Archive for the ‘Ensino’ Category:
Dicas para conseguir estágio nos primeiros períodos:
Conseguir um bom estágio para quem está no início de um curso é complicado, porque o aluno poed oferecer pouco em troca da experiência que vai obter, mas aí vão algumas dicas:
- se você não tem experiência para oferecer, então prepare-se para trabalhar de graça por um tempo em troca de obter experiência. Depois use essa experiência obtida para negociar uma outra vaga em um próximo estágio
- não trabalhe de graça por muito tempo, porque isso não é saudável para ninguém, então aprenda rápido!
- escolha em que área deseja trabalhar: redação, direção de arte, atendimento, mídia, produção, operação etc para procurar vagas mais focadas
- liste várias empresas da região onde você mora ou próximas, para que você possa buscar vaga talvez sem gastar muito dinheiro com deslocamento ou alimentação (se o custo for baixo ou zero, o sacrifício vale a pena)
- ligue, se apresente e diga que deseja trabalhar para aprender. Não desanime se demorar a encontrar espaço, porque isso é natural do mercado em constante mutação
- ao arrumar uma vaga, dedique-se ao máximo, para que seu contratante considere sua mão de obra útil e rentável: é o primeiro passo para receber algum auxílio
- seja pró ativo e produtivo - primeiro a chegar e último a sair - entenda o negócio da empresa de trás para frente - tire sua dúvidas sempre
- seja um bom colega de trabalho: não ria demais para não tumultuar o ambiente mas não deixe de sorrir para não estragar o ambiente
- planeje seus passos, trace uma meta e cumpra ponto por ponto, com calma
- estude muito para demonstrar que não está alheio ao conhecimento obtido na academia
- leia muito e pondere sobre tudo que lê, porque uma das mais importantes experiências é a de vida e essa pode vir tanto do CEO quanto do estagiário
UFRJ recebe prêmio de melhor universidade
de Arte & Design do Brasil

O prêmio de Melhor Universidade do Brasil na área de Arte & Design saiu para a UFRJ. O troféu do 5º Prêmio Melhores Universidades foi concedido pela Revista Guia do Estudante Banco Real/Grupo Santander 2009, em cerimônia realizada na última terça, dia 27, no Teatro do Memorial da América Latina, em São Paulo.
Foram premiadas oito áreas, cada uma com um troféu para melhor instituição pública e outro para melhor universidade privada. As áreas de Ciências Sociais e Humanas e Ciências Exatas e Informática da UFRJ ficaram entre as três finalistas. Neste ano, o curso de Desenho Industrial ganhou a cotação “Excelente” na avaliação anual do Guia do Estudante.
Para o professor Marcus Dohmann, coordenador do Laboratório do Núcleo Gráfico do Departamento de Comunicação Visual (LabGraf) da Escola de Belas Artes (EBA/UFRJ), o prêmio torna a universidade vitrine nacional no setor de Arte & Design e referência para outras instituições.
“O troféu não é importante apenas para uma área, mas para toda a UFRJ, que precisa investir mais em sua imagem, ainda pouco notória no cenário nacional”, destacou Dohmann, enfatizando ainda o empenho de todos os funcionários do setor para que o prêmio fosse conquistado.
Via UFRJ
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Design em 56 questões
Porque não existe um Quarteto de Design? Porque não existe um fomento nacional ao design? Porque as pessoas são mais atingidas pelo cinema do que pelo design? Os designers querem apenas ganhar dinheiro, os cineastas não? Os designers são escravos da indústria? Porque não existe um imposto compulsório para os designers? Porque os simpósios de design são tão detestáveis? O design é mais comercio do que cultura? Como podemos fazer um frio produto da indústria nos falar ao coração? O design tem uma função educativa? É um diletantismo do consumo querer possuir coisas belas? O design serve à auto-afirmação?
Coisas belas nos provêem com felicidade duradoura? Design precisa ser sempre bom? Um objeto pode ser uma expressão de nossa sociedade? Porque o design acredita não necessitar de uma teoria? Porque qualquer um pode se chamar de designer? A necessidade social do design é um romantismo social irrealista? O design pode ser político? O design tem que ser ético? O bom design é democrático? Pode se decidir democraticamente sobre o design? Precisamos de designers estrelas? Somente os projetos produzidos têm valor? Os melhores projetos acabam engavetados? O que faz um designer ter sucesso? A inteligência prejudica o sucesso do design?
