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Rio 2016, é sério?

7 Comments | This entry was posted on out 02 2009

Sob risco de parecer pragmático demais, devo afirmar: acho muito estranha a possibilidade de um evento desses no Rio de Janeiro. Diria absurdo até, se nosso país não fosse tão marcado por absurdos que se tornam senso comum e causam letargia no povo.

Minha visão é simples: deveria ser absurdo trazer uma olimpíada para uma cidade governada por bandidos, onde mendigos (adultos e crianças) se amontoam e só podem contar com a força da polícia e a boa vontade de algumas almas caridosas, onde diariamente vemos vendedores de bala nos ônibus, trocando 3 amendoins por R$ 1,00 para não ter que roubar, onde bandidos (adultos e crianças) entram pela porta de trás dos ônibus sem pagar, quando esses passam por suas comunidades, onde (adultos e crianças) cheiram cola e fumam crack, onde não se pode conversar no portão até tarde, onde um turista não pode andar com uma câmera fotográfica no pescoço, onde não se pode abrir a carteira em público pra pagar um café, onde ser parado pela polícia à noite significa prejuízo quase certo, onde ser abordado no sinal vermelho significa prejuízo quase certo também, onde vemos pessoas (adultos e crianças) fazendo literalmente malabarismos para ganhar seu dia, onde algumas pessoas moram em casas de papelão, com telhado de plástico, fincados no barro, que escorre morro abaixo quando chove, onde balas perdidas matam crianças de colo, onde fuzis que deveriam ser exclusivos das forças armadas (daqui e de outros países) são encontrados nas favelas na mão de bandidos (adultos e crianças), onde traficantes comandam suas ações mesmo estando presos (ou seja, quem está preso é o cidadão honesto), onde políticos de sorriso largo e moral estreita governam não pelo e para o povo e sim para as próximas eleições, como se estivessem jogando war, onde um jogo chamado War In Rio faz sentido, enfim, a lista pode crescer indefinidamente, basta parar para ler as notícias mais recentes e ver quais outros problemas minha humilde ignorância sequer arranhou. Será que essas questões foram colocadas no relatório entregue ao COI? Não seria razoável pensar que temos questões um tanto quanto urgentes e básicas pra resolver, como guerrilha urbana, antes de sediar um evento desse porte?

Eu não ando de carro blindado como quem me governa, não tenho seguranças e gerentes pra garantir minha paz. Eu mesmo tenho que ficar ligado no meu caminho, pra saber se ninguém vai interrompe-lo. E eu conheço razoavelmente minha cidade, mas tenho pena dos gringos que vem pra cá achando que o Rio é um paraíso (e será durante os jogos, caso seja escolhida como cidade sede, porque acontecerá todo um trabalho de maquiagem, de photoshop socio-político).

Agora, o que me dá mais pena é dos cariocas (eu inclusive), que são levados a esse clima de oba-oba, de pão e circo, mas que depois voltarão, com ou sem jogos, para a dura realidade de uma cidade governada por bandidos.

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Design em 56 questões

0 Comments | This entry was posted on set 21 2009

Porque não existe um Quarteto de Design? Porque não existe um fomento nacional ao design? Porque as pessoas são mais atingidas pelo cinema do que pelo design? Os designers querem apenas ganhar dinheiro, os cineastas não? Os designers são escravos da indústria? Porque não existe um imposto compulsório para os designers? Porque os simpósios de design são tão detestáveis? O design é mais comercio do que cultura? Como podemos fazer um frio produto da indústria nos falar ao coração? O design tem uma função educativa? É um diletantismo do consumo querer possuir coisas belas? O design serve à auto-afirmação?

Coisas belas nos provêem com felicidade duradoura? Design precisa ser sempre bom? Um objeto pode ser uma expressão de nossa sociedade? Porque o design acredita não necessitar de uma teoria? Porque qualquer um pode se chamar de designer? A necessidade social do design é um romantismo social irrealista? O design pode ser político? O design tem que ser ético? O bom design é democrático? Pode se decidir democraticamente sobre o design? Precisamos de designers estrelas? Somente os projetos produzidos têm valor? Os melhores projetos acabam engavetados? O que faz um designer ter sucesso? A inteligência prejudica o sucesso do design?

