Archive for the ‘Design’ Category:
Batman Asilo Arkhan - com Johnny Depp
Esse eu gostaria de ver!
A trama poderia ser praticamente igual a graphic novel escrita por Grant Morrison e ilustrada por Dave McKean: Coringa foge da cela do Asilo, domina o prédio e exige a presença do Batman (que ele considera nada mais que um outro louco ali dentro) e se inicia uma caçada, onde o morcego precisa sobreviver a todos os bandidos, que agora estão à solta, além de se confrontar com suas próprias dúvidas sobre seu papel como combatente do crime.
Fiz esse cartaz para ficar na torcida. Sonhar AINDA não custa nada.
A fonte utilizada no título é Polla by http://www.juhakorhonen.com
E que ator poderia dar continuidade ao trabalho perfeito de Heath Ledger, senão o Johnny Depp?

Batman - cartaz experimental
Dicas para conseguir estágio nos primeiros períodos:
Conseguir um bom estágio para quem está no início de um curso é complicado, porque o aluno poed oferecer pouco em troca da experiência que vai obter, mas aí vão algumas dicas:
- se você não tem experiência para oferecer, então prepare-se para trabalhar de graça por um tempo em troca de obter experiência. Depois use essa experiência obtida para negociar uma outra vaga em um próximo estágio
- não trabalhe de graça por muito tempo, porque isso não é saudável para ninguém, então aprenda rápido!
- escolha em que área deseja trabalhar: redação, direção de arte, atendimento, mídia, produção, operação etc para procurar vagas mais focadas
- liste várias empresas da região onde você mora ou próximas, para que você possa buscar vaga talvez sem gastar muito dinheiro com deslocamento ou alimentação (se o custo for baixo ou zero, o sacrifício vale a pena)
- ligue, se apresente e diga que deseja trabalhar para aprender. Não desanime se demorar a encontrar espaço, porque isso é natural do mercado em constante mutação
- ao arrumar uma vaga, dedique-se ao máximo, para que seu contratante considere sua mão de obra útil e rentável: é o primeiro passo para receber algum auxílio
- seja pró ativo e produtivo - primeiro a chegar e último a sair - entenda o negócio da empresa de trás para frente - tire sua dúvidas sempre
- seja um bom colega de trabalho: não ria demais para não tumultuar o ambiente mas não deixe de sorrir para não estragar o ambiente
- planeje seus passos, trace uma meta e cumpra ponto por ponto, com calma
- estude muito para demonstrar que não está alheio ao conhecimento obtido na academia
- leia muito e pondere sobre tudo que lê, porque uma das mais importantes experiências é a de vida e essa pode vir tanto do CEO quanto do estagiário
Educar o cliente
Educar o cliente sobre como o projeto será desenvolvido é primordial para um bom relacionamento. Já nas primeiras reuniões, quando o profissional se apresenta, a metodologia de trabalho, a divisão de tarefas e as responsabilidades de cada parte precisam ser estabelecidas.
Se um cliente quiser depois avacalhar o processo de trabalho (furar cronogramas, pedir alterações fora de contrato, alterar o briefing etc) o profissional tem como argumento a apresentação dos termos que regem o projeto e que o cliente já aceitou. Ele pode até insistir, mas não pode forçar e, se o contrato for assinado, então cabe até medida legal, ainda que esse desgaste raramente valha a pena. O ideal é investir em clientes que demonstram entender a regra do jogo antes de iniciada a partida, para não haver falta depois.
Já trabalhei numa empresa em que ouvi a frase “o cliente é completamente sem noção” mas no momento em que esse cliente fez solicitações absurdas eu perguntei: OqueVoceDisseParaEle? “Nada, vou dizer o que?” foi a resposta. A situação era a seguinte: o cliente é sem noção e está tentando impor seu ritmo. Se o profissional não der noção a ele, o problema nunca vai acabar.
Então vejo vários designers que reclamam da postura do cliente mas vejo vários desses mesmos designers que não querem gastar (investir?) um minuto sequer falando de metodologia, organização etc.
Sendo um cliente sem noção, é nossa obrigação dar noção a ele. Simples assim. Quem não explica, complica junto!
Quando um cliente fala “logom**ca” e o designer acompanha (não me atrevo a escrever essa palavra amaldiçoada), por ter uma postura “o cliente falou, então não vou corrigir, porque pega mal”, então o designer ao invés de propagar informação, está absorvendo (e ratifiacndo) desinformação. Ao invés de manter sua terminologia e num momento oportuno até apresentar os termos corretos (incluindo um glossário num manual de marca por exemplo), se o designer deixa passar as oportunidades de educar o cliente, acaba virando marionete no projeto.
Não falo de tutela, nem de ser também sem noção na hora de apresentar termos, criando situações constrangedoras e sim de entender o tempo do cliente e apresentar no momento certo o seu conhecimento.
O cliente gosta de saber que você entende do que está falando e vai enteder se você mostrar para ele que o termo é X e não Y porque também não gosta quando mudamos os termos dos dados que ele apresenta.
Ou alguém já viu algum nutricionista achar normal alguém chamá-lo de cozinheiro?
Projeto x Cliente
Alguns clientes pedem trabalhos com pouco prazo. Normalmente são mal organizados e cheios de vícios. O que eu mais vi até hoje são solicitações de departamentos de marketing, muito preocupados com a venda mas nada antenados com a técnica de venda, ou seja, ao invés de entender a linguagem de seu público e solicitar que o design também a siga ou deixar que o designer analise e proponha o caminho a seguir, de acordo com sua metodologia de trabalho, esses clientes recorrem a clichês do tipo “marca grande”, “coloca bold nesse texto”, “faz um splash”, “tá muito sem vida, coloca mais cor aí”.
