posted on abr 25 2009

Uma vez em sala de aula, entenda que seu desempenho depende de três pilares: o conhecimento das pesquisas que já foram desenvolvidas sobre os assuntos estudados (teoria), as ferramentas de produção cabíveis para cada área (técnica) e o exercício articulado desses dois elementos (prática).

Um aluno de design, publicidade, multimídia, moda, etc. precisa saber, por exemplo, história da arte, percepção visual e metodologia de projeto (entre várias outras obviamente), para adquirir a bagagem estética e analítica que depois irá se manifestar nos trabalhos feitos. Precisa saber algumas ferramentas (Illustrator e Photoshop são básicos, In Design é ideal, saber pesquisar na web é essencial) para poder materializar as idéias e transformá-las em produção real, acadêmica ou profissional, para os que já estão no mercado. E precisa saber como é lidar com um chefe, com cliente, com colegas de trabalho com interesses diferentes e conflitantes, para ver na real o que é a selva.

Sem o embasamento teórico, o aluno de nível superior dá um passo na direção de um curso técnico, muito baseado nos braços que fazem e pouco no cérebro que pensa (nada contra os cursos técnicos, que têm sua função e lugar na história do nosso país), mas se você quer adquirir e gerar conhecimento, há que se ler e estudar a base filosófica, psicológica e comportamental das questões.

De nada adianta fazer figuras bonitas (o que é bonito e quem determina isso?) se o conceito que lhes amarra à realidade estiver furado ou nem existir.

Ao ler um texto teórico, que analisa um determinado contexto, sem necessariamente citar exemplos (o Discurso Sobre o Método, de Descartes, não fala de nenhum projeto gráfico específico e sim sobre o pensamento metodológico e organizado), estabelecemos uma linha de pensamento analógico (que é a relação de semelhança entre objetos diferentes e suas causas) e metafórica (argumentação em que a significação natural de uma palavra é substituída por outra, só aplicável por comparação subentendida) e assim expandimos nossa capacidade perceptiva. Estabelecemos conexões novas.

“O progresso das idéias nasce quase sempre
da descoberta de relações impensadas,
de ligações inauditas, de redes inimaginadas.”

Omar Calabrese
A Idade Neo-Barroca

O cérebro é como se fosse um músculo que precisa ser exercitado regularmente e ler teoria é o que faz esse órgão se fortalecer. Quando adquirimos um repertório teórico, podemos articular esses vários canais de entrada para analisar um determinado objeto: uma pessoa versada em semiótica e gestalt pode analisar diferentes instâncias da mesma imagem e seu papel enquanto geradora de estímulos numa comunidade. Um pessoa versada em história da arte pode determinar a que período político pertence uma pintura apenas pelo tema escolhido pelo autor.

Teoria é o chão por onde iremos nos mover e se não for bem sedimentado, com certeza iremos afundar.

Por outro lado, uma vez adquiridos os conhecimentos teóricos, que serão aplicados com senso crítico, precisamos materializar os conceitos nos quais nos baseamos em layouts, peças, imagens, textos, instalações, formas e funções.

É praticamente impossível fazer um bom trabalho sem o devido preparo técnico, porque ao invés de investir na conceituação do projeto gráfico, o aluno que não mexe nas ferramentas básicas de mercado fica patinando para fazer uma linha reta, colocar um texto numa forma circular, fazer um gradient mesh, ou posicionar objetos geometricamente alinhados. O tempo que se gasta descobrindo essas questões é o tempo que se tem para realizar o trabalho e aí tudo se complica.

O conhecimento técnico deve vir o mais cedo possível. Saber Illustrator deve ser que nem respirar: quanto mais cedo aprender melhor porque se demorar muito, não precisa mais.

E na prática, busque o estágio/emprego que te adicione algum conhecimento. O estágio é para complementar a sua educação, ou seja, o estágio é para o estagiário e não para a empresa. Uma vez alocado, você precisa aprender o tempo inteiro e isso vai acontecer das mais variadas formas: cortando papel, retocando imagem, arquivando dados, terminando o trabalho dos outros, etc. Até que se adquira o conhecimento necessário para criar desenvolver projetos próprios. Em todos eles, você deve se manter atento e se perguntar: o que eu estou aprendendo agora? Se a resposta for “nada” ou “não sei” pode procurar um outro lugar para gastar seu tempo.

