Archive for the ‘Comportamento’ Category:
Dicas para conseguir estágio nos primeiros períodos:
Conseguir um bom estágio para quem está no início de um curso é complicado, porque o aluno poed oferecer pouco em troca da experiência que vai obter, mas aí vão algumas dicas:
- se você não tem experiência para oferecer, então prepare-se para trabalhar de graça por um tempo em troca de obter experiência. Depois use essa experiência obtida para negociar uma outra vaga em um próximo estágio
- não trabalhe de graça por muito tempo, porque isso não é saudável para ninguém, então aprenda rápido!
- escolha em que área deseja trabalhar: redação, direção de arte, atendimento, mídia, produção, operação etc para procurar vagas mais focadas
- liste várias empresas da região onde você mora ou próximas, para que você possa buscar vaga talvez sem gastar muito dinheiro com deslocamento ou alimentação (se o custo for baixo ou zero, o sacrifício vale a pena)
- ligue, se apresente e diga que deseja trabalhar para aprender. Não desanime se demorar a encontrar espaço, porque isso é natural do mercado em constante mutação
- ao arrumar uma vaga, dedique-se ao máximo, para que seu contratante considere sua mão de obra útil e rentável: é o primeiro passo para receber algum auxílio
- seja pró ativo e produtivo - primeiro a chegar e último a sair - entenda o negócio da empresa de trás para frente - tire sua dúvidas sempre
- seja um bom colega de trabalho: não ria demais para não tumultuar o ambiente mas não deixe de sorrir para não estragar o ambiente
- planeje seus passos, trace uma meta e cumpra ponto por ponto, com calma
- estude muito para demonstrar que não está alheio ao conhecimento obtido na academia
- leia muito e pondere sobre tudo que lê, porque uma das mais importantes experiências é a de vida e essa pode vir tanto do CEO quanto do estagiário
Educar o cliente
Educar o cliente sobre como o projeto será desenvolvido é primordial para um bom relacionamento. Já nas primeiras reuniões, quando o profissional se apresenta, a metodologia de trabalho, a divisão de tarefas e as responsabilidades de cada parte precisam ser estabelecidas.
Se um cliente quiser depois avacalhar o processo de trabalho (furar cronogramas, pedir alterações fora de contrato, alterar o briefing etc) o profissional tem como argumento a apresentação dos termos que regem o projeto e que o cliente já aceitou. Ele pode até insistir, mas não pode forçar e, se o contrato for assinado, então cabe até medida legal, ainda que esse desgaste raramente valha a pena. O ideal é investir em clientes que demonstram entender a regra do jogo antes de iniciada a partida, para não haver falta depois.
Já trabalhei numa empresa em que ouvi a frase “o cliente é completamente sem noção” mas no momento em que esse cliente fez solicitações absurdas eu perguntei: OqueVoceDisseParaEle? “Nada, vou dizer o que?” foi a resposta. A situação era a seguinte: o cliente é sem noção e está tentando impor seu ritmo. Se o profissional não der noção a ele, o problema nunca vai acabar.
Então vejo vários designers que reclamam da postura do cliente mas vejo vários desses mesmos designers que não querem gastar (investir?) um minuto sequer falando de metodologia, organização etc.
Sendo um cliente sem noção, é nossa obrigação dar noção a ele. Simples assim. Quem não explica, complica junto!
Quando um cliente fala “logom**ca” e o designer acompanha (não me atrevo a escrever essa palavra amaldiçoada), por ter uma postura “o cliente falou, então não vou corrigir, porque pega mal”, então o designer ao invés de propagar informação, está absorvendo (e ratifiacndo) desinformação. Ao invés de manter sua terminologia e num momento oportuno até apresentar os termos corretos (incluindo um glossário num manual de marca por exemplo), se o designer deixa passar as oportunidades de educar o cliente, acaba virando marionete no projeto.
Não falo de tutela, nem de ser também sem noção na hora de apresentar termos, criando situações constrangedoras e sim de entender o tempo do cliente e apresentar no momento certo o seu conhecimento.
O cliente gosta de saber que você entende do que está falando e vai enteder se você mostrar para ele que o termo é X e não Y porque também não gosta quando mudamos os termos dos dados que ele apresenta.
Ou alguém já viu algum nutricionista achar normal alguém chamá-lo de cozinheiro?
Projeto x Cliente
Alguns clientes pedem trabalhos com pouco prazo. Normalmente são mal organizados e cheios de vícios. O que eu mais vi até hoje são solicitações de departamentos de marketing, muito preocupados com a venda mas nada antenados com a técnica de venda, ou seja, ao invés de entender a linguagem de seu público e solicitar que o design também a siga ou deixar que o designer analise e proponha o caminho a seguir, de acordo com sua metodologia de trabalho, esses clientes recorrem a clichês do tipo “marca grande”, “coloca bold nesse texto”, “faz um splash”, “tá muito sem vida, coloca mais cor aí”.
FATO 001: os emails desses clientes são truncados e difíceis de entender (cheios de !!!!!! no final de cada frase).
FATO 002: esses clientes solicitam mil alterações mas não são as pessoas que vão aprovar o projeto, o que gera novas frustrações de ambos os lados.
Esse tipo de cliente pode trazer mais prejuízo do que lucro, porque se a empresa não cobra pelas mil e uma alterações solicitadas, então o tempo alocado em cada projeto pode exceder o valor do contrato e mandar o planejamento para o espaço.
Quando é um cliente só seu, ou um freela, fica a critério aceitar ou não, mas quando trabalhamos em um escritório de design, temos que nos adequar às decisões dos donos, que em 99% das vezes tendem a aceitar os pedidos urgentes e absurdos desses clientes (simplesmente porque se sua postura fosse diferente, sequer teriam esses clientes na casa, já os teriam farejado na primeira reunião).
O cliente não tem sempre razão. Seguir o que o cliente solicita de forma mecânica ou seguir a máxima “o cliente é o nosso maior patrimônio” é pedir para entregar a gestão da empresa nas mãos de terceiros e desmotivar a equipe.
Trabalhar numa empresa que permite que esse tipo de situação ocorra é escolha de cada profissional, de acordo com o momento em que se encontra sua carreira. Normalmente, quem não está com grana tende a aturar qualquer coisa e quem está estável parte logo para um emprego mais sério.