FATO 001: os emails desses clientes são truncados e difíceis de entender (cheios de !!!!!! no final de cada frase).
FATO 002: esses clientes solicitam mil alterações mas não são as pessoas que vão aprovar o projeto, o que gera novas frustrações de ambos os lados.
Esse tipo de cliente pode trazer mais prejuízo do que lucro, porque se a empresa não cobra pelas mil e uma alterações solicitadas, então o tempo alocado em cada projeto pode exceder o valor do contrato e mandar o planejamento para o espaço.
Quando é um cliente só seu, ou um freela, fica a critério aceitar ou não, mas quando trabalhamos em um escritório de design, temos que nos adequar às decisões dos donos, que em 99% das vezes tendem a aceitar os pedidos urgentes e absurdos desses clientes (simplesmente porque se sua postura fosse diferente, sequer teriam esses clientes na casa, já os teriam farejado na primeira reunião).
O cliente não tem sempre razão. Seguir o que o cliente solicita de forma mecânica ou seguir a máxima “o cliente é o nosso maior patrimônio” é pedir para entregar a gestão da empresa nas mãos de terceiros e desmotivar a equipe.
Trabalhar numa empresa que permite que esse tipo de situação ocorra é escolha de cada profissional, de acordo com o momento em que se encontra sua carreira. Normalmente, quem não está com grana tende a aturar qualquer coisa e quem está estável parte logo para um emprego mais sério.
Quando ouço a famosa frase “precisamos disso para o quanto antes” ou “para ontem” já ligo o sinal de alerta: será que esse cliente vai querer pagar uma taxa de urgência? E será que um trabalho feito tão as pressas terá qualidade suficiente para atender ao projetista, ao cliente e ao público consumidor final? Caso o projeto não fique à contento, terá que ser refeito, certo?
É implicância minha ou em design, para alguns clientes nunca há tempo para fazer, mas sempre há tempo para REfazer?
Teatro - Memórias de uma Mulher Perdida
Estreou no dia 15 de janeiro, no Teatro do Planetário da Gávea - Rio de Janeiro, uma peça da qual fiz o projeto gráfico: Memórias de uma Mulher Perdida (Monologo della Puttana in Manicomio, no original).
A principal proposta desta encenação é promover uma reflexão sobre aspectos da solidão, que podem se instalar e se manifestar na vida de qualquer indivíduo em sociedade, levando-o à loucura.
Dario Fo, além de ator e diretor, é reconhecido autor italiano de peças, romances e ensaios e, em 1997, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto da obra. Franca Rame, atriz e escritora, é sua esposa e assídua colaboradora.
Em 1977, escreveram Monologo della Puttana in Manicomio. Esta peça foi inserida pelos próprios autores na luta antimanicomial da Itália, iniciada por Franco Basaglia, psiquiatra e precursor do movimento de reforma psiquiátrica italiano, na década de 60.

UFRJ recebe prêmio de melhor universidade
de Arte & Design do Brasil

O prêmio de Melhor Universidade do Brasil na área de Arte & Design saiu para a UFRJ. O troféu do 5º Prêmio Melhores Universidades foi concedido pela Revista Guia do Estudante Banco Real/Grupo Santander 2009, em cerimônia realizada na última terça, dia 27, no Teatro do Memorial da América Latina, em São Paulo.
Foram premiadas oito áreas, cada uma com um troféu para melhor instituição pública e outro para melhor universidade privada. As áreas de Ciências Sociais e Humanas e Ciências Exatas e Informática da UFRJ ficaram entre as três finalistas. Neste ano, o curso de Desenho Industrial ganhou a cotação “Excelente” na avaliação anual do Guia do Estudante.
Para o professor Marcus Dohmann, coordenador do Laboratório do Núcleo Gráfico do Departamento de Comunicação Visual (LabGraf) da Escola de Belas Artes (EBA/UFRJ), o prêmio torna a universidade vitrine nacional no setor de Arte & Design e referência para outras instituições.
“O troféu não é importante apenas para uma área, mas para toda a UFRJ, que precisa investir mais em sua imagem, ainda pouco notória no cenário nacional”, destacou Dohmann, enfatizando ainda o empenho de todos os funcionários do setor para que o prêmio fosse conquistado.
Via UFRJ
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Design em 56 questões
Porque não existe um Quarteto de Design? Porque não existe um fomento nacional ao design? Porque as pessoas são mais atingidas pelo cinema do que pelo design? Os designers querem apenas ganhar dinheiro, os cineastas não? Os designers são escravos da indústria? Porque não existe um imposto compulsório para os designers? Porque os simpósios de design são tão detestáveis? O design é mais comercio do que cultura? Como podemos fazer um frio produto da indústria nos falar ao coração? O design tem uma função educativa? É um diletantismo do consumo querer possuir coisas belas? O design serve à auto-afirmação?
Coisas belas nos provêem com felicidade duradoura? Design precisa ser sempre bom? Um objeto pode ser uma expressão de nossa sociedade? Porque o design acredita não necessitar de uma teoria? Porque qualquer um pode se chamar de designer? A necessidade social do design é um romantismo social irrealista? O design pode ser político? O design tem que ser ético? O bom design é democrático? Pode se decidir democraticamente sobre o design? Precisamos de designers estrelas? Somente os projetos produzidos têm valor? Os melhores projetos acabam engavetados? O que faz um designer ter sucesso? A inteligência prejudica o sucesso do design?