Um bom designer pode ser superficial? Os designers não sabem ler? Porque os designers querem sempre reinventar as coisas? Porque os designers não admitem ser inspirados por outros projetos? O sampling só existe na música? As citações só existem na literatura? Porque os designers lidam tão mal com o passado e a tradição? Os designers se interessam por sua própria história? Há designers no Congresso Nacional? São os designers advogados do consumidor ao invés de agentes da indústria? A economia impulsiona o design ou o design impulsiona a economia? Porque os designers se tornaram tão apolíticos? Os designers ouvem o marketing?
Como conseguiram os publicitários se afirmar como criativos, quando eles servem mais ao comércio que os designers? Como os criadores de tendências se tornaram tão importantes? Devem os designers ser tão livres como os artistas? Porque os designers acreditam que devem argumentar com os termos do marketing? Porque o significado econômico do design deve ser mais importante do que o social? Porque a divulgação sobre design é tão ruim? Porque não há programas sobre design na televisão? Quem é a Maria Gabriela do design? Quando o design perdeu a sua relevância? Que idiota criou os termos Design Babys e Design Drugs?
Porque as instituições do design fazem tão pouco pela imagem do design? Porque acreditamos que o design tenha que ser limitado em relação às fronteiras das outras disciplinas? O design pode ser uma tendência cultural autônoma? Como, em um grupo tão pequeno, não se consegue concordar com alguns ideais? Pode o design transformar a sociedade? Quando se inicia o século do design?
Via Design Gráfico (via Freddy Van Camp)
Como lidar com clientes?
Está no Vimeo também o vídeo da Palestra ministrada em junho de 2009, durante o evento 24h de Comunicação, da Faculdade CCAA, sobre como manter uma relação saudável e construtiva com o cliente.
Assista clicando aqui ou nas imagens.
Eu penso em política
Só pra fechar minha lamentação sobre meu país, quando ouço alguém dizendo que não se preocupa com política, entendo que a decepção com o tema no Brasil seja tão grande que nos desmotive a entrar nesse buraco negro. A maioria das pessoas prefere nem lembrar que essa esfera existe, pra não alimentar expectativas e depois vê-las frustradas.
Entendo, mas discordo.
Pensar em política não quer dizer pensar em partidos políticos, que no nosso país são um câncer, e sim pensar nas questões que permeiam a coexistência entre pessoas, comunidades e culturas no espaço público (e na proteção do espaço privado).
Significa entender que decisões serão tomadas por gestores públicos e quais deverão ser tomadas por nós. E como essas duas instâncias irão interagir.
Não pensar em política é viver alienado, sozinho e ignorando a pessoa do seu lado, que habita o mesmo espaço que você e usufrui dos mesmos recursos (o equipamento urbano, meios de transporte, acesso a informação etc).
Alguém que não pensa em política não pode querer pensar em por qual motivo foi assaltado no sinal de trânsito, ao parar seu carro, porque quem o assaltou fez isso justamente por ser consequência de um sistema qualquer. E que sistema é esse?
Fiz questão de evitar a expressão “vítima do sistema” no parágrafo anterior porque nem todos são vítimas, alguns são oportunistas aproveitando brechas entre a lei e a justiça. Alguns camelôs não querem um emprego assalariado, com carteira assinada, VT + VR. Preferem ficar com suas barracas na calçada esperando que a Guarda Municipal siga para outro quarteirão para voltar a vender. Alguns ganham mais assim, na informalidade, do que muito segurança de banco por aí. Alguns meninos preferem trabalhar para o movimento no morro do que trabalhar como contínuos numa firma, porque o traficante lhes dá um status e uma remuneração “acima do mercado”.
Essas pessoas precisam de preparo, de alerta, de senso crítico, de ideologias e valores. Precisam também de investimento e fé (palavra que eu nem gosto de usar mas aqui cabe).
E veja que curioso: aquela pessoa que estudou a vida inteira, que teve acesso a informação, boa criação em casa, na escola, no trabalho, diploma, vivência, ou seja, aquela pessoa que dispõe o senso crítico essencial a tantos outros, que poderia compartilhar suas visões e oferecer alternativas, enfim, essa pessoa diz que “não pensa em política”.
Será que ela pensa em quanto custa um carro blindado?