Um bom designer pode ser superficial? Os designers não sabem ler? Porque os designers querem sempre reinventar as coisas? Porque os designers não admitem ser inspirados por outros projetos? O sampling só existe na música? As citações só existem na literatura? Porque os designers lidam tão mal com o passado e a tradição? Os designers se interessam por sua própria história? Há designers no Congresso Nacional? São os designers advogados do consumidor ao invés de agentes da indústria? A economia impulsiona o design ou o design impulsiona a economia? Porque os designers se tornaram tão apolíticos? Os designers ouvem o marketing?

Como conseguiram os publicitários se afirmar como criativos, quando eles servem mais ao comércio que os designers? Como os criadores de tendências se tornaram tão importantes? Devem os designers ser tão livres como os artistas? Porque os designers acreditam que devem argumentar com os termos do marketing? Porque o significado econômico do design deve ser mais importante do que o social? Porque a divulgação sobre design é tão ruim? Porque não há programas sobre design na televisão? Quem é a Maria Gabriela do design? Quando o design perdeu a sua relevância? Que idiota criou os termos Design Babys e Design Drugs?

Porque as instituições do design fazem tão pouco pela imagem do design? Porque acreditamos que o design tenha que ser limitado em relação às fronteiras das outras disciplinas? O design pode ser uma tendência cultural autônoma? Como, em um grupo tão pequeno, não se consegue concordar com alguns ideais? Pode o design transformar a sociedade? Quando se inicia o século do design?

Via Design Gráfico (via Freddy Van Camp)

Como lidar com clientes?

0 Comments | This entry was posted on ago 25 2009

Está no Vimeo também o vídeo da Palestra ministrada em junho de 2009, durante o evento 24h de Comunicação, da Faculdade CCAA, sobre como manter uma relação saudável e construtiva com o cliente.

Assista clicando aqui ou nas imagens.

Eu penso em política

0 Comments | This entry was posted on ago 14 2009

Só pra fechar minha lamentação sobre meu país, quando ouço alguém dizendo que não se preocupa com política, entendo que a decepção com o tema no Brasil seja tão grande que nos desmotive a entrar nesse buraco negro. A maioria das pessoas prefere nem lembrar que essa esfera existe, pra não alimentar expectativas e depois vê-las frustradas.

Entendo, mas discordo.

Pensar em política não quer dizer pensar em partidos políticos, que no nosso país são um câncer, e sim pensar nas questões que permeiam a coexistência entre pessoas, comunidades e culturas no espaço público (e na proteção do espaço privado).

Significa entender que decisões serão tomadas por gestores públicos e quais deverão ser tomadas por nós. E como essas duas instâncias irão interagir.

Não pensar em política é viver alienado, sozinho e ignorando a pessoa do seu lado, que habita o mesmo espaço que você e usufrui dos mesmos recursos (o equipamento urbano, meios de transporte, acesso a informação etc).

Alguém que não pensa em política não pode querer pensar em por qual motivo foi assaltado no sinal de trânsito, ao parar seu carro, porque quem o assaltou fez isso justamente por ser consequência de um sistema qualquer. E que sistema é esse?

Fiz questão de evitar a expressão “vítima do sistema” no parágrafo anterior porque nem todos são vítimas, alguns são oportunistas aproveitando brechas entre a lei e a justiça. Alguns camelôs não querem um emprego assalariado, com carteira assinada, VT + VR. Preferem ficar com suas barracas na calçada esperando que a Guarda Municipal siga para outro quarteirão para voltar a vender. Alguns ganham mais assim, na informalidade, do que muito segurança de banco por aí. Alguns meninos preferem trabalhar para o movimento no morro do que trabalhar como contínuos numa firma, porque o traficante lhes dá um status e uma remuneração “acima do mercado”.

Essas pessoas precisam de preparo, de alerta, de senso crítico, de ideologias e valores. Precisam também de investimento e fé (palavra que eu nem gosto de usar mas aqui cabe).

E veja que curioso: aquela pessoa que estudou a vida inteira, que teve acesso a informação, boa criação em casa, na escola, no trabalho, diploma, vivência, ou seja, aquela pessoa que dispõe o senso crítico essencial a tantos outros, que poderia compartilhar suas visões e oferecer alternativas, enfim, essa pessoa diz que “não pensa em política”.

Será que ela pensa em quanto custa um carro blindado?

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Pré-requisitos para altas posições

0 Comments | This entry was posted on ago 14 2009

Alguém já teve um chefe incompetente e totalmente despreparado para o cargo? (ok, ok, eu também já tive).