Um bom designer pode ser superficial? Os designers não sabem ler? Porque os designers querem sempre reinventar as coisas? Porque os designers não admitem ser inspirados por outros projetos? O sampling só existe na música? As citações só existem na literatura? Porque os designers lidam tão mal com o passado e a tradição? Os designers se interessam por sua própria história? Há designers no Congresso Nacional? São os designers advogados do consumidor ao invés de agentes da indústria? A economia impulsiona o design ou o design impulsiona a economia? Porque os designers se tornaram tão apolíticos? Os designers ouvem o marketing?
Como conseguiram os publicitários se afirmar como criativos, quando eles servem mais ao comércio que os designers? Como os criadores de tendências se tornaram tão importantes? Devem os designers ser tão livres como os artistas? Porque os designers acreditam que devem argumentar com os termos do marketing? Porque o significado econômico do design deve ser mais importante do que o social? Porque a divulgação sobre design é tão ruim? Porque não há programas sobre design na televisão? Quem é a Maria Gabriela do design? Quando o design perdeu a sua relevância? Que idiota criou os termos Design Babys e Design Drugs?
Porque as instituições do design fazem tão pouco pela imagem do design? Porque acreditamos que o design tenha que ser limitado em relação às fronteiras das outras disciplinas? O design pode ser uma tendência cultural autônoma? Como, em um grupo tão pequeno, não se consegue concordar com alguns ideais? Pode o design transformar a sociedade? Quando se inicia o século do design?
Via Design Gráfico (via Freddy Van Camp)
Valorize seu trabalho
O mercado está repleto de clientes que não valorizam o trabalho bem feito e tentam obter vantagens espúrias a partir de argumentos descabidos.
Veja uma lista de 10 armadilhas que irão desvalorizar seu trabalho e sua postura como profissional e precisam ser evitadas a qualquer custo:
01 Faça esse trabalho barato (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor.
Nenhum profissional sério deixa de cobrar pelo seu serviço.
02 Nós nunca pagamos 1 centavo antes de ver o produto final.
Você está trabalhando desde a reunião de briefing e precisa receber uma entrada.
03 Esse trabalho será ótimo para seu portfolio! Depois desse você vai conseguir muitos outros.
O cliente é que deve investir em qualidade, por isso está contratando você.
04 Não temos certeza se queremos seu trabalho. Deixe os estudos comigo e vou falar com meu sócio e depois te dou uma resposta.
Seu trabalho só deve ser entregue mediante remuneração justa, acordada no inicio do processo.
05 Veja, o job não foi cancelado, somente adiado. Deixe a conta aberta e continuaremos dentro de um mês ou dois.
Seria um erro não faturar o que foi feito até o momento esperando que o trabalho continue depois.
06 CONTRATO?? Nós não precisamos assinar contratos! Não estamos entre amigos?
Todo profissional usa um contrato para definir como será o trabalho e quais as responsabilidades de cada parte envolvida.
07 Envie-me a conta depois que o material for pra gráfica.
Essa desculpa possivelmente é uma tática para atrasar o pagamento, já que na gráfica, o trabalho precisa de alterações intermináveis.
08 O último designer fez esse job por R$ XX.
Se o último designer era tão bom por que ele te chamou? Faça um preço justo, ofereça no máximo 5% de desconto e não abra mão disso.
09 Nosso orçamento para esse job é de R$ XX.
O valor do seu tempo e conhecimento não devem ser regulados por orçamentos de terceiros e sim pelo quanto você investiu em preparação para oferecer um trabalho de qualidade.
10 Estamos com problemas financeiros. Entregue o trabalho e te pagamos depois.
O trabalho só deve ser entregue mediante o pagamento acordado em contrato. Sem concessões.
Visto no Pto de Contato.
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Como lidar com clientes?
Está no Vimeo também o vídeo da Palestra ministrada em junho de 2009, durante o evento 24h de Comunicação, da Faculdade CCAA, sobre como manter uma relação saudável e construtiva com o cliente.
Assista clicando aqui ou nas imagens.
Find 2 x 2

Neste sábado, dia 16 de agosto, aconteceu na UERJ o FIND (Fórum Internacional de Design e Tecnologia Digital) e mais uma vez compareci para assistir as palestras de convidados nacionais e gringos.
No geral achei a organização do evento boa, mas um ou outro detalhe segue digno de nota: o evento foi realizado num local muito bom, o Teatro Odylo Costa, na UERJ, com capacidade para 1.106 lugares, o que garantiu que todos assistissem as palestras sentados (ao contrário de uma edição passada em que para ver o Sagmeister, muita gente ficou em pé ou sentado no chão). Mas faltou um pouco de sinalização para o local: uns banners conduzindo o público da entrada da UERJ até o auditório teriam ajudado bastante, vi muita gente pedindo informação pra chegar no local (eu inclusive).
A questão da tradução simultânea foi boa também, e vi pouca gente trocando os fones, o que demonstra clara evolução nessa área.
Sobre o que nos levou até o local: palestrantes, achei que o placar foi 2 x 2: das 4 palestras do dia, duas foram boas e 2 não foram, seja porque não falaram nada de novo ou porque se perderam do foco.