Quando ouço a famosa frase “precisamos disso para o quanto antes” ou “para ontem” já ligo o sinal de alerta: será que esse cliente vai querer pagar uma taxa de urgência? E será que um trabalho feito tão as pressas terá qualidade suficiente para atender ao projetista, ao cliente e ao público consumidor final? Caso o projeto não fique à contento, terá que ser refeito, certo?
É implicância minha ou em design, para alguns clientes nunca há tempo para fazer, mas sempre há tempo para REfazer?
Teatro - Memórias de uma Mulher Perdida
Estreou no dia 15 de janeiro, no Teatro do Planetário da Gávea - Rio de Janeiro, uma peça da qual fiz o projeto gráfico: Memórias de uma Mulher Perdida (Monologo della Puttana in Manicomio, no original).
A principal proposta desta encenação é promover uma reflexão sobre aspectos da solidão, que podem se instalar e se manifestar na vida de qualquer indivíduo em sociedade, levando-o à loucura.
Dario Fo, além de ator e diretor, é reconhecido autor italiano de peças, romances e ensaios e, em 1997, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto da obra. Franca Rame, atriz e escritora, é sua esposa e assídua colaboradora.
Em 1977, escreveram Monologo della Puttana in Manicomio. Esta peça foi inserida pelos próprios autores na luta antimanicomial da Itália, iniciada por Franco Basaglia, psiquiatra e precursor do movimento de reforma psiquiátrica italiano, na década de 60.

Rio 2016, é sério?
Sob risco de parecer pragmático demais, devo afirmar: acho muito estranha a possibilidade de um evento desses no Rio de Janeiro. Diria absurdo até, se nosso país não fosse tão marcado por absurdos que se tornam senso comum e causam letargia no povo.
Minha visão é simples: deveria ser absurdo trazer uma olimpíada para uma cidade governada por bandidos, onde mendigos (adultos e crianças) se amontoam e só podem contar com a força da polícia e a boa vontade de algumas almas caridosas, onde diariamente vemos vendedores de bala nos ônibus, trocando 3 amendoins por R$ 1,00 para não ter que roubar, onde bandidos (adultos e crianças) entram pela porta de trás dos ônibus sem pagar, quando esses passam por suas comunidades, onde (adultos e crianças) cheiram cola e fumam crack, onde não se pode conversar no portão até tarde, onde um turista não pode andar com uma câmera fotográfica no pescoço, onde não se pode abrir a carteira em público pra pagar um café, onde ser parado pela polícia à noite significa prejuízo quase certo, onde ser abordado no sinal vermelho significa prejuízo quase certo também, onde vemos pessoas (adultos e crianças) fazendo literalmente malabarismos para ganhar seu dia, onde algumas pessoas moram em casas de papelão, com telhado de plástico, fincados no barro, que escorre morro abaixo quando chove, onde balas perdidas matam crianças de colo, onde fuzis que deveriam ser exclusivos das forças armadas (daqui e de outros países) são encontrados nas favelas na mão de bandidos (adultos e crianças), onde traficantes comandam suas ações mesmo estando presos (ou seja, quem está preso é o cidadão honesto), onde políticos de sorriso largo e moral estreita governam não pelo e para o povo e sim para as próximas eleições, como se estivessem jogando war, onde um jogo chamado War In Rio faz sentido, enfim, a lista pode crescer indefinidamente, basta parar para ler as notícias mais recentes e ver quais outros problemas minha humilde ignorância sequer arranhou. Será que essas questões foram colocadas no relatório entregue ao COI? Não seria razoável pensar que temos questões um tanto quanto urgentes e básicas pra resolver, como guerrilha urbana, antes de sediar um evento desse porte?
Eu não ando de carro blindado como quem me governa, não tenho seguranças e gerentes pra garantir minha paz. Eu mesmo tenho que ficar ligado no meu caminho, pra saber se ninguém vai interrompe-lo. E eu conheço razoavelmente minha cidade, mas tenho pena dos gringos que vem pra cá achando que o Rio é um paraíso (e será durante os jogos, caso seja escolhida como cidade sede, porque acontecerá todo um trabalho de maquiagem, de photoshop socio-político).
Agora, o que me dá mais pena é dos cariocas (eu inclusive), que são levados a esse clima de oba-oba, de pão e circo, mas que depois voltarão, com ou sem jogos, para a dura realidade de uma cidade governada por bandidos.
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Design em 56 questões
Porque não existe um Quarteto de Design? Porque não existe um fomento nacional ao design? Porque as pessoas são mais atingidas pelo cinema do que pelo design? Os designers querem apenas ganhar dinheiro, os cineastas não? Os designers são escravos da indústria? Porque não existe um imposto compulsório para os designers? Porque os simpósios de design são tão detestáveis? O design é mais comercio do que cultura? Como podemos fazer um frio produto da indústria nos falar ao coração? O design tem uma função educativa? É um diletantismo do consumo querer possuir coisas belas? O design serve à auto-afirmação?
Coisas belas nos provêem com felicidade duradoura? Design precisa ser sempre bom? Um objeto pode ser uma expressão de nossa sociedade? Porque o design acredita não necessitar de uma teoria? Porque qualquer um pode se chamar de designer? A necessidade social do design é um romantismo social irrealista? O design pode ser político? O design tem que ser ético? O bom design é democrático? Pode se decidir democraticamente sobre o design? Precisamos de designers estrelas? Somente os projetos produzidos têm valor? Os melhores projetos acabam engavetados? O que faz um designer ter sucesso? A inteligência prejudica o sucesso do design?
Um bom designer pode ser superficial? Os designers não sabem ler? Porque os designers querem sempre reinventar as coisas? Porque os designers não admitem ser inspirados por outros projetos? O sampling só existe na música? As citações só existem na literatura? Porque os designers lidam tão mal com o passado e a tradição? Os designers se interessam por sua própria história? Há designers no Congresso Nacional? São os designers advogados do consumidor ao invés de agentes da indústria? A economia impulsiona o design ou o design impulsiona a economia? Porque os designers se tornaram tão apolíticos? Os designers ouvem o marketing?
Como conseguiram os publicitários se afirmar como criativos, quando eles servem mais ao comércio que os designers? Como os criadores de tendências se tornaram tão importantes? Devem os designers ser tão livres como os artistas? Porque os designers acreditam que devem argumentar com os termos do marketing? Porque o significado econômico do design deve ser mais importante do que o social? Porque a divulgação sobre design é tão ruim? Porque não há programas sobre design na televisão? Quem é a Maria Gabriela do design? Quando o design perdeu a sua relevância? Que idiota criou os termos Design Babys e Design Drugs?
