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Batman Asilo Arkhan - com Johnny Depp

0 Comments | This entry was posted on jul 03 2010

Esse eu gostaria de ver!

A trama poderia ser praticamente igual a graphic novel escrita por Grant Morrison e ilustrada por Dave McKean: Coringa foge da cela do Asilo, domina o prédio e exige a presença do Batman (que ele considera nada mais que um outro louco ali dentro) e se inicia uma caçada, onde o morcego precisa sobreviver a todos os bandidos, que agora estão à solta, além de se confrontar com suas próprias dúvidas sobre seu papel como combatente do crime.

Fiz esse cartaz para ficar na torcida. Sonhar AINDA não custa nada.

A fonte utilizada no título é Polla by http://www.juhakorhonen.com

E que ator poderia dar continuidade ao trabalho perfeito de Heath Ledger, senão o Johnny Depp?

Batman - cartaz experimental

Batman - cartaz experimental

Watchmen - o filme

2 Comments | This entry was posted on mar 22 2009

Depois de 10 anos de espera, vi o filme da história que todos diziam ser infilmável e sabe de uma coisa? Estavam certos . . .

Para essa história só havia duas saídas dignas: humildade em admitir que não funciona no cinema ou fazer no mínimo 2 filmes. Muitas camadas de informação que se perderam são essenciais para a criação do clima da história.

Uma diferença definitiva entre cinema e HQ (e Alan Moore sabe como ningúem explorar isso) é que numa HQ o leitor pode consultar a história toda num piscar de olhos, tirar dúvidas, reler, marcar páginas para comparar e sem perder o ritmo narrativo e isso possibilita espalhar referências de todos os tipos ao longo da história. Num filme isso não é possível, não flui tão bem e a narrativa deve ser outra, mais comedida nesse sentido. Para Watchmen que é recheada de auto-citações, acaba havendo uma perda sensível de conteúdo.

Gostei de uma maneira geral: os diálogos são bons (também, qualquer coisa que se use da HQ é boa, fica fácil), as cenas de ação são espetaculares, as caracterizações físicas são quase perfeitas, as caracterizações psicológicas tem seus vacilos mas são legais também.

Das personagens, Roscharch, Silk Spectre filha e Comediante ficaram perfeitos. Ozymandias ficou um tanto afetado, Moloch precisava ser mais fraco (até pelo cancer), Nite Owl precisava ser mais gordo (pra materializar a decadência), mas valeu.

Mudar o fim da história e retirar da narrativa todas as cenas, personagens e sub-tramas que explicam o fim original fez com que o filme se tornasse só mais um. Bem feito aos olhos de não leitores mas não sei se chega a ser revolucionário. A história original destroçou clichês e essa recorreu a alguns, ainda que de leve, mas especificamente o fim ficou meia boca.

A trilha sonora é muito boa, nas músicas anos 70 e 80 e nas instrumentais também, que até me lembraram Blade Runner.

As cenas de luta ficaram muito boas, o Snyder entende de coreografia! Ele ainda se dá ao luxo de colocar em slow motion e mostrar em detalhes!

No geral, fiquei feliz que tenham feito, dizem que a versão do diretor, que virá pro DVD inclusive com os Contos do Cargueiro, terá 1,5h a mais e que nelas aparecem essas lacunas e pessoas. Vamos ver.

Adendo 01: o Dr Manhatan é muito rasgado, parece que ele não relaxa nunca e isso ficou muito estranho, as melhores cenas dele são de terno e gravata ou em close.

Adendo 02: o diálogo do Dr Manhatan durante a morte do pres. Kenedy NÃO PODERIA TER FICADO DE FORA. Aquilo daria um apelo emocional ao descolamento do Dr. em relação aos humanos que não se consegue só com a cena do Comediante reagindo a vietnamita que lhe cortou o rosto.