Chris Baylis - Clico, logo existo
Palestra boa, sobre campanhas on line foi bem interessante e mostrou algumas coisas do anúncio da TV Philips Cinema 21:9. Achei todos os argumentos válidos e bem expostos, com destaque para a crítica feita ao mercado brasileiro, onde “criativos” (odeio esse termo) gostam de centralizar o processo de geração de peças de comunicação para poder posar de autores máximos, ao contrário dos gringos, que se cercam dos melhores profissionais em cada ramo, para juntos obter o melhor resultado possível num anúncio, vídeo, foto ou o que for. Realmente o ego pode ser um problema no mercado de comunicação. Só não concordei quando ele disse que toda campanha precisa de uma ação on line para funcionar. Oliviero Toscani é um dos maiores comunicadores do mundo e fez isso a custa de, pasmem, cartazes (peça gráfica em extinção). Então não acho que tudo dependa da web para existir ou funcionar, mas como bem disseram meus amigos da 288, é nesse momento em que o cara puxa a sardinha pro lado dele . . .
Masa - Criatividade digital, posicionamento e promoção
Palestra fraca, com dicas óbvias de auto-promoção que já são praticadas por muitos alunos de 5º período de qualquer faculdade, então para profissionais, esperava que ele falasse mais.
A questão de “posicionamento” poderia ter sido abordada de várias formas: como se apresentar perante um cliente e o mercado (metodologia, sistema de cobrança, formalidade etc), que direcionamento ideológico move um profissional, que tipo de restrições morais um profissional se impõe e como isso se reflete na busca por trabalho, que tipo de encomenda nós devemos ou não aceitar, enfim, muitos recortes possíveis. De tudo isso ele só disse que prefere trabalhar para jovens e com esportes ou cultura. Ok, bom nicho muito agradável de atender, mas poderia ter falado de forma mais ampla.
O que se viu foi um relato de como ele chegou onde chegou, direito a falar (várias vezes) que fez trabalhos de um dia pro outro, como se isso fosse uma vantagem estratégica ou projetual. Falar num evento desses, pra tanta gente que o assiste, que um cliente pediu um trabalho de um dia pro outro e que isso foi aceito, sem explicar como se negocia isso, se é custo por hora, taxa de urgência, qual o custo a oferecer ao cliente por pedir algo com tão pouco planejamento, não sei mas acho meio nocivo, não? Que mentalidade vai se multiplicar a partir ed um discurso desses?
Mehdi Saeedi - CMYK Iraniano
Palestra ótima. O cara arrebentou e nem falou o tempo todo, porque metade do tempo foi destinado ao tradutor que o atendia na hora. Começou meio devagar porque o tradutor se limitava a repetir em português as palavras e não sua entonação, sem carga emocional, o que deixava o discurso meio cru e sem vida, mas o trabalho do cara é tão belo que isso sumiu na poeira. Lindas peças tipográficas e bem engajadas também.


veja mais no site dele clicando aqui.
Raphael Vasconcellos - Produto x Propaganda: quem mandará quando for tudo digital?
Palestra fraca. Valeu pelos momentos iniciais em que um problema técnico no som levou o palestrante a fazer uma “gambiarra” e aproveitar o microfone para captar o áudio direto do computador para enviar ao público. Jeitinho brasileiro utilizado para o bem. O tema não foi abordado, porque ao invés de falar sobre como os produtos serão acessados num mundo cada vez mais digital, como se dará o consumo e a busca por informação, o que se falou foi sobre como destacar um produto, criando em torno dele uma historia que faça com o que o observador tenha interesse sem necessariamente ser abordado por um anúncio. Ok, isso é válido, mas esse argumento já é um tanto batido e está em voga há uns 10 anos. Envolver um produto/serviço com significados extras? Foi a partir dessa idéia que se criou a frase preferida dos marketeiros: “agregar valor”.
Enfim, para não dizer que o evento teve aproveitamento de 50%, uma das melhores palestras (só perdeu pro iraniano), foi a do mestre de capoeira (se alguém souber o nome, me avise), que veio até o púlpito agradecer a Arteccom pelo apoio ao projeto social dele (recuperação de crianças marginalizadas a partir da capoeira, esportes, música etc), onde ele demonstrou todo seu conhecimento de pedagogia infantil e disse que tira a violência do cotidiano da criança com muito carinho (e mostrou o tamanho da mãozada que leva esse carinho todo rssss). Espetacular!
Foi bom também rever meus amigos (Carol Hoffman, Guilherme Howat e Guy Leal, Leonardo Caldi, Cassia e Soninha) e claro, alguns dos meus alunos participando da gravação do evento.
Vídeo da Palestra Interfaces do Homem Digital

Está no Vimeo também o vídeo da Palestra ministrada em outubro de 2008, durante a 3ª Mostra da Faculdade CCAA, sobre como o homem contemporâneo transformou sua existência e suas relações sociais a partir das novas tecnologias.
Assista clicando aqui.
Entrevista UTV
Coloquei no Vimeo o vídeo da entrevista que eu concedi para o programa Expresso.com da Veiga de Almeida, transmitido pelo UTV (NET canal 11).
Assista clicando aqui.
Project Natal
Nova tecnologia da Microsoft, primordialmente para games, mas que já adianta múltiplas possibilidades:
Curioso é, além da tecnologia em si, claro, observar como os anúncios da Microsoft são ruins: caracterização clichê, antiquada (o pai da família parece ter vindo dos anúncios do início dos anos 90, com o mesmo sorriso forçado e cabelo “grisalho” pra deixar bem claro que é o pai), as atuações são toscas e forçadas, os textos, enfim, meio estranho (ou estou sendo implicante?)
Mas o game parece interessante…
1000 Fonts
Vários projetos meus foram publicados em um livro inglês de tipografia.