Porque as instituições do design fazem tão pouco pela imagem do design? Porque acreditamos que o design tenha que ser limitado em relação às fronteiras das outras disciplinas? O design pode ser uma tendência cultural autônoma? Como, em um grupo tão pequeno, não se consegue concordar com alguns ideais? Pode o design transformar a sociedade? Quando se inicia o século do design?
Via Design Gráfico (via Freddy Van Camp)
Valorize seu trabalho
O mercado está repleto de clientes que não valorizam o trabalho bem feito e tentam obter vantagens espúrias a partir de argumentos descabidos.
Veja uma lista de 10 armadilhas que irão desvalorizar seu trabalho e sua postura como profissional e precisam ser evitadas a qualquer custo:
01 Faça esse trabalho barato (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor.
Nenhum profissional sério deixa de cobrar pelo seu serviço.
02 Nós nunca pagamos 1 centavo antes de ver o produto final.
Você está trabalhando desde a reunião de briefing e precisa receber uma entrada.
03 Esse trabalho será ótimo para seu portfolio! Depois desse você vai conseguir muitos outros.
O cliente é que deve investir em qualidade, por isso está contratando você.
04 Não temos certeza se queremos seu trabalho. Deixe os estudos comigo e vou falar com meu sócio e depois te dou uma resposta.
Seu trabalho só deve ser entregue mediante remuneração justa, acordada no inicio do processo.
05 Veja, o job não foi cancelado, somente adiado. Deixe a conta aberta e continuaremos dentro de um mês ou dois.
Seria um erro não faturar o que foi feito até o momento esperando que o trabalho continue depois.
06 CONTRATO?? Nós não precisamos assinar contratos! Não estamos entre amigos?
Todo profissional usa um contrato para definir como será o trabalho e quais as responsabilidades de cada parte envolvida.
07 Envie-me a conta depois que o material for pra gráfica.
Essa desculpa possivelmente é uma tática para atrasar o pagamento, já que na gráfica, o trabalho precisa de alterações intermináveis.
08 O último designer fez esse job por R$ XX.
Se o último designer era tão bom por que ele te chamou? Faça um preço justo, ofereça no máximo 5% de desconto e não abra mão disso.
09 Nosso orçamento para esse job é de R$ XX.
O valor do seu tempo e conhecimento não devem ser regulados por orçamentos de terceiros e sim pelo quanto você investiu em preparação para oferecer um trabalho de qualidade.
10 Estamos com problemas financeiros. Entregue o trabalho e te pagamos depois.
O trabalho só deve ser entregue mediante o pagamento acordado em contrato. Sem concessões.
Visto no Pto de Contato.
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Fotografia solidária
É uma atividade que o Severo não conta para quase ninguém. Poucos conheciam até o momento, o quanto importante é isso para ele. Inúmeras vezes ele já levou remédios, alimentos e as valiosas fotografias que ele retrata dessa população nômade de nossa cidade.
Mas o principal mesmo é o contato, a conversa, a aproximação dessa gente sofrida, que o Severo realiza anonimamente.
A função deste Blog é colocar essas fotos que Severino Silva realiza nas ruas para que, de alguma forma, algum parente ou conhecido localize as pessoas retratadas. Com um pouco de sorte e bastante divulgação, talvez possa acontecer algum reconhecimento positivo.
Não sabemos ao certo os motivos que levam essa população a viver nas ruas, se é o abandono da família, se é o abandono do Estado e de que forma isso afeta as pessoas. No caso das doenças mentais, certamente, estas devem ser tratadas de forma moderna e eficaz, abolindo os hospícios como depósitos de seres humanos em condições psiquiátricas precárias. Mas, por outro lado, abandonar essa população à própria sorte nas ruas não é uma política pública social e decente.
Deixando de lado todas essas teorias, apresentamos aqui este trabalho que faz parte do Projeto Imagens Urbanas, que é um projeto de participação social através do fotojornalismo, realizado a principio por Severino Silva, Wania Corredo, Domingos Peixoto, Wilton Junior e Guillermo Planel.
Para acessar o blog, basta clicar em www.fotosereencontros.blogspot.com
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Como lidar com clientes?
Está no Vimeo também o vídeo da Palestra ministrada em junho de 2009, durante o evento 24h de Comunicação, da Faculdade CCAA, sobre como manter uma relação saudável e construtiva com o cliente.
Assista clicando aqui ou nas imagens.
Twitter para que?

Uma matéria do portal Globo.com corrobora minha teoria de que o Twitter ainda é usado para postar relatos que só dizem respeito ao umbigo do usuário, do tipo “não gosto de dia nublado”.
Foram apresentados dados da consultoria Pear Analytics, que analisou mensagens aleatórias no Twitter, onde “os textos foram classificados em seis categorias: notícias, spam, promoções de empresas anunciando produtos e relatos sem maior interesse coletivo, bate-papo (entre duas pessoas) e reenvio de mensagens (retweet-RT)”.
O resultado:
40,55% Relatos sem maior interesse
37,55% Bate-papo
08,70% Reenvio de mensagens
05,85% Promoções
03,75% Spam
03,60% Notícias
Ou seja, o Twitter ainda é muito usado como uma agenda de adolescente: “quero registrar o que se passa na minha vida e dividir isso com o mundo, porque eu devo ser muito importante”.
O Twitter, em sua página inicial, incentiva os usuários a “descobrir e compartilhar o que está acontecendo em qualquer parte do mundo”, ou seja, compartilhar conhecimento. Foi exatamente o que aconteceu quando dos mais recentes conflitos no Irã, onde as pessoas usaram o microblog para levar ao mundo os problemas que estavam passando, numa situação onde a instantaneidade da web foi primordial.
Quero propor que o Twitter só seja usado em casos de guerra? Quando a China mandar mais soldados para o Tibet, ou quando os Talibãs cortarem mais dedos de eleitores, ou quando a Coréia testar mais armas nucleares? Não, claro que não (ainda que seja essencial que isso aconteça).
Existem algumas boas utilizações do Twitter, como por exemplo: Carol Hoffmann, que troca links e recomendações de leitura interessantes. Eu mesmo passo muitos recomendações para ela que são postados lá.