E obviamente, no primeiro estágio, sem experiência nenhuma, o único capital a trocar é força de trabalho, então talvez (e só talvez) você vá trabalhar de graça, mas depois de aprender algo que possa ser útil e oferecido a alguém, então essa será sua moeda de troca na busca de novos conhecimentos. Ou seja, trabalhar de graça nem pensar. Desconfie de quem não respeita e nem reconhece sua mão-de-obra.

Seu patrão não te trata com decência? Não remunera seu serviço? Não investe tempo no seu treinamento? E ainda te joga piadinhas do tipo “escraviário”, “estagiário tem mais é que cortar papel”, “para você não tem folga nem feriado”? Agradeça o tempo em que trabalharam juntos e diga adeus.

Seu patrão te usa para funções fora da sua vaga (ligar para o veterinário, lavar os pratos da empresa, confirmar consulta no dentista dele)? Não agradeça o tempo em que trabalharam juntos e diga adeus.

Calouros II: Posturas

0 Comments | This entry was posted on abr 25 2009

Estou escrevendo para calouros porque alguns alunos meus são do 1º período e sempre acho que faltam referências nessa época. Ensino superior é uma realidade distinta de tudo que passamos antes e precisamos nos adaptar rapidamente. O que mais me impressiona são histórias de alunos que não estão mais no primeiro período e ainda não receberam certos toques, nem das instituições onde estudam, nem de professores, nem da vida e nem de ninguém.

Em primeiro lugar a prova é quase um concurso público, não foi nenhum parente nosso que nos inscreveu, deu uniforme e assinou por nós (para os que fizeram vestibular aos 17 anos, talvez tenha sido a última vez em que alguém assinou um documento para você). Seu tempo será contado em semestres, normalmente você fará seu horário (e isso será decisivo na sua produtividade, na data de graduação, na qualidade dos seus trabalhos e na busca de estágio/emprego). Sua turma pode mudar a qualquer momento, basta uma reprovação, sua ou de qualquer um. E o mais importante: uma vez na faculdade, todas as decisões serão exclusivamente suas. Para o bem ou para o mal, é o seu nome que está assinando.

Ao entrar para uma faculdade ou universidade, o aluno se torna o único dono do seu nariz e todas as escolhas feitas irão recair sobre o histórico acadêmico, bem como as oportunidades aproveitadas, então, para quem quer se dar bem na faculdade e chegar competitivo ao mercado, é bom se alinhar e entender que se você não decidir fazer (ou deixar de fazer), ninguém tem nada a ver com isso. Não vai adiantar depois querer reclamar, tem que ser no ato, com senso crítico, lógico, mas é preciso se posicionar logo, para não perder o bonde da história e ter seus direitos/deveres lesados.

Seguem 4 dicas simples:

Busque a informação. Não espere ser informado, é sempre melhor ouvir do professsor a frase “calma que eu vou chegar lá” do que ter que dizer “eu não sabia”. Entenda como seus professores e a instituição funcionam e, para quem usa email, escreva por email, para quem fala cara a cara, fale cara a cara também (depois escreva por email para registrar ou tenha testemunhas), para quem não fala nada (pessoas que não respondem perguntas diretas existem aos montes), arrume um jeito de publicar isso, de passar para a hierarquia diretamente acima que sua situação está indefinida por conta de falta de posicionamento de A ou B.

Dizer que não sabia, que não foi avisado, que não acha justo é descabido numa faculdade. Se não foi avisado, o vacilo é seu, que esperou a informação de mão beijada. Se não sabia e alguém sabia, pior ainda, porque se perdeu da informação (pergunte ao professor se algum email novo foi enviado, se há algo na pasta, pergunte aos seus colegas se eles receberam algum email que você possa não ter recebido, se leram algo, se ouviram algo etc). Só não pode achar que depois vão ter “pena” de você, outra coisa que não existe em faculdade nenhuma.