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Vídeo da Palestra Interfaces do Homem Digital

Está no Vimeo também o vídeo da Palestra ministrada em outubro de 2008, durante a 3ª Mostra da Faculdade CCAA, sobre como o homem contemporâneo transformou sua existência e suas relações sociais a partir das novas tecnologias.
Assista clicando aqui.
Entrevista UTV
Coloquei no Vimeo o vídeo da entrevista que eu concedi para o programa Expresso.com da Veiga de Almeida, transmitido pelo UTV (NET canal 11).
Assista clicando aqui.
Calouros IV: Senso Estético
Além da teoria, da técnica e da prática, que se adquirem na academia, um fator será essencial para um bom desempenho na área de comunicação (design, moda, publicidade, multimídia, belas artes etc): senso estético.
Por senso estético entenda-se aqui a capacidade subjetiva de discernir sobre beleza aplicada a uma determinada situação. O belo, enquanto “perfeição agradável à vista, e que cativa o espírito” é intangível e relativo, cada pessoa tem seu referencial de beleza, mas é possível agrupar pessoas e estabelecer qual a linguagem visual que melhor se adapta a elas. E qual a que mais as desafia também, porque o papel do comunicador é expandir os limites da percepção, sua e dos demais.
O profissional que consegue desenvolver um projeto e avaliar sua funcionalidade, bem como sua excelência estética, ou seja, sua aplicabilidade numa demanda específica e sua capacidade de traduzir/transformar de forma agradável as referências visuais de uma comunidade, este será o profissional bem sucedido no mercado.
Quero deixar claro que não se trata de “agradar o cliente”, nem de dar ao observador o que ele “quer” mas de entender como e porque ele quer algo, a distância entre o que ele quer e o que ele necessita e comunicar idéias/conceitos, utilizando uma iconografia que seja adequada para a demanda e que seja também causadora de lapso, a captura da atenção do público.
Um bom profissional deve desenvolver a capacidade de avaliar se a informação proposta é adequada e se é esteticamente agradável ou se causa repulsa. Deve poder olhar um layout e pensar “isso não tem nada a ver com o que o público precisa” ou ainda “isto não está num nível profissional e requer mais refino, mais apuro”.
Dizem que bom senso não se ensina, que é um dom que vem com alguns desde o berço. Eu, que sou um cartesiano praticante, gosto de esquadrinhar cada conceito e tento enquadrá-los em normas técnicas, mensuráveis e controláveis e portanto não sou afeito a concepções cósmicas/espirituais. Obviamente eu respeito a predisposição genética de cada um. Então vou colocar minha visão sobre como se desenvolve o senso estético (que para ser desenvolvido precisa existir em cada pessoa, então talvez seja um dom natural mesmo).
Busque referências gráficas e visuais. O olhar precisa ser praticado e a mente precisa ser abastecida com informações para poder processá-las. Veja imagens de diversas estilos e plataformas, estude correntes diferentes de expressão. Permita-se expor a experiências estetica e sensorialmente instigantes, para que diferentes áreas do cérebro seja estimuladas. Leia os guias de referência e busque a origem dos cânones. Com um repetório vasto, fica mais fácil testar e propor linhas alternativas de comunicação.
Aumente sua bagagem cultural. Viaje sempre que possível, para sair dos lugares conhecidos e se deparar com costumes, comportamentos, temperos e temperaturas novas. Ler é básico, além das teorias e pesquisas, a leitura de ficção é igualmente útil, porque durante a leitura nossa imaginação constrói as imagens e esse exercício é essencial para uma mente que pretende ser criativa. Converse sobre assuntos que você (ainda) não domina. É incrível o que se pode aprender com qualquer pessoa eu aprendo muito com meus alunos. Ver filmes (no cinema, na tela grande, de preferência) é básico pela experiência de desligamento do mundo real e imersão num mundo proposto. Teatro, música, dança são igualmente construtivos. Eu só trabalho com música. Ver sites hoje em dia nem é necessário, é quase como respirar. Antigamente, no século passado, era preciso gastar um bom dinheiro para ter um anuário de design ou um portfolio impresso de algum escritório. Hoje basta entrar no site e ver todo o trabalho de designers, ilustradores, arquitetos, pintores, estilistas, escultores, etc. Ter uma biblioteca de referências para consulta e comparação é imperativo.