Acredito que toda tecnologia lançada leva um tempo até sua completa maturação e pelo visto o Twitter ainda está um pouco longe disso, mas tenho certeza de que ainda vamos ouvir falar de alguém que conseguiu potencializar as características desse serviço. O que é possível narrar no Twitter com 140 caracteres todo mundo já está testando. Mas como utilizar essa característica a favor da narrativa? Alan Moore faria um baile com isso . . .
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Eu penso em política
Só pra fechar minha lamentação sobre meu país, quando ouço alguém dizendo que não se preocupa com política, entendo que a decepção com o tema no Brasil seja tão grande que nos desmotive a entrar nesse buraco negro. A maioria das pessoas prefere nem lembrar que essa esfera existe, pra não alimentar expectativas e depois vê-las frustradas.
Entendo, mas discordo.
Pensar em política não quer dizer pensar em partidos políticos, que no nosso país são um câncer, e sim pensar nas questões que permeiam a coexistência entre pessoas, comunidades e culturas no espaço público (e na proteção do espaço privado).
Significa entender que decisões serão tomadas por gestores públicos e quais deverão ser tomadas por nós. E como essas duas instâncias irão interagir.
Não pensar em política é viver alienado, sozinho e ignorando a pessoa do seu lado, que habita o mesmo espaço que você e usufrui dos mesmos recursos (o equipamento urbano, meios de transporte, acesso a informação etc).
Alguém que não pensa em política não pode querer pensar em por qual motivo foi assaltado no sinal de trânsito, ao parar seu carro, porque quem o assaltou fez isso justamente por ser consequência de um sistema qualquer. E que sistema é esse?
Fiz questão de evitar a expressão “vítima do sistema” no parágrafo anterior porque nem todos são vítimas, alguns são oportunistas aproveitando brechas entre a lei e a justiça. Alguns camelôs não querem um emprego assalariado, com carteira assinada, VT + VR. Preferem ficar com suas barracas na calçada esperando que a Guarda Municipal siga para outro quarteirão para voltar a vender. Alguns ganham mais assim, na informalidade, do que muito segurança de banco por aí. Alguns meninos preferem trabalhar para o movimento no morro do que trabalhar como contínuos numa firma, porque o traficante lhes dá um status e uma remuneração “acima do mercado”.
Essas pessoas precisam de preparo, de alerta, de senso crítico, de ideologias e valores. Precisam também de investimento e fé (palavra que eu nem gosto de usar mas aqui cabe).
E veja que curioso: aquela pessoa que estudou a vida inteira, que teve acesso a informação, boa criação em casa, na escola, no trabalho, diploma, vivência, ou seja, aquela pessoa que dispõe o senso crítico essencial a tantos outros, que poderia compartilhar suas visões e oferecer alternativas, enfim, essa pessoa diz que “não pensa em política”.
Será que ela pensa em quanto custa um carro blindado?
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Pré-requisitos para altas posições
Alguém já teve um chefe incompetente e totalmente despreparado para o cargo? (ok, ok, eu também já tive).
Agora, verdade seja dita, a pessoa que vai liderar um processo deveria ser versada no assunto a tratar e ter conhecimento do que sua equipe é capaz de produzir e mais, deve saber o que sua equipe precisa produzir, porque vai atender a alguma demanda específica.
Pela lógica, não seria um qualquer a assumir uma posição importante, que fosse diretamente responsável pelo destino de outrem. Isso pela lógica. Porque em um pardieiro chamado Brasil a elegibilidade para cargos públicos tem se mostrado bastante flexível. Gostaria de saber quais os critérios para se lançar uma candidatura. Tentei achar no site do TSE mas não consegui (se alguém souber, por favor me avise).
O que nos acontece é que qualquer cidadão, em pleno gozo de seus direitos políticos, se lança candidato para nos brindar com pérolas durante a campanha eleitoral, onde demonstram total despreparo para gestão (e depois se elegem e aí praticam esse despreparo todo).
Imaginem a visão de tantos mestres e doutores, que suaram para obter seus diplomas, ao ver essa manada de acéfalos discursando por poucos segundos no horário eleitoral e pensar: “o salário dele será 6 ou 7 vezes maior que o meu”. Deve ser bizarro . . .
A administração pública deveria ser responsabilidade de quem pode e não de quem quer. Deveria haver um processo de triagem que nos livrasse de certos constrangimentos. E antes que alguém diga “mas o povo é culpado porque vota nessa gente”, bom, que povo? Os milhões e milhões de outros despreparados para o processo de escolha? Os milhões que todos os dias são assediados por essa gente politiqueira, nas suas comunidades, oferecendo cestas básicas (e bolsa esmola) em troca de votos? Não sei, mas acho que esses também precisam de treinamento (educação? um dos problemas que os legisladores deveriam resolver?). Senso crítico precisa ser estimulado . . .
Fico pensando: não seria lógico exigir de alguém que se presta a gerir processos, sejam quais forem, uma formação adequada em administração, economia, etc ou que os candidatos ao legislativo apresentem pelo menos diploma de direito? Não seria lógico pensar que para ser gestor de vidas, o sujeito deveria ser pelo menos o 3º grau?
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O poder da política
Não gosto de política partidária feita no Brasil. Simples assim. Acho que este sistema está falido e já deveria ter sido substituído por outro que valha o atual esforço do voto. Nossas crenças são diariamente desperdiçadas por um classe que, salvo raras e quase insignificantes exceções, utilizam a “máquina estatal” para realizar tráfico de influência, desvio de verbas, marketing pessoal e outras tantas práticas espúrias.
Os partidos políticos são como clubes de doutores em retórica vazia, sofistas de várzea e apedeutas que mais parecem saídos de programas humorísticos de quinta categoria. Nenhuma das categorias merece os pomposos salários que recebem.
Não há no Brasil um alinhamento ideológico sério, por conseguinte também não há uma filiação que se possa chamar de respeitável, o que leva a esse circo de troca de partidos da noite para o dia, de acordo com os interesses de projeção para a eleição seguinte. Ou seja, mudam de partido não porque se identificaram com uma nova proposta, uma ideologia e sim porque naquele momento (e só naquele momento) parecia mais promissor, dentro da meta de obter mais e mais poder, nem que seja micro poder.