Agora, verdade seja dita, a pessoa que vai liderar um processo deveria ser versada no assunto a tratar e ter conhecimento do que sua equipe é capaz de produzir e mais, deve saber o que sua equipe precisa produzir, porque vai atender a alguma demanda específica.

Pela lógica, não seria um qualquer a assumir uma posição importante, que fosse diretamente responsável pelo destino de outrem. Isso pela lógica. Porque em um pardieiro chamado Brasil a elegibilidade para cargos públicos tem se mostrado bastante flexível. Gostaria de saber quais os critérios para se lançar uma candidatura. Tentei achar no site do TSE mas não consegui (se alguém souber, por favor me avise).

O que nos acontece é que qualquer cidadão, em pleno gozo de seus direitos políticos, se lança candidato para nos brindar com pérolas durante a campanha eleitoral, onde demonstram total despreparo para gestão (e depois se elegem e aí praticam esse despreparo todo).

Imaginem a visão de tantos mestres e doutores, que suaram para obter seus diplomas, ao ver essa manada de acéfalos discursando por poucos segundos no horário eleitoral e pensar: “o salário dele será 6 ou 7 vezes maior que o meu”. Deve ser bizarro . . .

A administração pública deveria ser responsabilidade de quem pode e não de quem quer. Deveria haver um processo de triagem que nos livrasse de certos constrangimentos. E antes que alguém diga “mas o povo é culpado porque vota nessa gente”, bom, que povo? Os milhões e milhões de outros despreparados para o processo de escolha? Os milhões que todos os dias são assediados por essa gente politiqueira, nas suas comunidades, oferecendo cestas básicas (e bolsa esmola) em troca de votos? Não sei, mas acho que esses também precisam de treinamento (educação? um dos problemas que os legisladores deveriam resolver?). Senso crítico precisa ser estimulado . . .

Fico pensando: não seria lógico exigir de alguém que se presta a gerir processos, sejam quais forem, uma formação adequada em administração, economia, etc ou que os candidatos ao legislativo apresentem pelo menos diploma de direito? Não seria lógico pensar que para ser gestor de vidas, o sujeito deveria ser pelo menos o 3º grau?
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O poder da política

0 Comments | This entry was posted on ago 13 2009

Não gosto de política partidária feita no Brasil. Simples assim. Acho que este sistema está falido e já deveria ter sido substituído por outro que valha o atual esforço do voto. Nossas crenças são diariamente desperdiçadas por um classe que, salvo raras e quase insignificantes exceções, utilizam a “máquina estatal” para realizar tráfico de influência, desvio de verbas, marketing pessoal e outras tantas práticas espúrias.

Os partidos políticos são como clubes de doutores em retórica vazia, sofistas de várzea e apedeutas que mais parecem saídos de programas humorísticos de quinta categoria. Nenhuma das categorias merece os pomposos salários que recebem.

Não há no Brasil um alinhamento ideológico sério, por conseguinte também não há uma filiação que se possa chamar de respeitável, o que leva a esse circo de troca de partidos da noite para o dia, de acordo com os interesses de projeção para a eleição seguinte. Ou seja, mudam de partido não porque se identificaram com uma nova proposta, uma ideologia e sim porque naquele momento (e só naquele momento) parecia mais promissor, dentro da meta de obter mais e mais poder, nem que seja micro poder.

Hoje ligamos a TV e vemos o suplente do suplente resolvendo questões que deveriam ser tratadas por gente que merece o lugar que ocupa, por ter sido corretamente escolhido, pelo voto da população. Qual compromisso com o bem estar coletivo essa gente terá ao tomar decisões importantes? E como ficam as pessoas que sequer puderam votar ou deixar de votar neles e agora também não têm acesso ao sistema que os mantém no cargo, tendo que assistir barbaridades sem fazer nada?

O Brasil é a maior democracia do mundo, mas muitas vezes os vários desdobramentos desse mesmo sistema democrático são utilizados de maneira prejudicial à população, criando essas aberrações, como analfabetos comandados como títeres por marketeiros apostadores, suplentes que congelam ações, poetas milionários e cínicos trocando de poder com outros cínicos piores que eles, líderes depostos pela porta dos fundos do executivo e recebidos pela porta da frente do legislativo, baixo e alto clero (como se o país pudesse se dividir em baixa e alta importância), enfim, é por essas e outras que não gosto desse sistema.