Por último, tenha senso crítico sobre o que você aprende. Tudo pode (e deve) ser questionado. Com sabedoria obviamente, mas todo o conhecimento deve ser testado e sua função verificada. Buda dizia: “meu ensinamentoé como um dedo apontando para a Lua. Favor não confundir o dedo com a Lua”. Quer dizer que não se deve seguir nenhuma direção só porque já seguiram e sim porque você testou e verificou que realmente te serve. Compare linhas de pensamento, compare autores, veja cada questão por diferentes ângulos. Ler sobre política somente na Veja é pedir para ficar bitolado. Agora, se você lê também a Carta Capital, a Caros Amigos, Le Monde Diplomatique e a Piauí, aí já dá para ter uma noção mais completa de cada caso.
Quando nosso cérebro está alimentado de informações visuais inventivas, nossa memória abastecida de experiências de vida interessantes e nosso raciocínio treinado para discernir valores, aí sim podemos contar que nosso senso estético está num nível bom e que o talento de cada um vai encontrar terreno fértil para se desenvolver.
Fica fácil perceber, por exemplo, que a cobertura política da Veja é muito, mas muito feia . . .
Calouros III: Teoria + Técnica + Prática
Uma vez em sala de aula, entenda que seu desempenho depende de três pilares: o conhecimento das pesquisas que já foram desenvolvidas sobre os assuntos estudados (teoria), as ferramentas de produção cabíveis para cada área (técnica) e o exercício articulado desses dois elementos (prática).
Um aluno de design, publicidade, multimídia, moda, etc. precisa saber, por exemplo, história da arte, percepção visual e metodologia de projeto (entre várias outras obviamente), para adquirir a bagagem estética e analítica que depois irá se manifestar nos trabalhos feitos. Precisa saber algumas ferramentas (Illustrator e Photoshop são básicos, In Design é ideal, saber pesquisar na web é essencial) para poder materializar as idéias e transformá-las em produção real, acadêmica ou profissional, para os que já estão no mercado. E precisa saber como é lidar com um chefe, com cliente, com colegas de trabalho com interesses diferentes e conflitantes, para ver na real o que é a selva.
Sem o embasamento teórico, o aluno de nível superior dá um passo na direção de um curso técnico, muito baseado nos braços que fazem e pouco no cérebro que pensa (nada contra os cursos técnicos, que têm sua função e lugar na história do nosso país), mas se você quer adquirir e gerar conhecimento, há que se ler e estudar a base filosófica, psicológica e comportamental das questões.
De nada adianta fazer figuras bonitas (o que é bonito e quem determina isso?) se o conceito que lhes amarra à realidade estiver furado ou nem existir.
Ao ler um texto teórico, que analisa um determinado contexto, sem necessariamente citar exemplos (o Discurso Sobre o Método, de Descartes, não fala de nenhum projeto gráfico específico e sim sobre o pensamento metodológico e organizado), estabelecemos uma linha de pensamento analógico (que é a relação de semelhança entre objetos diferentes e suas causas) e metafórica (argumentação em que a significação natural de uma palavra é substituída por outra, só aplicável por comparação subentendida) e assim expandimos nossa capacidade perceptiva. Estabelecemos conexões novas.
“O progresso das idéias nasce quase sempre
da descoberta de relações impensadas,
de ligações inauditas, de redes inimaginadas.”
Omar Calabrese
A Idade Neo-Barroca
O cérebro é como se fosse um músculo que precisa ser exercitado regularmente e ler teoria é o que faz esse órgão se fortalecer. Quando adquirimos um repertório teórico, podemos articular esses vários canais de entrada para analisar um determinado objeto: uma pessoa versada em semiótica e gestalt pode analisar diferentes instâncias da mesma imagem e seu papel enquanto geradora de estímulos numa comunidade. Um pessoa versada em história da arte pode determinar a que período político pertence uma pintura apenas pelo tema escolhido pelo autor.
Teoria é o chão por onde iremos nos mover e se não for bem sedimentado, com certeza iremos afundar.
Por outro lado, uma vez adquiridos os conhecimentos teóricos, que serão aplicados com senso crítico, precisamos materializar os conceitos nos quais nos baseamos em layouts, peças, imagens, textos, instalações, formas e funções.
É praticamente impossível fazer um bom trabalho sem o devido preparo técnico, porque ao invés de investir na conceituação do projeto gráfico, o aluno que não mexe nas ferramentas básicas de mercado fica patinando para fazer uma linha reta, colocar um texto numa forma circular, fazer um gradient mesh, ou posicionar objetos geometricamente alinhados. O tempo que se gasta descobrindo essas questões é o tempo que se tem para realizar o trabalho e aí tudo se complica.