Hoje ligamos a TV e vemos o suplente do suplente resolvendo questões que deveriam ser tratadas por gente que merece o lugar que ocupa, por ter sido corretamente escolhido, pelo voto da população. Qual compromisso com o bem estar coletivo essa gente terá ao tomar decisões importantes? E como ficam as pessoas que sequer puderam votar ou deixar de votar neles e agora também não têm acesso ao sistema que os mantém no cargo, tendo que assistir barbaridades sem fazer nada?
O Brasil é a maior democracia do mundo, mas muitas vezes os vários desdobramentos desse mesmo sistema democrático são utilizados de maneira prejudicial à população, criando essas aberrações, como analfabetos comandados como títeres por marketeiros apostadores, suplentes que congelam ações, poetas milionários e cínicos trocando de poder com outros cínicos piores que eles, líderes depostos pela porta dos fundos do executivo e recebidos pela porta da frente do legislativo, baixo e alto clero (como se o país pudesse se dividir em baixa e alta importância), enfim, é por essas e outras que não gosto desse sistema.
Ao que me consta, os problemas básicos de saúde, segurança, habitação e educação (que falta a muitos parlamentares) continuam os mesmos.
Não seriam muitos políticos “contratados” para no final não resolver o que se deve? Não são altos demais os salários? Não são grandes demais os benefícios? Não seria lei demais para pouca justiça?
Vídeo da Palestra Interfaces do Homem Digital

Está no Vimeo também o vídeo da Palestra ministrada em outubro de 2008, durante a 3ª Mostra da Faculdade CCAA, sobre como o homem contemporâneo transformou sua existência e suas relações sociais a partir das novas tecnologias.
Assista clicando aqui.
Entrevista UTV
Coloquei no Vimeo o vídeo da entrevista que eu concedi para o programa Expresso.com da Veiga de Almeida, transmitido pelo UTV (NET canal 11).
Assista clicando aqui.
Cadáveres Perfumados
A importância de se lidar com o trabalho de Oliviero Toscani e suas campanhas na Benetton é a chance de pesquisar um outro modelo de publicidade e comunicação de massa, que na verdade não passa de uma reedição do modelo original desta forma de comunicação: a publicdade serve para publicar informações, levá-las ao conhecimento do público e permitir que cada vez mais pessoas tenham acesso a bens, serviços e produtos de consumo, seja por necessidade, seja por vontade garantida pelo regime democrático.
Anúncios, como a palavra indica, anunciam que determinada oportunidade está acessível: seja um novo remédio ou um novo tipo de roupa, ou um evento. Anúncios devem tornar uma informação pública para o observador.
As pessoas têm o direito de consumir, mas o que elas consomem? E em que ordem, sob qual regime? A comunicação de massa lhes mostra quais produtos estão disponíveis para compra ou mostra que não participar da compra significa “exclusão”?
Que discurso é esse segundo o qual a compra de um determinado produto nos transforma em espécies de pessoas que não somos originalmente? E onde isso vai nos levar? Obviamente, se alguém compra um perfume, se tornará alguém mais perfumado, mais arrurmado e bem cuidado, talvez mais zeloso de um certo ponto de vista, mas induzir a pensar (subjetivamente) que aquele perfume nos torna parecidos ou tão bem sucedidos quanto o galã que protagoniza o anúncio não corresponde exatamente á realidade.
Usar um perfume significa que uma pessoa ficará perfumada, nada mais.
A abordagem onírica dos anúncios, que prega sutilmente que o consumidor pode reproduzir o contexto dos “garotos-propaganda” exibidos nos comerciais apela para um desejo humano de superação e inclusão, de pertencimento e evolução. Mas a super-valorização dessa abordagem tem mergulhado os consumidores numa espiral de compra e frustração, porque nenhum produto transforma a vida de uma pessoa, só ela mesma.
Sobre Toscani, Spike Lee, cineata, escreveu na Roling Stone:
A Benetton desafiou o apartheid quando a agente de África do Sul protestou junto a Luciano Benetton, reclamando novos cartazes. Luciano respondeu-lhe ”Sinto muito, mas não mudaremos as fotos; esse é um problema seu, não nosso. O apartheid vai acabar desaparecendo um dia”.
O próprio Toscani diz:
Dois bebês nus, negro e branco, sentados em penicos brincavam juntos. Naquele mesmo ano de 1980 realizei uma campanha com a foto da criança negra espalmada contra a grande mão de um adulto branco. Lançamos este cartaz em painéis em 110 países durante a batalha do referendo que ia pôr fim ao apartheid.
Por que a publicidade, como a arte, como qualquer meio de comunicação, não poderia ser um jogo filosófico, um catalisador de emoções, um espaço polêmico?
Hoje em dia a publicidade se apresenta como o caminho das fórmulas consumistas, que estereotipam os consumidores e, por mais gerações X, Y e Z que surjam, a comunicação de massa tende a lhes apresentar o mesmo modus operandi: compre para ser igual a quem já comprou, para ter tanto sucesso e parecer parte de um mundo que na realidade não é seu.
O trabalho de Toscani data da década de 90 do século XX e ainda hoje parece atual, parece cada vez mais pertinente, num mundo que ainda segue modelos simplistas e pouco críticos.
Como diria Toscani: a publicidade precisa ser reinventada . . .
Calouros IV: Senso Estético
Além da teoria, da técnica e da prática, que se adquirem na academia, um fator será essencial para um bom desempenho na área de comunicação (design, moda, publicidade, multimídia, belas artes etc): senso estético.
Por senso estético entenda-se aqui a capacidade subjetiva de discernir sobre beleza aplicada a uma determinada situação. O belo, enquanto “perfeição agradável à vista, e que cativa o espírito” é intangível e relativo, cada pessoa tem seu referencial de beleza, mas é possível agrupar pessoas e estabelecer qual a linguagem visual que melhor se adapta a elas. E qual a que mais as desafia também, porque o papel do comunicador é expandir os limites da percepção, sua e dos demais.
O profissional que consegue desenvolver um projeto e avaliar sua funcionalidade, bem como sua excelência estética, ou seja, sua aplicabilidade numa demanda específica e sua capacidade de traduzir/transformar de forma agradável as referências visuais de uma comunidade, este será o profissional bem sucedido no mercado.
Quero deixar claro que não se trata de “agradar o cliente”, nem de dar ao observador o que ele “quer” mas de entender como e porque ele quer algo, a distância entre o que ele quer e o que ele necessita e comunicar idéias/conceitos, utilizando uma iconografia que seja adequada para a demanda e que seja também causadora de lapso, a captura da atenção do público.