Seja preciso, pontual e produtivo (e busque isso nos colegas e professores também). Não pergunte gaguejando ou de uma forma ininteligível. Fale alto e claro. Caso receba uma data de entrega de trabalho, não atrase para depois ficar pedindo ponto. Faça o seu, para não depender dos outros. E produza! Organize seu tempo, seus afazeres e faça os trabalhos, leia os textos, escreva, crie e entregue, mesmo que errado. Seu professor vai respeitar um aluno que errou ao tentar e vai desconsiderar quem sequer tentou.

Não tenha medo nem vergonha de perguntar. Não leve sua dúvida para casa, ao invés disso, levante a mão e diga que se perdeu, que não entendeu, até resolver o problema. Passe a dúvida para quem tem melhor pode te ajudar a dissolvê-la: seu professor. Não exite pergunta descabida em sala de aula, só existe pergunta não respondida (se você deixar).

A última dica desse post é para os alunos que entram em projetos extra-classe (iniciação científica, produção de eventos ou similares) e depois patinam na execução das tarefas, nos prazos e acabam se enrolando com o ensino regular: você é aluno e como tal precisa de orientação constante.

Não se iluda: quem te aloca numa tarefa tem a obrigação de te treinar, capacitar, educar e informar sobre o que espera de você, sobre como fazer e, caso saia algo errado, deve ter a generosidade de re-treinar, para evitar erros futuros. Não aceite responsabilidades demais. Existe a hora certa para entrar e para não entrar numa furada. Participar de um evento é furada? Quase sempre (fornecedores furam prazos, palestrantes faltam sem avisar, equipamentos dão defeito, etc) mas se você é calouro e quer aprender a ser articulado, essa é a melhor escola. Num evento você vai aprender a “resolver problemas”, literalmente. Ok, tudo muito bonito, mas para que você esteja habilitado para isso é preciso ser capacitado antes, ou seja, quem te alocou na função deve te dar o caminho das pedras e te acompanhar de perto, bem perto.

Se você é calouro, ou estudante de qualquer período, e tem uma tarefa a cumprir, esta tarefa é obter/gerar conhecimento e manter seu CR no nível mais alto (e isso depende unicamente de você), o resto é feito no tempo que sobrar e se não se enquadrar/ajudar nessa tarefa principal, então alguma coisa está muito errada.

Branding I

6 Comments | This entry was posted on abr 15 2009

Branding é gestão de marca, da imagem de uma empresa, produto ou serviço. É uma prática comum na comunicação e adminstração atual, porque as empresas cada vez mais precisam de reforços, literalmente, na batalha contra seus concorrentes. Num mundo onde dois produtos são iguais, têm o mesmo desempenho e tendem a ser percebidos da mesma forma pelo consumidor, qual a forma de diferenciá-los? Branding é a resposta mais comum . . .

Os programas de branding criam arcabouços sensoriais em torno das marcas, que as tornam portadoras de mais significados do que simplesmente a designação do serviço/produto que representam. Em outras palavras, as marcas recebem novos “valores”, para que sua “personalidade” se torne mais produnda e densa. Fazendo uma analogia com o cinema, as marcas são as personagens sendo construídas dentro da história e os programas de branding são os vários acontecimentos do roteiro que tornam essa construção visível aos olhos do observador.

Toda marca deve expressar algo para seu observador, levar consigo essa carga sensorial que faça com que, ao ser vista, crie reminiscências que estabelecem vínculos com o “consumidor” e desse vínculo deriva a fidelidade à marca/produto/serviço.

Edmund Husserl diz que “para expressar algo, portanto, é preciso significação; ao fenômeno da expressão superpõe-se uma significação; e quando essa significação se enche de conteúdo na intuição, temos a apreensão da essência”. (MARÍAS, 2004, 454).

Para apreender o universo representado pela marca, o observador precisa ter acesso a essa base conceitual. A primeira busca que fazemos, intuitivamente desde sempre, é no universo concreto do serviço ou produto que cada marca representa, mas atualmente as significações atribuidas às marcas extravazam seu universo original e são muitas vezes, arbitradas e amplamente divulgadas pro campanhas de comunicação que visam estabelecer certas conexões através de convenções, ou seja, estabelecem conexões não naturais.

Um termo comum nos programas de branding é a “experiência de marca”, onde o observador trava contato com a marca de forma subjetiva, na maioria das vezes fora do seu contexto original. Na verdade essa experiência é uma tentativa de expansão do contexto da marca, para que o observador adquira mais estímulos que o conectem com aquele produto/serviço/empresa.