Ao que me consta, os problemas básicos de saúde, segurança, habitação e educação (que falta a muitos parlamentares) continuam os mesmos.

Não seriam muitos políticos “contratados” para no final não resolver o que se deve? Não são altos demais os salários? Não são grandes demais os benefícios? Não seria lei demais para pouca justiça?

Vídeo da Palestra Interfaces do Homem Digital

0 Comments | This entry was posted on ago 13 2009

Está no Vimeo também o vídeo da Palestra ministrada em outubro de 2008, durante a 3ª Mostra da Faculdade CCAA, sobre como o homem contemporâneo transformou sua existência e suas relações sociais a partir das novas tecnologias.

Assista clicando aqui.

Entrevista UTV

0 Comments | This entry was posted on ago 13 2009

Coloquei no Vimeo o vídeo da entrevista que eu concedi para o programa Expresso.com da Veiga de Almeida, transmitido pelo UTV (NET canal 11).

Assista clicando aqui.

Cadáveres Perfumados

1 Comment | This entry was posted on mai 17 2009

A importância de se lidar com o trabalho de Oliviero Toscani e suas campanhas na Benetton é a chance de pesquisar um outro modelo de publicidade e comunicação de massa, que na verdade não passa de uma reedição do modelo original desta forma de comunicação: a publicdade serve para publicar informações, levá-las ao conhecimento do público e permitir que cada vez mais pessoas tenham acesso a bens, serviços e produtos de consumo, seja por necessidade, seja por vontade garantida pelo regime democrático.

Anúncios, como a palavra indica, anunciam que determinada oportunidade está acessível: seja um novo remédio ou um novo tipo de roupa, ou um evento. Anúncios devem tornar uma informação pública para o observador.

As pessoas têm o direito de consumir, mas o que elas consomem? E em que ordem, sob qual regime? A comunicação de massa lhes mostra quais produtos estão disponíveis para compra ou mostra que não participar da compra significa “exclusão”?

Que discurso é esse segundo o qual a compra de um determinado produto nos transforma em espécies de pessoas que não somos originalmente? E onde isso vai nos levar? Obviamente, se alguém compra um perfume, se tornará alguém mais perfumado, mais arrurmado e bem cuidado, talvez mais zeloso de um certo ponto de vista, mas induzir a pensar (subjetivamente) que aquele perfume nos torna parecidos ou tão bem sucedidos quanto o galã que protagoniza o anúncio não corresponde exatamente á realidade.

Usar um perfume significa que uma pessoa ficará perfumada, nada mais.

A abordagem onírica dos anúncios, que prega sutilmente que o consumidor pode reproduzir o contexto dos “garotos-propaganda” exibidos nos comerciais apela para um desejo humano de superação e inclusão, de pertencimento e evolução. Mas a super-valorização dessa abordagem tem mergulhado os consumidores numa espiral de compra e frustração, porque nenhum produto transforma a vida de uma pessoa, só ela mesma.

Sobre Toscani, Spike Lee, cineata, escreveu na Roling Stone:

A Benetton desafiou o apartheid quando a agente de África do Sul protestou junto a Luciano Benetton, reclamando  novos cartazes. Luciano respondeu-lhe ”Sinto muito, mas não mudaremos as fotos; esse é um problema seu, não nosso. O apartheid vai acabar desaparecendo um dia”.

O próprio Toscani diz:

Dois bebês nus, negro e branco, sentados em penicos brincavam juntos. Naquele mesmo ano de 1980 realizei uma campanha com a foto da criança negra espalmada contra a grande mão de um adulto branco. Lançamos este cartaz em painéis em 110 países durante a batalha do referendo que ia pôr fim ao apartheid.

Por que a publicidade, como a arte, como qualquer meio de comunicação, não poderia ser um jogo filosófico, um catalisador de emoções, um espaço polêmico?

Hoje em dia a publicidade se apresenta como o caminho das fórmulas consumistas, que estereotipam os consumidores e, por mais gerações X, Y e Z que surjam, a comunicação de massa tende a lhes apresentar o mesmo modus operandi: compre para ser igual a quem já comprou, para ter tanto sucesso e parecer parte de um mundo que na realidade não é seu.

O trabalho de Toscani data da década de 90 do século XX e ainda hoje parece atual, parece cada vez mais pertinente, num mundo que ainda segue modelos simplistas e pouco críticos.

Como diria Toscani: a publicidade precisa ser reinventada . . .

(leia a entevista original}