Um bom profissional deve desenvolver a capacidade de avaliar se a informação proposta é adequada e se é esteticamente agradável ou se causa repulsa. Deve poder olhar um layout e pensar “isso não tem nada a ver com o que o público precisa” ou ainda “isto não está num nível profissional e requer mais refino, mais apuro”.
Dizem que bom senso não se ensina, que é um dom que vem com alguns desde o berço. Eu, que sou um cartesiano praticante, gosto de esquadrinhar cada conceito e tento enquadrá-los em normas técnicas, mensuráveis e controláveis e portanto não sou afeito a concepções cósmicas/espirituais. Obviamente eu respeito a predisposição genética de cada um. Então vou colocar minha visão sobre como se desenvolve o senso estético (que para ser desenvolvido precisa existir em cada pessoa, então talvez seja um dom natural mesmo).
Busque referências gráficas e visuais. O olhar precisa ser praticado e a mente precisa ser abastecida com informações para poder processá-las. Veja imagens de diversas estilos e plataformas, estude correntes diferentes de expressão. Permita-se expor a experiências estetica e sensorialmente instigantes, para que diferentes áreas do cérebro seja estimuladas. Leia os guias de referência e busque a origem dos cânones. Com um repetório vasto, fica mais fácil testar e propor linhas alternativas de comunicação.
Aumente sua bagagem cultural. Viaje sempre que possível, para sair dos lugares conhecidos e se deparar com costumes, comportamentos, temperos e temperaturas novas. Ler é básico, além das teorias e pesquisas, a leitura de ficção é igualmente útil, porque durante a leitura nossa imaginação constrói as imagens e esse exercício é essencial para uma mente que pretende ser criativa. Converse sobre assuntos que você (ainda) não domina. É incrível o que se pode aprender com qualquer pessoa eu aprendo muito com meus alunos. Ver filmes (no cinema, na tela grande, de preferência) é básico pela experiência de desligamento do mundo real e imersão num mundo proposto. Teatro, música, dança são igualmente construtivos. Eu só trabalho com música. Ver sites hoje em dia nem é necessário, é quase como respirar. Antigamente, no século passado, era preciso gastar um bom dinheiro para ter um anuário de design ou um portfolio impresso de algum escritório. Hoje basta entrar no site e ver todo o trabalho de designers, ilustradores, arquitetos, pintores, estilistas, escultores, etc. Ter uma biblioteca de referências para consulta e comparação é imperativo.
Por último, tenha senso crítico sobre o que você aprende. Tudo pode (e deve) ser questionado. Com sabedoria obviamente, mas todo o conhecimento deve ser testado e sua função verificada. Buda dizia: “meu ensinamentoé como um dedo apontando para a Lua. Favor não confundir o dedo com a Lua”. Quer dizer que não se deve seguir nenhuma direção só porque já seguiram e sim porque você testou e verificou que realmente te serve. Compare linhas de pensamento, compare autores, veja cada questão por diferentes ângulos. Ler sobre política somente na Veja é pedir para ficar bitolado. Agora, se você lê também a Carta Capital, a Caros Amigos, Le Monde Diplomatique e a Piauí, aí já dá para ter uma noção mais completa de cada caso.
Quando nosso cérebro está alimentado de informações visuais inventivas, nossa memória abastecida de experiências de vida interessantes e nosso raciocínio treinado para discernir valores, aí sim podemos contar que nosso senso estético está num nível bom e que o talento de cada um vai encontrar terreno fértil para se desenvolver.
Fica fácil perceber, por exemplo, que a cobertura política da Veja é muito, mas muito feia . . .
Calouros III: Teoria + Técnica + Prática
Uma vez em sala de aula, entenda que seu desempenho depende de três pilares: o conhecimento das pesquisas que já foram desenvolvidas sobre os assuntos estudados (teoria), as ferramentas de produção cabíveis para cada área (técnica) e o exercício articulado desses dois elementos (prática).
Um aluno de design, publicidade, multimídia, moda, etc. precisa saber, por exemplo, história da arte, percepção visual e metodologia de projeto (entre várias outras obviamente), para adquirir a bagagem estética e analítica que depois irá se manifestar nos trabalhos feitos. Precisa saber algumas ferramentas (Illustrator e Photoshop são básicos, In Design é ideal, saber pesquisar na web é essencial) para poder materializar as idéias e transformá-las em produção real, acadêmica ou profissional, para os que já estão no mercado. E precisa saber como é lidar com um chefe, com cliente, com colegas de trabalho com interesses diferentes e conflitantes, para ver na real o que é a selva.
Sem o embasamento teórico, o aluno de nível superior dá um passo na direção de um curso técnico, muito baseado nos braços que fazem e pouco no cérebro que pensa (nada contra os cursos técnicos, que têm sua função e lugar na história do nosso país), mas se você quer adquirir e gerar conhecimento, há que se ler e estudar a base filosófica, psicológica e comportamental das questões.
De nada adianta fazer figuras bonitas (o que é bonito e quem determina isso?) se o conceito que lhes amarra à realidade estiver furado ou nem existir.
Ao ler um texto teórico, que analisa um determinado contexto, sem necessariamente citar exemplos (o Discurso Sobre o Método, de Descartes, não fala de nenhum projeto gráfico específico e sim sobre o pensamento metodológico e organizado), estabelecemos uma linha de pensamento analógico (que é a relação de semelhança entre objetos diferentes e suas causas) e metafórica (argumentação em que a significação natural de uma palavra é substituída por outra, só aplicável por comparação subentendida) e assim expandimos nossa capacidade perceptiva. Estabelecemos conexões novas.
“O progresso das idéias nasce quase sempre
da descoberta de relações impensadas,
de ligações inauditas, de redes inimaginadas.”
Omar Calabrese
A Idade Neo-Barroca
O cérebro é como se fosse um músculo que precisa ser exercitado regularmente e ler teoria é o que faz esse órgão se fortalecer. Quando adquirimos um repertório teórico, podemos articular esses vários canais de entrada para analisar um determinado objeto: uma pessoa versada em semiótica e gestalt pode analisar diferentes instâncias da mesma imagem e seu papel enquanto geradora de estímulos numa comunidade. Um pessoa versada em história da arte pode determinar a que período político pertence uma pintura apenas pelo tema escolhido pelo autor.