O conhecimento técnico deve vir o mais cedo possível. Saber Illustrator deve ser que nem respirar: quanto mais cedo aprender melhor porque se demorar muito, não precisa mais.
E na prática, busque o estágio/emprego que te adicione algum conhecimento. O estágio é para complementar a sua educação, ou seja, o estágio é para o estagiário e não para a empresa. Uma vez alocado, você precisa aprender o tempo inteiro e isso vai acontecer das mais variadas formas: cortando papel, retocando imagem, arquivando dados, terminando o trabalho dos outros, etc. Até que se adquira o conhecimento necessário para criar desenvolver projetos próprios. Em todos eles, você deve se manter atento e se perguntar: o que eu estou aprendendo agora? Se a resposta for “nada” ou “não sei” pode procurar um outro lugar para gastar seu tempo.
E obviamente, no primeiro estágio, sem experiência nenhuma, o único capital a trocar é força de trabalho, então talvez (e só talvez) você vá trabalhar de graça, mas depois de aprender algo que possa ser útil e oferecido a alguém, então essa será sua moeda de troca na busca de novos conhecimentos. Ou seja, trabalhar de graça nem pensar. Desconfie de quem não respeita e nem reconhece sua mão-de-obra.
Seu patrão não te trata com decência? Não remunera seu serviço? Não investe tempo no seu treinamento? E ainda te joga piadinhas do tipo “escraviário”, “estagiário tem mais é que cortar papel”, “para você não tem folga nem feriado”? Agradeça o tempo em que trabalharam juntos e diga adeus.
Seu patrão te usa para funções fora da sua vaga (ligar para o veterinário, lavar os pratos da empresa, confirmar consulta no dentista dele)? Não agradeça o tempo em que trabalharam juntos e diga adeus.
Calouros II: Posturas
Estou escrevendo para calouros porque alguns alunos meus são do 1º período e sempre acho que faltam referências nessa época. Ensino superior é uma realidade distinta de tudo que passamos antes e precisamos nos adaptar rapidamente. O que mais me impressiona são histórias de alunos que não estão mais no primeiro período e ainda não receberam certos toques, nem das instituições onde estudam, nem de professores, nem da vida e nem de ninguém.
Em primeiro lugar a prova é quase um concurso público, não foi nenhum parente nosso que nos inscreveu, deu uniforme e assinou por nós (para os que fizeram vestibular aos 17 anos, talvez tenha sido a última vez em que alguém assinou um documento para você). Seu tempo será contado em semestres, normalmente você fará seu horário (e isso será decisivo na sua produtividade, na data de graduação, na qualidade dos seus trabalhos e na busca de estágio/emprego). Sua turma pode mudar a qualquer momento, basta uma reprovação, sua ou de qualquer um. E o mais importante: uma vez na faculdade, todas as decisões serão exclusivamente suas. Para o bem ou para o mal, é o seu nome que está assinando.
Ao entrar para uma faculdade ou universidade, o aluno se torna o único dono do seu nariz e todas as escolhas feitas irão recair sobre o histórico acadêmico, bem como as oportunidades aproveitadas, então, para quem quer se dar bem na faculdade e chegar competitivo ao mercado, é bom se alinhar e entender que se você não decidir fazer (ou deixar de fazer), ninguém tem nada a ver com isso. Não vai adiantar depois querer reclamar, tem que ser no ato, com senso crítico, lógico, mas é preciso se posicionar logo, para não perder o bonde da história e ter seus direitos/deveres lesados.
Seguem 4 dicas simples:
Busque a informação. Não espere ser informado, é sempre melhor ouvir do professsor a frase “calma que eu vou chegar lá” do que ter que dizer “eu não sabia”. Entenda como seus professores e a instituição funcionam e, para quem usa email, escreva por email, para quem fala cara a cara, fale cara a cara também (depois escreva por email para registrar ou tenha testemunhas), para quem não fala nada (pessoas que não respondem perguntas diretas existem aos montes), arrume um jeito de publicar isso, de passar para a hierarquia diretamente acima que sua situação está indefinida por conta de falta de posicionamento de A ou B.