Membros da editora viram meu trabalho e enviaram convite para participar da seleção de projetos, baseados nas fontes que cada designer utiliza em seus projetos. Depois confirmaram que meu trabalho foi selecionado e agora o livro saiu:

São várias páginas, incluindo minha própria papelaria, o website feito para Eli Joory (em parceria com Ricardo Bezerra) e o projeto gráfico do evento MBA T, em parceria com André Mendonça). Seguem alguns exemplos:



1000 Fonts
An Illustrated Guide to Finding the Right Typeface
Edited by Bob Gordon
Text by Graham Davis, Robin Dodd, and Keith Martin
1000 Fonts — Finding the perfect font is tricky, and in an increasingly digital age, the options seem endless. This handy volume takes the mystery out of font selection by displaying the entire alphabet and numerals for 1000 unique typefaces, making it easy for designers—or anyone who works with type - to find the perfect face for any job. An easy-to-understand icon system organizes hundreds of fonts, making searching and cross-referencing easy. And, an additional feature, color photos offer real-world examples of many of the fonts in action, showing how they translate from screen to final layout. Accessible and thorough, 1000 Fonts is an indispensable tool for novice and expert designers alike.
Agradeço a Chronicle Books e aos que trabalharam comigo nos projetos.
Dia Mundial do Design
Celebra-se nesta segunda-feira, 29 de junho, o Dia Mundial do Desenho Industrial. A data, concebida pelo ICSID (International Council of Societies of Industrial Design) e comemorada pela primeira vez em 2008, pretende reconhecer a profissão e seu impacto econômico, social e cultural na qualidade de vida do público em geral. Ao longo deste ano, diversos países têm realizado eventos a partir do tema da edição 2009, que é “Desenho industrial: produto da criatividade humana”.
Recentemente, foi divulgado o cartaz vencedor do concurso criado pelo ICSID em homenagem à data.

Mais informações no site: www.icsid.org.
Via ESDI.
Cadáveres Perfumados
A importância de se lidar com o trabalho de Oliviero Toscani e suas campanhas na Benetton é a chance de pesquisar um outro modelo de publicidade e comunicação de massa, que na verdade não passa de uma reedição do modelo original desta forma de comunicação: a publicdade serve para publicar informações, levá-las ao conhecimento do público e permitir que cada vez mais pessoas tenham acesso a bens, serviços e produtos de consumo, seja por necessidade, seja por vontade garantida pelo regime democrático.
Anúncios, como a palavra indica, anunciam que determinada oportunidade está acessível: seja um novo remédio ou um novo tipo de roupa, ou um evento. Anúncios devem tornar uma informação pública para o observador.
As pessoas têm o direito de consumir, mas o que elas consomem? E em que ordem, sob qual regime? A comunicação de massa lhes mostra quais produtos estão disponíveis para compra ou mostra que não participar da compra significa “exclusão”?
Que discurso é esse segundo o qual a compra de um determinado produto nos transforma em espécies de pessoas que não somos originalmente? E onde isso vai nos levar? Obviamente, se alguém compra um perfume, se tornará alguém mais perfumado, mais arrurmado e bem cuidado, talvez mais zeloso de um certo ponto de vista, mas induzir a pensar (subjetivamente) que aquele perfume nos torna parecidos ou tão bem sucedidos quanto o galã que protagoniza o anúncio não corresponde exatamente á realidade.
Usar um perfume significa que uma pessoa ficará perfumada, nada mais.
A abordagem onírica dos anúncios, que prega sutilmente que o consumidor pode reproduzir o contexto dos “garotos-propaganda” exibidos nos comerciais apela para um desejo humano de superação e inclusão, de pertencimento e evolução. Mas a super-valorização dessa abordagem tem mergulhado os consumidores numa espiral de compra e frustração, porque nenhum produto transforma a vida de uma pessoa, só ela mesma.
Sobre Toscani, Spike Lee, cineata, escreveu na Roling Stone:
A Benetton desafiou o apartheid quando a agente de África do Sul protestou junto a Luciano Benetton, reclamando novos cartazes. Luciano respondeu-lhe ”Sinto muito, mas não mudaremos as fotos; esse é um problema seu, não nosso. O apartheid vai acabar desaparecendo um dia”.
O próprio Toscani diz:
Dois bebês nus, negro e branco, sentados em penicos brincavam juntos. Naquele mesmo ano de 1980 realizei uma campanha com a foto da criança negra espalmada contra a grande mão de um adulto branco. Lançamos este cartaz em painéis em 110 países durante a batalha do referendo que ia pôr fim ao apartheid.
Por que a publicidade, como a arte, como qualquer meio de comunicação, não poderia ser um jogo filosófico, um catalisador de emoções, um espaço polêmico?
Hoje em dia a publicidade se apresenta como o caminho das fórmulas consumistas, que estereotipam os consumidores e, por mais gerações X, Y e Z que surjam, a comunicação de massa tende a lhes apresentar o mesmo modus operandi: compre para ser igual a quem já comprou, para ter tanto sucesso e parecer parte de um mundo que na realidade não é seu.
O trabalho de Toscani data da década de 90 do século XX e ainda hoje parece atual, parece cada vez mais pertinente, num mundo que ainda segue modelos simplistas e pouco críticos.
Como diria Toscani: a publicidade precisa ser reinventada . . .
Calouros IV: Senso Estético
Além da teoria, da técnica e da prática, que se adquirem na academia, um fator será essencial para um bom desempenho na área de comunicação (design, moda, publicidade, multimídia, belas artes etc): senso estético.