Teoria é o chão por onde iremos nos mover e se não for bem sedimentado, com certeza iremos afundar.
Por outro lado, uma vez adquiridos os conhecimentos teóricos, que serão aplicados com senso crítico, precisamos materializar os conceitos nos quais nos baseamos em layouts, peças, imagens, textos, instalações, formas e funções.
É praticamente impossível fazer um bom trabalho sem o devido preparo técnico, porque ao invés de investir na conceituação do projeto gráfico, o aluno que não mexe nas ferramentas básicas de mercado fica patinando para fazer uma linha reta, colocar um texto numa forma circular, fazer um gradient mesh, ou posicionar objetos geometricamente alinhados. O tempo que se gasta descobrindo essas questões é o tempo que se tem para realizar o trabalho e aí tudo se complica.
O conhecimento técnico deve vir o mais cedo possível. Saber Illustrator deve ser que nem respirar: quanto mais cedo aprender melhor porque se demorar muito, não precisa mais.
E na prática, busque o estágio/emprego que te adicione algum conhecimento. O estágio é para complementar a sua educação, ou seja, o estágio é para o estagiário e não para a empresa. Uma vez alocado, você precisa aprender o tempo inteiro e isso vai acontecer das mais variadas formas: cortando papel, retocando imagem, arquivando dados, terminando o trabalho dos outros, etc. Até que se adquira o conhecimento necessário para criar desenvolver projetos próprios. Em todos eles, você deve se manter atento e se perguntar: o que eu estou aprendendo agora? Se a resposta for “nada” ou “não sei” pode procurar um outro lugar para gastar seu tempo.
E obviamente, no primeiro estágio, sem experiência nenhuma, o único capital a trocar é força de trabalho, então talvez (e só talvez) você vá trabalhar de graça, mas depois de aprender algo que possa ser útil e oferecido a alguém, então essa será sua moeda de troca na busca de novos conhecimentos. Ou seja, trabalhar de graça nem pensar. Desconfie de quem não respeita e nem reconhece sua mão-de-obra.
Seu patrão não te trata com decência? Não remunera seu serviço? Não investe tempo no seu treinamento? E ainda te joga piadinhas do tipo “escraviário”, “estagiário tem mais é que cortar papel”, “para você não tem folga nem feriado”? Agradeça o tempo em que trabalharam juntos e diga adeus.
Seu patrão te usa para funções fora da sua vaga (ligar para o veterinário, lavar os pratos da empresa, confirmar consulta no dentista dele)? Não agradeça o tempo em que trabalharam juntos e diga adeus.
Calouros II: Posturas
Estou escrevendo para calouros porque alguns alunos meus são do 1º período e sempre acho que faltam referências nessa época. Ensino superior é uma realidade distinta de tudo que passamos antes e precisamos nos adaptar rapidamente. O que mais me impressiona são histórias de alunos que não estão mais no primeiro período e ainda não receberam certos toques, nem das instituições onde estudam, nem de professores, nem da vida e nem de ninguém.
Em primeiro lugar a prova é quase um concurso público, não foi nenhum parente nosso que nos inscreveu, deu uniforme e assinou por nós (para os que fizeram vestibular aos 17 anos, talvez tenha sido a última vez em que alguém assinou um documento para você). Seu tempo será contado em semestres, normalmente você fará seu horário (e isso será decisivo na sua produtividade, na data de graduação, na qualidade dos seus trabalhos e na busca de estágio/emprego). Sua turma pode mudar a qualquer momento, basta uma reprovação, sua ou de qualquer um. E o mais importante: uma vez na faculdade, todas as decisões serão exclusivamente suas. Para o bem ou para o mal, é o seu nome que está assinando.
Ao entrar para uma faculdade ou universidade, o aluno se torna o único dono do seu nariz e todas as escolhas feitas irão recair sobre o histórico acadêmico, bem como as oportunidades aproveitadas, então, para quem quer se dar bem na faculdade e chegar competitivo ao mercado, é bom se alinhar e entender que se você não decidir fazer (ou deixar de fazer), ninguém tem nada a ver com isso. Não vai adiantar depois querer reclamar, tem que ser no ato, com senso crítico, lógico, mas é preciso se posicionar logo, para não perder o bonde da história e ter seus direitos/deveres lesados.
Seguem 4 dicas simples:
Busque a informação. Não espere ser informado, é sempre melhor ouvir do professsor a frase “calma que eu vou chegar lá” do que ter que dizer “eu não sabia”. Entenda como seus professores e a instituição funcionam e, para quem usa email, escreva por email, para quem fala cara a cara, fale cara a cara também (depois escreva por email para registrar ou tenha testemunhas), para quem não fala nada (pessoas que não respondem perguntas diretas existem aos montes), arrume um jeito de publicar isso, de passar para a hierarquia diretamente acima que sua situação está indefinida por conta de falta de posicionamento de A ou B.
Dizer que não sabia, que não foi avisado, que não acha justo é descabido numa faculdade. Se não foi avisado, o vacilo é seu, que esperou a informação de mão beijada. Se não sabia e alguém sabia, pior ainda, porque se perdeu da informação (pergunte ao professor se algum email novo foi enviado, se há algo na pasta, pergunte aos seus colegas se eles receberam algum email que você possa não ter recebido, se leram algo, se ouviram algo etc). Só não pode achar que depois vão ter “pena” de você, outra coisa que não existe em faculdade nenhuma.
Seja preciso, pontual e produtivo (e busque isso nos colegas e professores também). Não pergunte gaguejando ou de uma forma ininteligível. Fale alto e claro. Caso receba uma data de entrega de trabalho, não atrase para depois ficar pedindo ponto. Faça o seu, para não depender dos outros. E produza! Organize seu tempo, seus afazeres e faça os trabalhos, leia os textos, escreva, crie e entregue, mesmo que errado. Seu professor vai respeitar um aluno que errou ao tentar e vai desconsiderar quem sequer tentou.
Não tenha medo nem vergonha de perguntar. Não leve sua dúvida para casa, ao invés disso, levante a mão e diga que se perdeu, que não entendeu, até resolver o problema. Passe a dúvida para quem tem melhor pode te ajudar a dissolvê-la: seu professor. Não exite pergunta descabida em sala de aula, só existe pergunta não respondida (se você deixar).
