Archive for fevereiro, 2010:
Dicas para conseguir estágio nos primeiros períodos:
Conseguir um bom estágio para quem está no início de um curso é complicado, porque o aluno poed oferecer pouco em troca da experiência que vai obter, mas aí vão algumas dicas:
- se você não tem experiência para oferecer, então prepare-se para trabalhar de graça por um tempo em troca de obter experiência. Depois use essa experiência obtida para negociar uma outra vaga em um próximo estágio
- não trabalhe de graça por muito tempo, porque isso não é saudável para ninguém, então aprenda rápido!
- escolha em que área deseja trabalhar: redação, direção de arte, atendimento, mídia, produção, operação etc para procurar vagas mais focadas
- liste várias empresas da região onde você mora ou próximas, para que você possa buscar vaga talvez sem gastar muito dinheiro com deslocamento ou alimentação (se o custo for baixo ou zero, o sacrifício vale a pena)
- ligue, se apresente e diga que deseja trabalhar para aprender. Não desanime se demorar a encontrar espaço, porque isso é natural do mercado em constante mutação
- ao arrumar uma vaga, dedique-se ao máximo, para que seu contratante considere sua mão de obra útil e rentável: é o primeiro passo para receber algum auxílio
- seja pró ativo e produtivo - primeiro a chegar e último a sair - entenda o negócio da empresa de trás para frente - tire sua dúvidas sempre
- seja um bom colega de trabalho: não ria demais para não tumultuar o ambiente mas não deixe de sorrir para não estragar o ambiente
- planeje seus passos, trace uma meta e cumpra ponto por ponto, com calma
- estude muito para demonstrar que não está alheio ao conhecimento obtido na academia
- leia muito e pondere sobre tudo que lê, porque uma das mais importantes experiências é a de vida e essa pode vir tanto do CEO quanto do estagiário
Educar o cliente
Educar o cliente sobre como o projeto será desenvolvido é primordial para um bom relacionamento. Já nas primeiras reuniões, quando o profissional se apresenta, a metodologia de trabalho, a divisão de tarefas e as responsabilidades de cada parte precisam ser estabelecidas.
Se um cliente quiser depois avacalhar o processo de trabalho (furar cronogramas, pedir alterações fora de contrato, alterar o briefing etc) o profissional tem como argumento a apresentação dos termos que regem o projeto e que o cliente já aceitou. Ele pode até insistir, mas não pode forçar e, se o contrato for assinado, então cabe até medida legal, ainda que esse desgaste raramente valha a pena. O ideal é investir em clientes que demonstram entender a regra do jogo antes de iniciada a partida, para não haver falta depois.
Já trabalhei numa empresa em que ouvi a frase “o cliente é completamente sem noção” mas no momento em que esse cliente fez solicitações absurdas eu perguntei: OqueVoceDisseParaEle? “Nada, vou dizer o que?” foi a resposta. A situação era a seguinte: o cliente é sem noção e está tentando impor seu ritmo. Se o profissional não der noção a ele, o problema nunca vai acabar.
Então vejo vários designers que reclamam da postura do cliente mas vejo vários desses mesmos designers que não querem gastar (investir?) um minuto sequer falando de metodologia, organização etc.
Sendo um cliente sem noção, é nossa obrigação dar noção a ele. Simples assim. Quem não explica, complica junto!
Quando um cliente fala “logom**ca” e o designer acompanha (não me atrevo a escrever essa palavra amaldiçoada), por ter uma postura “o cliente falou, então não vou corrigir, porque pega mal”, então o designer ao invés de propagar informação, está absorvendo (e ratifiacndo) desinformação. Ao invés de manter sua terminologia e num momento oportuno até apresentar os termos corretos (incluindo um glossário num manual de marca por exemplo), se o designer deixa passar as oportunidades de educar o cliente, acaba virando marionete no projeto.
Não falo de tutela, nem de ser também sem noção na hora de apresentar termos, criando situações constrangedoras e sim de entender o tempo do cliente e apresentar no momento certo o seu conhecimento.
O cliente gosta de saber que você entende do que está falando e vai enteder se você mostrar para ele que o termo é X e não Y porque também não gosta quando mudamos os termos dos dados que ele apresenta.
Ou alguém já viu algum nutricionista achar normal alguém chamá-lo de cozinheiro?
Projeto x Cliente
Alguns clientes pedem trabalhos com pouco prazo. Normalmente são mal organizados e cheios de vícios. O que eu mais vi até hoje são solicitações de departamentos de marketing, muito preocupados com a venda mas nada antenados com a técnica de venda, ou seja, ao invés de entender a linguagem de seu público e solicitar que o design também a siga ou deixar que o designer analise e proponha o caminho a seguir, de acordo com sua metodologia de trabalho, esses clientes recorrem a clichês do tipo “marca grande”, “coloca bold nesse texto”, “faz um splash”, “tá muito sem vida, coloca mais cor aí”.
FATO 001: os emails desses clientes são truncados e difíceis de entender (cheios de !!!!!! no final de cada frase).
FATO 002: esses clientes solicitam mil alterações mas não são as pessoas que vão aprovar o projeto, o que gera novas frustrações de ambos os lados.
Esse tipo de cliente pode trazer mais prejuízo do que lucro, porque se a empresa não cobra pelas mil e uma alterações solicitadas, então o tempo alocado em cada projeto pode exceder o valor do contrato e mandar o planejamento para o espaço.
Quando é um cliente só seu, ou um freela, fica a critério aceitar ou não, mas quando trabalhamos em um escritório de design, temos que nos adequar às decisões dos donos, que em 99% das vezes tendem a aceitar os pedidos urgentes e absurdos desses clientes (simplesmente porque se sua postura fosse diferente, sequer teriam esses clientes na casa, já os teriam farejado na primeira reunião).
O cliente não tem sempre razão. Seguir o que o cliente solicita de forma mecânica ou seguir a máxima “o cliente é o nosso maior patrimônio” é pedir para entregar a gestão da empresa nas mãos de terceiros e desmotivar a equipe.
Trabalhar numa empresa que permite que esse tipo de situação ocorra é escolha de cada profissional, de acordo com o momento em que se encontra sua carreira. Normalmente, quem não está com grana tende a aturar qualquer coisa e quem está estável parte logo para um emprego mais sério.
Quando ouço a famosa frase “precisamos disso para o quanto antes” ou “para ontem” já ligo o sinal de alerta: será que esse cliente vai querer pagar uma taxa de urgência? E será que um trabalho feito tão as pressas terá qualidade suficiente para atender ao projetista, ao cliente e ao público consumidor final? Caso o projeto não fique à contento, terá que ser refeito, certo?
É implicância minha ou em design, para alguns clientes nunca há tempo para fazer, mas sempre há tempo para REfazer?