Por senso estético entenda-se aqui a capacidade subjetiva de discernir sobre beleza aplicada a uma determinada situação. O belo, enquanto “perfeição agradável à vista, e que cativa o espírito” é intangível e relativo, cada pessoa tem seu referencial de beleza, mas é possível agrupar pessoas e estabelecer qual a linguagem visual que melhor se adapta a elas. E qual a que mais as desafia também, porque o papel do comunicador é expandir os limites da percepção, sua e dos demais.
O profissional que consegue desenvolver um projeto e avaliar sua funcionalidade, bem como sua excelência estética, ou seja, sua aplicabilidade numa demanda específica e sua capacidade de traduzir/transformar de forma agradável as referências visuais de uma comunidade, este será o profissional bem sucedido no mercado.
Quero deixar claro que não se trata de “agradar o cliente”, nem de dar ao observador o que ele “quer” mas de entender como e porque ele quer algo, a distância entre o que ele quer e o que ele necessita e comunicar idéias/conceitos, utilizando uma iconografia que seja adequada para a demanda e que seja também causadora de lapso, a captura da atenção do público.
Um bom profissional deve desenvolver a capacidade de avaliar se a informação proposta é adequada e se é esteticamente agradável ou se causa repulsa. Deve poder olhar um layout e pensar “isso não tem nada a ver com o que o público precisa” ou ainda “isto não está num nível profissional e requer mais refino, mais apuro”.
Dizem que bom senso não se ensina, que é um dom que vem com alguns desde o berço. Eu, que sou um cartesiano praticante, gosto de esquadrinhar cada conceito e tento enquadrá-los em normas técnicas, mensuráveis e controláveis e portanto não sou afeito a concepções cósmicas/espirituais. Obviamente eu respeito a predisposição genética de cada um. Então vou colocar minha visão sobre como se desenvolve o senso estético (que para ser desenvolvido precisa existir em cada pessoa, então talvez seja um dom natural mesmo).
Busque referências gráficas e visuais. O olhar precisa ser praticado e a mente precisa ser abastecida com informações para poder processá-las. Veja imagens de diversas estilos e plataformas, estude correntes diferentes de expressão. Permita-se expor a experiências estetica e sensorialmente instigantes, para que diferentes áreas do cérebro seja estimuladas. Leia os guias de referência e busque a origem dos cânones. Com um repetório vasto, fica mais fácil testar e propor linhas alternativas de comunicação.
Aumente sua bagagem cultural. Viaje sempre que possível, para sair dos lugares conhecidos e se deparar com costumes, comportamentos, temperos e temperaturas novas. Ler é básico, além das teorias e pesquisas, a leitura de ficção é igualmente útil, porque durante a leitura nossa imaginação constrói as imagens e esse exercício é essencial para uma mente que pretende ser criativa. Converse sobre assuntos que você (ainda) não domina. É incrível o que se pode aprender com qualquer pessoa eu aprendo muito com meus alunos. Ver filmes (no cinema, na tela grande, de preferência) é básico pela experiência de desligamento do mundo real e imersão num mundo proposto. Teatro, música, dança são igualmente construtivos. Eu só trabalho com música. Ver sites hoje em dia nem é necessário, é quase como respirar. Antigamente, no século passado, era preciso gastar um bom dinheiro para ter um anuário de design ou um portfolio impresso de algum escritório. Hoje basta entrar no site e ver todo o trabalho de designers, ilustradores, arquitetos, pintores, estilistas, escultores, etc. Ter uma biblioteca de referências para consulta e comparação é imperativo.
Por último, tenha senso crítico sobre o que você aprende. Tudo pode (e deve) ser questionado. Com sabedoria obviamente, mas todo o conhecimento deve ser testado e sua função verificada. Buda dizia: “meu ensinamentoé como um dedo apontando para a Lua. Favor não confundir o dedo com a Lua”. Quer dizer que não se deve seguir nenhuma direção só porque já seguiram e sim porque você testou e verificou que realmente te serve. Compare linhas de pensamento, compare autores, veja cada questão por diferentes ângulos. Ler sobre política somente na Veja é pedir para ficar bitolado. Agora, se você lê também a Carta Capital, a Caros Amigos, Le Monde Diplomatique e a Piauí, aí já dá para ter uma noção mais completa de cada caso.
Quando nosso cérebro está alimentado de informações visuais inventivas, nossa memória abastecida de experiências de vida interessantes e nosso raciocínio treinado para discernir valores, aí sim podemos contar que nosso senso estético está num nível bom e que o talento de cada um vai encontrar terreno fértil para se desenvolver.
Fica fácil perceber, por exemplo, que a cobertura política da Veja é muito, mas muito feia . . .
Calouros III: Teoria + Técnica + Prática
Uma vez em sala de aula, entenda que seu desempenho depende de três pilares: o conhecimento das pesquisas que já foram desenvolvidas sobre os assuntos estudados (teoria), as ferramentas de produção cabíveis para cada área (técnica) e o exercício articulado desses dois elementos (prática).
Um aluno de design, publicidade, multimídia, moda, etc. precisa saber, por exemplo, história da arte, percepção visual e metodologia de projeto (entre várias outras obviamente), para adquirir a bagagem estética e analítica que depois irá se manifestar nos trabalhos feitos. Precisa saber algumas ferramentas (Illustrator e Photoshop são básicos, In Design é ideal, saber pesquisar na web é essencial) para poder materializar as idéias e transformá-las em produção real, acadêmica ou profissional, para os que já estão no mercado. E precisa saber como é lidar com um chefe, com cliente, com colegas de trabalho com interesses diferentes e conflitantes, para ver na real o que é a selva.