Adendo 03: Dr Manhatan falando pro Hollis Mason que também iria mexer na indústria de automóveis é outra que não poderia ter ficado de fora, porque mostra como se vive a sombra dele e isso ainda posiciona o Mason para todas as suas cenas, que também ficaram de fora e quem leu sabe do que eu estou falando . . .

Adendo 04: quem deu superforça pra todos os caras?

Adendo 05: não mostrar nada do passado do Roscharch é uma pena, porque nunca mais veremos essa personagem no cinema.

Adendo 06: quem teve a idéia de transformar a máscara do Roscharch numa meia?

Enfim, de zero a 10 dou nota 8 pro filme, e para a HQ dou nota 15.

A HQ revolucionou o mercado na época mas o filme não passou muito perto disso agora. Faltou mostrar mais de como era ridícula a caçada aos bandidos e como foram banais as mortes dos vigilantes. faltou mostrar isso para que eles ficassem mais humanos e críveis.

Faltou ler mais vezes “Who Watches the Watchmen” nas paredes . . .

SPOILERS (Leia por sua conta e risco)

Bubastis, o gato geneticamente alterado, que materializa as experiências genéticas que dão origem ao monstro, sem esse monstro ficou no meio do caminho, parecendo mesmo charminho de metrossexual.

Na boa: monstro criado artificialmente a partir da cabeça de sensitvos, “choque sensitivo que irá durar anos” . . isso fez falta e é muuuuuuito melhor que “bombas estilo Dr Manhatan”.

Outra falha na caracterização do Ozymandias é que na HQ ele parece um herói o tempo todo, o maior heroi de todos e no filme ele é mais blasée e arrogante. Faltou também o lado empresário dele, lançando o Nostalgia, os outros produtos e os bonecos.

Outras mudanças grandes:
_Comediante matou o pres Kenedy???
_Ozymandias não foi vencido pelo Comediante, numa luta obscura num beco? Foi morto em pessoa pelo organizador da coisa toda porque descobriu a lista de envolvidos?

Não mostraram NADA do Dr Manhatan com o pai dele e os relógios, que justificam aquela construção em marte e tudo mais inclusive a própria reconstrução do corpo após o acidente (tudo pode ser reconstruído, desde que na ordem certa).

Hollis Mason sem morrer com a própria estatueta?!

Todos as demais personagens fizeram falta pra humanizar o filme e permitir que no fim houvesse uma perda sensivel, senão o tal “sacrificio” que o Ozymandias fala fica até plausível e o observador esquece das mortes, porque não tem ninguém que tenha morrido a quem ele tenha se afeiçoado durante a história. O garoto que lê os Contos do Cargueiro Negro tinha que aparecer mais.

No fim das contas, os humanos fariam o filme brilhar mais que os poderes do Dr. Manhatan.

A Esperança de Cuarón

2 Comments | This entry was posted on fev 28 2009

Filmes são a condensações do pensamento dos autores sobre temas que consideram relevantes. Nem todo o tema que um diretor acha essencial será assim considerado pelos observadores e os filmes de maior sucesso são aqueles que conseguem reproduzir o anseio de uma grande parcela de pessoas num determinado período. Podem ser blockbusters hollywoodianos ou filmes mais autorais, mas quando um autor consegue levar para as telas a tradução do pensamento de quem assiste o filme, então aquela obra se torna também um discurso de quem está na platéia, para além de quem a criou originalmente.

Filhos da Esperança (Children of Men, 2006), de Alfonso Cuarón tem essa característica. Consegue traduzir em cenas simples, através de imagens que materializam os argumentos, o mundo caótico e auto-destrutivo em que vivemos hoje e suas consequências para as gerações vindouras. Numa Inglaterra futurista, encontramos o nosso próprio quintal estampado no trânsito esquizofrênico, nas ruas sujas, no meio ambiente degradado e nas pessoas cada vez mais distantes. Era para ser um filme de ficção científica (e o é, obviamente) mas a crítica ácida do diretor ao nosso modo de vida irresponsável deixa claro que o futuro exibido no filme já começou faz tempo.

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