Dizer que não sabia, que não foi avisado, que não acha justo é descabido numa faculdade. Se não foi avisado, o vacilo é seu, que esperou a informação de mão beijada. Se não sabia e alguém sabia, pior ainda, porque se perdeu da informação (pergunte ao professor se algum email novo foi enviado, se há algo na pasta, pergunte aos seus colegas se eles receberam algum email que você possa não ter recebido, se leram algo, se ouviram algo etc). Só não pode achar que depois vão ter “pena” de você, outra coisa que não existe em faculdade nenhuma.
Seja preciso, pontual e produtivo (e busque isso nos colegas e professores também). Não pergunte gaguejando ou de uma forma ininteligível. Fale alto e claro. Caso receba uma data de entrega de trabalho, não atrase para depois ficar pedindo ponto. Faça o seu, para não depender dos outros. E produza! Organize seu tempo, seus afazeres e faça os trabalhos, leia os textos, escreva, crie e entregue, mesmo que errado. Seu professor vai respeitar um aluno que errou ao tentar e vai desconsiderar quem sequer tentou.
Não tenha medo nem vergonha de perguntar. Não leve sua dúvida para casa, ao invés disso, levante a mão e diga que se perdeu, que não entendeu, até resolver o problema. Passe a dúvida para quem tem melhor pode te ajudar a dissolvê-la: seu professor. Não exite pergunta descabida em sala de aula, só existe pergunta não respondida (se você deixar).
A última dica desse post é para os alunos que entram em projetos extra-classe (iniciação científica, produção de eventos ou similares) e depois patinam na execução das tarefas, nos prazos e acabam se enrolando com o ensino regular: você é aluno e como tal precisa de orientação constante.
Não se iluda: quem te aloca numa tarefa tem a obrigação de te treinar, capacitar, educar e informar sobre o que espera de você, sobre como fazer e, caso saia algo errado, deve ter a generosidade de re-treinar, para evitar erros futuros. Não aceite responsabilidades demais. Existe a hora certa para entrar e para não entrar numa furada. Participar de um evento é furada? Quase sempre (fornecedores furam prazos, palestrantes faltam sem avisar, equipamentos dão defeito, etc) mas se você é calouro e quer aprender a ser articulado, essa é a melhor escola. Num evento você vai aprender a “resolver problemas”, literalmente. Ok, tudo muito bonito, mas para que você esteja habilitado para isso é preciso ser capacitado antes, ou seja, quem te alocou na função deve te dar o caminho das pedras e te acompanhar de perto, bem perto.
Se você é calouro, ou estudante de qualquer período, e tem uma tarefa a cumprir, esta tarefa é obter/gerar conhecimento e manter seu CR no nível mais alto (e isso depende unicamente de você), o resto é feito no tempo que sobrar e se não se enquadrar/ajudar nessa tarefa principal, então alguma coisa está muito errada.
Massimo Vignelli e seu Cânone

Um dos maiores designers da história, Massimo Vignelli lançou em pdf The Vigneli Canon, um livro que fala de design gráfico, processos, metodologia, conceitos tangíveis e intangíveis num bom projeto gráfico.
Um primor, recheado de opiniões ácidas, como quando ele (um modernista praticante) afirma que o design pós-moderno representa a confusão e o caos e que um bom designer só precisa de um punhado de fontes (e lista 6: Garamond, Bodoni, Century Expanded, Futura, Times Roman e obviamente a Helvetica).
O livro é ilustrado e me parece ser um manifesto em favor da ordem, da hierarquia e da estabilidade. Alguns criticam a utilização de grids e a unidade tipográfica de Vignelli, mas seu portfolio, que conta com clientes como American Airlines, Benneton, metrô de NY, entre outros, o precede.


O link para o arquivo: http://www.vignelli.com/canon.pdf
Calouros I: Hábitos e Precedentes
Os primeiros períodos são determinantes para que se estabeleça um padrão de atuação que vai se perpetuar durante todo o curso. É quando se estabelece que hábitos serão mantidos e quais os precedentes serão aceitos.
Nestes primeiros períodos o aluno vai conhecer a instituição em que estuda, alguns professores e seus colegas. Conselho? Aproxime-se dos colegas que produzem e que tem idéias críticas (sem ser grosseiros, claro). Aproxime-se dos professores que são dedicados e severos (sem ser intransigentes, claro) e aproxime-se dos funcionários que são articulados mas organizados (sem ser burocráticos, obviamente).