Sem o embasamento teórico, o aluno de nível superior dá um passo na direção de um curso técnico, muito baseado nos braços que fazem e pouco no cérebro que pensa (nada contra os cursos técnicos, que têm sua função e lugar na história do nosso país), mas se você quer adquirir e gerar conhecimento, há que se ler e estudar a base filosófica, psicológica e comportamental das questões.
De nada adianta fazer figuras bonitas (o que é bonito e quem determina isso?) se o conceito que lhes amarra à realidade estiver furado ou nem existir.
Ao ler um texto teórico, que analisa um determinado contexto, sem necessariamente citar exemplos (o Discurso Sobre o Método, de Descartes, não fala de nenhum projeto gráfico específico e sim sobre o pensamento metodológico e organizado), estabelecemos uma linha de pensamento analógico (que é a relação de semelhança entre objetos diferentes e suas causas) e metafórica (argumentação em que a significação natural de uma palavra é substituída por outra, só aplicável por comparação subentendida) e assim expandimos nossa capacidade perceptiva. Estabelecemos conexões novas.
“O progresso das idéias nasce quase sempre
da descoberta de relações impensadas,
de ligações inauditas, de redes inimaginadas.”
Omar Calabrese
A Idade Neo-Barroca
O cérebro é como se fosse um músculo que precisa ser exercitado regularmente e ler teoria é o que faz esse órgão se fortalecer. Quando adquirimos um repertório teórico, podemos articular esses vários canais de entrada para analisar um determinado objeto: uma pessoa versada em semiótica e gestalt pode analisar diferentes instâncias da mesma imagem e seu papel enquanto geradora de estímulos numa comunidade. Um pessoa versada em história da arte pode determinar a que período político pertence uma pintura apenas pelo tema escolhido pelo autor.
Teoria é o chão por onde iremos nos mover e se não for bem sedimentado, com certeza iremos afundar.
Por outro lado, uma vez adquiridos os conhecimentos teóricos, que serão aplicados com senso crítico, precisamos materializar os conceitos nos quais nos baseamos em layouts, peças, imagens, textos, instalações, formas e funções.
É praticamente impossível fazer um bom trabalho sem o devido preparo técnico, porque ao invés de investir na conceituação do projeto gráfico, o aluno que não mexe nas ferramentas básicas de mercado fica patinando para fazer uma linha reta, colocar um texto numa forma circular, fazer um gradient mesh, ou posicionar objetos geometricamente alinhados. O tempo que se gasta descobrindo essas questões é o tempo que se tem para realizar o trabalho e aí tudo se complica.
O conhecimento técnico deve vir o mais cedo possível. Saber Illustrator deve ser que nem respirar: quanto mais cedo aprender melhor porque se demorar muito, não precisa mais.
E na prática, busque o estágio/emprego que te adicione algum conhecimento. O estágio é para complementar a sua educação, ou seja, o estágio é para o estagiário e não para a empresa. Uma vez alocado, você precisa aprender o tempo inteiro e isso vai acontecer das mais variadas formas: cortando papel, retocando imagem, arquivando dados, terminando o trabalho dos outros, etc. Até que se adquira o conhecimento necessário para criar desenvolver projetos próprios. Em todos eles, você deve se manter atento e se perguntar: o que eu estou aprendendo agora? Se a resposta for “nada” ou “não sei” pode procurar um outro lugar para gastar seu tempo.
E obviamente, no primeiro estágio, sem experiência nenhuma, o único capital a trocar é força de trabalho, então talvez (e só talvez) você vá trabalhar de graça, mas depois de aprender algo que possa ser útil e oferecido a alguém, então essa será sua moeda de troca na busca de novos conhecimentos. Ou seja, trabalhar de graça nem pensar. Desconfie de quem não respeita e nem reconhece sua mão-de-obra.
Seu patrão não te trata com decência? Não remunera seu serviço? Não investe tempo no seu treinamento? E ainda te joga piadinhas do tipo “escraviário”, “estagiário tem mais é que cortar papel”, “para você não tem folga nem feriado”? Agradeça o tempo em que trabalharam juntos e diga adeus.
Seu patrão te usa para funções fora da sua vaga (ligar para o veterinário, lavar os pratos da empresa, confirmar consulta no dentista dele)? Não agradeça o tempo em que trabalharam juntos e diga adeus.
Massimo Vignelli e seu Cânone

Um dos maiores designers da história, Massimo Vignelli lançou em pdf The Vigneli Canon, um livro que fala de design gráfico, processos, metodologia, conceitos tangíveis e intangíveis num bom projeto gráfico.
Um primor, recheado de opiniões ácidas, como quando ele (um modernista praticante) afirma que o design pós-moderno representa a confusão e o caos e que um bom designer só precisa de um punhado de fontes (e lista 6: Garamond, Bodoni, Century Expanded, Futura, Times Roman e obviamente a Helvetica).
O livro é ilustrado e me parece ser um manifesto em favor da ordem, da hierarquia e da estabilidade. Alguns criticam a utilização de grids e a unidade tipográfica de Vignelli, mas seu portfolio, que conta com clientes como American Airlines, Benneton, metrô de NY, entre outros, o precede.


O link para o arquivo: http://www.vignelli.com/canon.pdf
Branding I
Branding é gestão de marca, da imagem de uma empresa, produto ou serviço. É uma prática comum na comunicação e adminstração atual, porque as empresas cada vez mais precisam de reforços, literalmente, na batalha contra seus concorrentes. Num mundo onde dois produtos são iguais, têm o mesmo desempenho e tendem a ser percebidos da mesma forma pelo consumidor, qual a forma de diferenciá-los? Branding é a resposta mais comum . . .