A última dica desse post é para os alunos que entram em projetos extra-classe (iniciação científica, produção de eventos ou similares) e depois patinam na execução das tarefas, nos prazos e acabam se enrolando com o ensino regular: você é aluno e como tal precisa de orientação constante.
Não se iluda: quem te aloca numa tarefa tem a obrigação de te treinar, capacitar, educar e informar sobre o que espera de você, sobre como fazer e, caso saia algo errado, deve ter a generosidade de re-treinar, para evitar erros futuros. Não aceite responsabilidades demais. Existe a hora certa para entrar e para não entrar numa furada. Participar de um evento é furada? Quase sempre (fornecedores furam prazos, palestrantes faltam sem avisar, equipamentos dão defeito, etc) mas se você é calouro e quer aprender a ser articulado, essa é a melhor escola. Num evento você vai aprender a “resolver problemas”, literalmente. Ok, tudo muito bonito, mas para que você esteja habilitado para isso é preciso ser capacitado antes, ou seja, quem te alocou na função deve te dar o caminho das pedras e te acompanhar de perto, bem perto.
Se você é calouro, ou estudante de qualquer período, e tem uma tarefa a cumprir, esta tarefa é obter/gerar conhecimento e manter seu CR no nível mais alto (e isso depende unicamente de você), o resto é feito no tempo que sobrar e se não se enquadrar/ajudar nessa tarefa principal, então alguma coisa está muito errada.
Calouros I: Hábitos e Precedentes
Os primeiros períodos são determinantes para que se estabeleça um padrão de atuação que vai se perpetuar durante todo o curso. É quando se estabelece que hábitos serão mantidos e quais os precedentes serão aceitos.
Nestes primeiros períodos o aluno vai conhecer a instituição em que estuda, alguns professores e seus colegas. Conselho? Aproxime-se dos colegas que produzem e que tem idéias críticas (sem ser grosseiros, claro). Aproxime-se dos professores que são dedicados e severos (sem ser intransigentes, claro) e aproxime-se dos funcionários que são articulados mas organizados (sem ser burocráticos, obviamente).
Seus colegas de turma vão se dividir em vários grupos: os que estão ali porque ainda não sabem que vocação têm e qual carreira vão seguir, mas precisam fazer um curso de nível superior por se sentirem pressionados (pela família, por comparação com amigos, etc); alguns serão os que só querem um diploma de 3º grau mas vão trabalhar em outras áreas (dança, com os pais, com festas etc); os que estão ali porque estão decididos com o que querem (são os mais produtivos) e os nerds (que sabem o que querem mas as vezes perdem o foco).
Junte-se aos que querem realmente estar ali (nerds inclusos, claro!): são os que se importam com as provas, matéria dada, com as aulas e trabalhos. Geralmente não sentam no fundo (embora sempre se encontre uma ou outra exceção).
Dentre esses, mantenha especial atenção aos que têm opiniões fortes, que não ficam olhando o professor falar em silêncio e também pedem silêncio aos que estão atrapalhando. São os que levantam a mão para dizer que não entenderam (não são os menos capazes e sim os que mais rápido vão aprender), porque já receberam a informação, já cruzaram com suas referências internas, já descobriram que não combinam e já avisaram que não estão satisfeitos e que desejam uma nova explicação. Enquanto isso acontece, a maioria dos outros alunos sequer percebeu que não entendeu e só vai se dar conta disso no futuro, quando for utilizar na prática a informação dada em sala de aula.
Quanto aos professores, concentrem-se naqueles que realmente estão comprometidos em fazê-los aprender e não somente cuspindo fórmulas a cada segundo. Especial atenção no professor que ataca a questão por vários ângulos, que estabelece padrões para questioná-los em seguida. Especial atenção ao professor que tem compromisso com sua evolução, de forma severa, que exige que você aprenda mas te te ajuda nesse objetivo. Uma forma de testar? Simples: peça para que ele explique 3 vezes seguidas uma questão dada em sala de aula. Aquele professor que não demonstrar paciência com as dúvidas do aluno não está motivado a ajudar a turma e talvez não domine a matéria o bastante para atender a quem pergunta. Nada contra, essa época de professor como provedor de conhecimento já acabou (pelo menos já deveria ter acabado). O bom educador hoje é aquele que ensina mas fomenta o conhecimento na turma, que aciona o aluno a pesquisar (aluno de curso superior é pesquisador e deve gerar informação e não somente recebê-la).
Filosoficamente falando, cada explicação deve utilizar uma linguagem distinta da anterior (a linguagem utilizada na última explicação não funcionou, senão a dúvida nem existiria) e o professor deve ter articulação para re-explicar, paciência para com o tempo de cada aluno e humildade em reconhecer que suas cartas acabaram e que na semana seguinte trará a informação solicitada, caso a questão não se solucione. O bom professor vai se lembrar da sua pergunta (se a turma não for enorme, claro) e vai te atender. Cole nesse professor.
Finalmente, em cada instituição, há os bons e os maus funcionários. Os bons são os que conhecem o maquinário peça por peça e sabem bem como resolver cada problema apresentado (sua inscrição não foi validada, trancamento de disciplina, pagamento em aberto, nota não lançada, etc). Os maus ou não querem, ou sequer sabem como agir e estão ali porque algum concurso os deixou passar ou porque são amigos de alguém que decide. Identifique logo quem resolve questões e estabeleça vínculos com eles.
O pulo do gato está na documentação de cada processo. A agilidade é importante mas sempre que possível, faça as coisas de maneira oficial, documentada, por escrito, nem que seja email, porque palavra escrita é documento e documento é compromisso firmado.
Finalmente, falando de hábitos e precedentes, nos primeiros períodos temos energia e motivação para levar nosso CR no teto e depois temos que manter essa média no restante do curso, o mais alto que pudermos. Um dia você vai precisar de um histórico acadêmico que mostre que você foi bom aluno e aí você vai lembrar do CR.
Agora, se logo no primeiro período o aluno deixa suas notas baixarem, seu CR cair, se não se importa com uma reprovação (que vai deixá-lo fora do grupo no semestre seguinte) então abre-se um precedente ruim que vai se tornar um hábito negativo por todo o curso: “já fui reprovado uma vez, mais uma não vai fazer diferença” e aí é ladeira abaixo.
Quando for decidir com quem fazer um trabalho de grupo, pergunte: “cara, já cogitou a hipótese de ser reprovado?”
Dependendo da resposta você vai saber como ficará o trabalho em questão.