Essas experiências vão desde um abordagem diferente do produto no PDV, destacando suas qualidades originais ou (criando) as novas, até abordagens mais complexas, como por exemplo o patrocínio a eventos que atendam um público-alvo interessante para o produto vendido. Uma marca de telefonia, que tem entre jovens de classe média alta uma grande parcela de seu público consumidor, pode por exemplo patrocinar um festival de música e trazer para esses jovens uma série de shows que os façam pensar: “legal, sem a empresa tal eu não estaria neste show!”.

Entendo que as empresas busquem diferenciais para seus produtos, que busquem excelência  estética para sua comunicação e programas bem desenhados, do ponto de vista estratégico para alcançar seus objetivos comerciais. Estamos num mundo mercantilista, não há como fugir disso.

Não critico o comércio, sou o primeiro a dizer que o dinheiro deve rodar, deve trocar de mãos, ser reinvestido, ser transformado em consumo, que aqueça a economia, que gere empregos, que traga mais investimentos e toda a cadeia de consumo e produção que se retroalimenta.

Também não deponho contra o ramo do design que trata da gestão de marcas. Seria loucura, até porque sou designer e trabalho em programas de branding também.

Acho que devemos gerar formas cada vez mais pregnantes, que se tornem parte da memória de cada observador e que auxiliem na circulação da informação. Designers devem promover a  comunicação, ligar pessoas e para isso as marcas, programas de identidade visual e programas de branding (entre outros) devem se apoiar em formas que gerem lapso no observador e capturem sua atenção (Lyotard, 1998, 40).

Minha dúvida é: a maior parte dos programas de branding hoje em dia tem se especializado em “amplificar a força das marcas” ou “vender bem a imagem de empresas ruins”, ou seja de fazer reforço/ressiginificação de marca para compensar um serviço mal prestado?

Estamos num processo de descoberta e exploração de atributos dos produtos/serviços ou em um processo de fetichização e ressiginificação essencialmente subjetiva das marcas? Os programas de branding se concentram no que as marcas representam ou nas marcas em si? As marcas estão se tornando “o” produto?

É impressão minha ou em alguns casos as marcas estão ganhando reforços enquanto a prestação de serviços está decaindo em qualidade? É claro que á princípio uma marca não se sustenta se não representar um serviço ou produto sólido e de qualidade. A marca é forte quando sua representação é incontestávelmente ligada à qualidade, mas é perfeitamente possível que marcas fortes seja ligadas á serviços ruins ou mal prestados.

A maior parte das empresas de telefonia, por exemplo, figuram entre as campeãs de reclamação nos serviços de proteção ao consumidor, seja pela (péssima) qualidade do serviço oferecido, seja pela (outra vez pésima) qualidade do atendimento ao cliente, quando este busca soluções ou ressarcimentos. Mesmo assim, são bem posicionadas no mercado, por conta justamente de programas de branding que atribuem às suas marcas uma série de valores que não necessariamente veremos na prática do serviço prestado.

Alguns bancos que divulgam amplamente suas ações “socialmente responsáveis”, na verdade cobram taxas de juros exorbitantes de seus correntistas.

Algumas cadeias de lanchonetes fast food têm marcas fortes mas são constantemente alvos de denúncias por parte dos órgãos de controle de saúde por conta do balanceamento nutritivo dos seus alimentos.

Enfim, branding é uma área do design que se destina a gerenciar a forma como o público vê uma marca e com ela se relaciona ou está se tornando “banho de loja” para empresas que desejam vender significados que seus produtos não têm?

LYOTARD, Jean François. Moralidades Pós-modernas. 1ª ed. São Paulo: Papirus, 1996.
MARÍAS, Julián. História da Filosofia. 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

Matrioshki - A Lei do Cão Belga

0 Comments | This entry was posted on abr 14 2009

Acabou de estrear no Telecine Action a 2ª temporada de Matrioshki, a série belga que retrata o submundo do tráfico humano na Europa. A primeira temporada foi marcada por um clima depressivo, por conta do clima gélido das ex-repúblicas soviéticas, da vida miserável que o povo daqueles países leva e pela total falta de noção das meninas de lá, que tem uma ingenuidade e uma falta de perspectiva inversamente proporcionais à sua beleza, o que atrai os traficantes e aliciadores aos montes.

