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Multiplicidade Ordenada

0 Comments | This entry was posted on fev 28 2009

Este projeto é um processamento de tudo que já vi e experimentei, uma canalização de todas as idéias e necessidades, através do design.

Falar de questões que outros profissionais, da área ou não, entendam, discutir temas recorrentes sobre visão, estética, informação, mercado, negócio, gerência e metodologias.

Nossas experiências são cumulativas, o olhar não descansa. Recebemos diversas influências e todos estes dados vão sendo processados até o momento de uma aplicação, até o momento em que, no ato de projetar, percebemos a oportunidade de aplicar um determinado recurso, que tentamos transformar na solução para o problema em questão.

Somos obviamente produto do nosso meio e a ele respondemos. Façamo-lo melhor e ele melhor há de melhor nos servir, de retornar, de amparar nossos empreendimentos. Nós como profissionais de comunicação, não somos meros espectadores passivos, esperando o início da apresentação. Somos ao mesmo tempo atores, personagens, diretores e obviamente críticos da peça e se o próximo ato não iniciar no horário marcado periga ser encenado por nós mesmos. No nosso universo, quando a história chega atrasada, já foi escrita, só pode se ler. E o tempo é curto…

Somos reflexo do que vemos, tocamos, degustamos e ouvimos. Temos (todos) por conseqüência do ofício a visão voltada para os detalhes, para as minúcias. Lemos sempre nas entrelinhas. É nossa atribuição maior utilizar esta visão para melhorar o show que o público só vai perceber que assistiu depois que aplaudir. Mas como parte deste show, também dedicamos nossos aplausos.

Como disse Lisete Lagnado, “É difícil formular conceitos em pleno vôo do efêmero”. É um desafio este de falar sobre um tempo em que se vive, analisar sua influência enquanto se é influenciado. Não tenho aqui a pretensão de redigir tratados de análise crítica sobre o mundo, tampouco é minha intenção fugir ao processo do qual empresto características e para o qual envio também minhas humildes contribuições, seja questionando, seja validando.

As idéias, os recursos, os conceitos, os temas, todos os aspectos apresentados neste projeto são um desdobramento do que tenho à minha volta, do que acontece enquanto se escreve este texto, do que houve antes e depois dele.

Ideologias, valores e escolhas. Equilibrar-se sobre estas tendências é um desafio grande o bastante para quem quer diversão pelos próximos 100 anos.

Sei que o mundo passa por (mais) uma mudança de paradigmas, que as mudanças são constantes, que somos todos parte do processo que modifica e analisa essa mudança.

Neste blog, o que tentarei fazer é tratar o que chamo de Multiplicidade Ordenada: as diversas plataformas, idéias e expressões, que se mesclam e retro-alimentam constantemente, gerando panoramas múltiplos sobre como pensam e agem as pessoas a nossa volta, em diversos pontos do tempo, vazio e espaço.

A Esperança de Cuarón

2 Comments | This entry was posted on fev 28 2009

Filmes são a condensações do pensamento dos autores sobre temas que consideram relevantes. Nem todo o tema que um diretor acha essencial será assim considerado pelos observadores e os filmes de maior sucesso são aqueles que conseguem reproduzir o anseio de uma grande parcela de pessoas num determinado período. Podem ser blockbusters hollywoodianos ou filmes mais autorais, mas quando um autor consegue levar para as telas a tradução do pensamento de quem assiste o filme, então aquela obra se torna também um discurso de quem está na platéia, para além de quem a criou originalmente.

Filhos da Esperança (Children of Men, 2006), de Alfonso Cuarón tem essa característica. Consegue traduzir em cenas simples, através de imagens que materializam os argumentos, o mundo caótico e auto-destrutivo em que vivemos hoje e suas consequências para as gerações vindouras. Numa Inglaterra futurista, encontramos o nosso próprio quintal estampado no trânsito esquizofrênico, nas ruas sujas, no meio ambiente degradado e nas pessoas cada vez mais distantes. Era para ser um filme de ficção científica (e o é, obviamente) mas a crítica ácida do diretor ao nosso modo de vida irresponsável deixa claro que o futuro exibido no filme já começou faz tempo.

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