Seus colegas de turma vão se dividir em vários grupos: os que estão ali porque ainda não sabem que vocação têm e qual carreira vão seguir, mas precisam fazer um curso de nível superior por se sentirem pressionados (pela família, por comparação com amigos, etc); alguns serão os que só querem um diploma de 3º grau mas vão trabalhar em outras áreas (dança, com os pais, com festas etc); os que estão ali porque estão decididos com o que querem (são os mais produtivos) e os nerds (que sabem o que querem mas as vezes perdem o foco).
Junte-se aos que querem realmente estar ali (nerds inclusos, claro!): são os que se importam com as provas, matéria dada, com as aulas e trabalhos. Geralmente não sentam no fundo (embora sempre se encontre uma ou outra exceção).
Dentre esses, mantenha especial atenção aos que têm opiniões fortes, que não ficam olhando o professor falar em silêncio e também pedem silêncio aos que estão atrapalhando. São os que levantam a mão para dizer que não entenderam (não são os menos capazes e sim os que mais rápido vão aprender), porque já receberam a informação, já cruzaram com suas referências internas, já descobriram que não combinam e já avisaram que não estão satisfeitos e que desejam uma nova explicação. Enquanto isso acontece, a maioria dos outros alunos sequer percebeu que não entendeu e só vai se dar conta disso no futuro, quando for utilizar na prática a informação dada em sala de aula.
Quanto aos professores, concentrem-se naqueles que realmente estão comprometidos em fazê-los aprender e não somente cuspindo fórmulas a cada segundo. Especial atenção no professor que ataca a questão por vários ângulos, que estabelece padrões para questioná-los em seguida. Especial atenção ao professor que tem compromisso com sua evolução, de forma severa, que exige que você aprenda mas te te ajuda nesse objetivo. Uma forma de testar? Simples: peça para que ele explique 3 vezes seguidas uma questão dada em sala de aula. Aquele professor que não demonstrar paciência com as dúvidas do aluno não está motivado a ajudar a turma e talvez não domine a matéria o bastante para atender a quem pergunta. Nada contra, essa época de professor como provedor de conhecimento já acabou (pelo menos já deveria ter acabado). O bom educador hoje é aquele que ensina mas fomenta o conhecimento na turma, que aciona o aluno a pesquisar (aluno de curso superior é pesquisador e deve gerar informação e não somente recebê-la).
Filosoficamente falando, cada explicação deve utilizar uma linguagem distinta da anterior (a linguagem utilizada na última explicação não funcionou, senão a dúvida nem existiria) e o professor deve ter articulação para re-explicar, paciência para com o tempo de cada aluno e humildade em reconhecer que suas cartas acabaram e que na semana seguinte trará a informação solicitada, caso a questão não se solucione. O bom professor vai se lembrar da sua pergunta (se a turma não for enorme, claro) e vai te atender. Cole nesse professor.
Finalmente, em cada instituição, há os bons e os maus funcionários. Os bons são os que conhecem o maquinário peça por peça e sabem bem como resolver cada problema apresentado (sua inscrição não foi validada, trancamento de disciplina, pagamento em aberto, nota não lançada, etc). Os maus ou não querem, ou sequer sabem como agir e estão ali porque algum concurso os deixou passar ou porque são amigos de alguém que decide. Identifique logo quem resolve questões e estabeleça vínculos com eles.
O pulo do gato está na documentação de cada processo. A agilidade é importante mas sempre que possível, faça as coisas de maneira oficial, documentada, por escrito, nem que seja email, porque palavra escrita é documento e documento é compromisso firmado.
Finalmente, falando de hábitos e precedentes, nos primeiros períodos temos energia e motivação para levar nosso CR no teto e depois temos que manter essa média no restante do curso, o mais alto que pudermos. Um dia você vai precisar de um histórico acadêmico que mostre que você foi bom aluno e aí você vai lembrar do CR.
Agora, se logo no primeiro período o aluno deixa suas notas baixarem, seu CR cair, se não se importa com uma reprovação (que vai deixá-lo fora do grupo no semestre seguinte) então abre-se um precedente ruim que vai se tornar um hábito negativo por todo o curso: “já fui reprovado uma vez, mais uma não vai fazer diferença” e aí é ladeira abaixo.
Quando for decidir com quem fazer um trabalho de grupo, pergunte: “cara, já cogitou a hipótese de ser reprovado?”
Dependendo da resposta você vai saber como ficará o trabalho em questão.