Os programas de branding criam arcabouços sensoriais em torno das marcas, que as tornam portadoras de mais significados do que simplesmente a designação do serviço/produto que representam. Em outras palavras, as marcas recebem novos “valores”, para que sua “personalidade” se torne mais produnda e densa. Fazendo uma analogia com o cinema, as marcas são as personagens sendo construídas dentro da história e os programas de branding são os vários acontecimentos do roteiro que tornam essa construção visível aos olhos do observador.
Toda marca deve expressar algo para seu observador, levar consigo essa carga sensorial que faça com que, ao ser vista, crie reminiscências que estabelecem vínculos com o “consumidor” e desse vínculo deriva a fidelidade à marca/produto/serviço.
Edmund Husserl diz que “para expressar algo, portanto, é preciso significação; ao fenômeno da expressão superpõe-se uma significação; e quando essa significação se enche de conteúdo na intuição, temos a apreensão da essência”. (MARÍAS, 2004, 454).
Para apreender o universo representado pela marca, o observador precisa ter acesso a essa base conceitual. A primeira busca que fazemos, intuitivamente desde sempre, é no universo concreto do serviço ou produto que cada marca representa, mas atualmente as significações atribuidas às marcas extravazam seu universo original e são muitas vezes, arbitradas e amplamente divulgadas pro campanhas de comunicação que visam estabelecer certas conexões através de convenções, ou seja, estabelecem conexões não naturais.
Um termo comum nos programas de branding é a “experiência de marca”, onde o observador trava contato com a marca de forma subjetiva, na maioria das vezes fora do seu contexto original. Na verdade essa experiência é uma tentativa de expansão do contexto da marca, para que o observador adquira mais estímulos que o conectem com aquele produto/serviço/empresa.
Essas experiências vão desde um abordagem diferente do produto no PDV, destacando suas qualidades originais ou (criando) as novas, até abordagens mais complexas, como por exemplo o patrocínio a eventos que atendam um público-alvo interessante para o produto vendido. Uma marca de telefonia, que tem entre jovens de classe média alta uma grande parcela de seu público consumidor, pode por exemplo patrocinar um festival de música e trazer para esses jovens uma série de shows que os façam pensar: “legal, sem a empresa tal eu não estaria neste show!”.
Entendo que as empresas busquem diferenciais para seus produtos, que busquem excelência estética para sua comunicação e programas bem desenhados, do ponto de vista estratégico para alcançar seus objetivos comerciais. Estamos num mundo mercantilista, não há como fugir disso.
Não critico o comércio, sou o primeiro a dizer que o dinheiro deve rodar, deve trocar de mãos, ser reinvestido, ser transformado em consumo, que aqueça a economia, que gere empregos, que traga mais investimentos e toda a cadeia de consumo e produção que se retroalimenta.
Também não deponho contra o ramo do design que trata da gestão de marcas. Seria loucura, até porque sou designer e trabalho em programas de branding também.
Acho que devemos gerar formas cada vez mais pregnantes, que se tornem parte da memória de cada observador e que auxiliem na circulação da informação. Designers devem promover a comunicação, ligar pessoas e para isso as marcas, programas de identidade visual e programas de branding (entre outros) devem se apoiar em formas que gerem lapso no observador e capturem sua atenção (Lyotard, 1998, 40).
Minha dúvida é: a maior parte dos programas de branding hoje em dia tem se especializado em “amplificar a força das marcas” ou “vender bem a imagem de empresas ruins”, ou seja de fazer reforço/ressiginificação de marca para compensar um serviço mal prestado?
Estamos num processo de descoberta e exploração de atributos dos produtos/serviços ou em um processo de fetichização e ressiginificação essencialmente subjetiva das marcas? Os programas de branding se concentram no que as marcas representam ou nas marcas em si? As marcas estão se tornando “o” produto?
É impressão minha ou em alguns casos as marcas estão ganhando reforços enquanto a prestação de serviços está decaindo em qualidade? É claro que á princípio uma marca não se sustenta se não representar um serviço ou produto sólido e de qualidade. A marca é forte quando sua representação é incontestávelmente ligada à qualidade, mas é perfeitamente possível que marcas fortes seja ligadas á serviços ruins ou mal prestados.
A maior parte das empresas de telefonia, por exemplo, figuram entre as campeãs de reclamação nos serviços de proteção ao consumidor, seja pela (péssima) qualidade do serviço oferecido, seja pela (outra vez pésima) qualidade do atendimento ao cliente, quando este busca soluções ou ressarcimentos. Mesmo assim, são bem posicionadas no mercado, por conta justamente de programas de branding que atribuem às suas marcas uma série de valores que não necessariamente veremos na prática do serviço prestado.
Alguns bancos que divulgam amplamente suas ações “socialmente responsáveis”, na verdade cobram taxas de juros exorbitantes de seus correntistas.
Algumas cadeias de lanchonetes fast food têm marcas fortes mas são constantemente alvos de denúncias por parte dos órgãos de controle de saúde por conta do balanceamento nutritivo dos seus alimentos.
Enfim, branding é uma área do design que se destina a gerenciar a forma como o público vê uma marca e com ela se relaciona ou está se tornando “banho de loja” para empresas que desejam vender significados que seus produtos não têm?
LYOTARD, Jean François. Moralidades Pós-modernas. 1ª ed. São Paulo: Papirus, 1996.
MARÍAS, Julián. História da Filosofia. 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.