O interessante da série, além do retrato da (pouca) qualidade de vida de parte desses países, é a caracterização naturalista da máfia da prostituição: sem falso glamour, sem a lendária “honra dos bandidos” (que contaminou vários filmes de máfia após O Poderoso Chefão) e acima de tudo, sem esperança ou finais felizes fabricados.

Não quero aqui fazer apologia do pessimismo, mas é interessante ver alguma produção que mostra, mesmo que de vez em quando, que as pessoas de bem também perdem, porque é isso que se vê todos os dias (principalmente aqui no Rio de Janeiro): gente honesta e trabalhadora sofrendo nas mãos de bandidos (de diversos tipos e cores) sem opções de fuga ou compensação.

Matrioshki traz meninas sem futuro em países como a Lituânia, Rússia e outros, que são convidadas para testes de “dança” e acabam escolhendo sem saber o caminho dos prostíbulos de países distantes. Os passaportes são confiscados, os contratos são escritos em uma língua que nenhuma entende e os aliciadores as submetem a humilhações físicas e sexuais antes mesmo de chegarem ao destino e serem entregues aos “clientes”.

A série é sucesso de crítica na Europa e suas imagens são utilziadas pela Anistia Internacional em campanhas de combate e prevenção ao tráfico internacional de escravas sexuais.

O roteiro parece sádico, mas na verdade é uma análise crua de como se dá o processo de aliciamento de meninas para essa atividade. As cenas são ásperas, secas, não há trilha sonora para antecipar cenas chocantes, nem lágrimas para que o observador se envolva com alguma personagem. Também não há suspense bobo antes nem pausa dramática após. Só os fatos, as escolhas e as consequências.

Algumas meninas querem voltar e não sabem como, outras aderem ao novo estilo de vida. Algumas fazem pelo dinheiro para a família pobre, outras por sonhos de consumo de uma realidade capitalista desconhecida. Aos poucos as personagens vão sendo construídas de maneira simples, em poucos mas emblemáticos diálogos.

A segunda temporada também traz uma mudança de cenário e de elenco, pulando 3 anos após a temporada 1, mostrando que os roteiristas acreditam que um bom argumento rende boas histórias, não improta o elenco anteriormente construído. E acertam: algumas caras e fatos conhecidos são citados, mas o que importa mesmo é o contexto, as situações extremas (pobreza, violência e maldade) a que todos se submetem.

Parece que a falta aos autores uma fagulha que seja de romantismo, dada a alta taxa de mortalidade da série, mas o mundo da máfia não deve mesmo ser feito de pessoas fofas.



Telecine Action
Terça-feira
00h

http://www.matroesjkas.be/

Ensino no Brasil

0 Comments | This entry was posted on mar 23 2009

O documentário “A Folha que Sobrou do Caderno” fala do ensino do design no Brasil, mas se aplica muito bem a qualquer área de conhecimento. Sua exposição de um modelo de ensino baseado em replicação automática de fórmulas, para graduação quase compulsória dos alunos, em outras palavras, despejo no mercado de estudantes não necessariamente preparados, é muito interessante.

Produção da Boana Estudio, de junho de 2008.

Anúncios

0 Comments | This entry was posted on mar 23 2009

Eu sempre reclamo desses comerciais de TV que estabelecem ligações arbitrárias entre um conceito escolhido para a campanha e o produto (leia-se forçar a barra pra fazer algma coisa bonitinha) e acabam gerando vídeos interessantes mas que não lembram o produto em nada e nem permanecem na memória do observador. São anúncios que você assiste, acha “legal” mas não sabe de que produto era . . .

Quem me conhece sabe que de vez em quando eu cito a campanha da Unimed (”o melhor plano de saúde é viver”) como uma boa campanha: rápida, objetiva, simples, bonita e bem executada, mas de resto acho tudo muito pasteurizado.

Bom, pra não parecer implicante, separei um ou dois vídeos que eu acho bacanas:

tudo bem que são, em sua maioria, campanhas de cunho social, mas também é possível fazer um bom anúncio de um produto (desde que não seja cigarro rs)