Twitter para que?

Uma matéria do portal Globo.com corrobora minha teoria de que o Twitter ainda é usado para postar relatos que só dizem respeito ao umbigo do usuário, do tipo “não gosto de dia nublado”.
Foram apresentados dados da consultoria Pear Analytics, que analisou mensagens aleatórias no Twitter, onde “os textos foram classificados em seis categorias: notícias, spam, promoções de empresas anunciando produtos e relatos sem maior interesse coletivo, bate-papo (entre duas pessoas) e reenvio de mensagens (retweet-RT)”.
O resultado:
40,55% Relatos sem maior interesse
37,55% Bate-papo
08,70% Reenvio de mensagens
05,85% Promoções
03,75% Spam
03,60% Notícias
Ou seja, o Twitter ainda é muito usado como uma agenda de adolescente: “quero registrar o que se passa na minha vida e dividir isso com o mundo, porque eu devo ser muito importante”.
O Twitter, em sua página inicial, incentiva os usuários a “descobrir e compartilhar o que está acontecendo em qualquer parte do mundo”, ou seja, compartilhar conhecimento. Foi exatamente o que aconteceu quando dos mais recentes conflitos no Irã, onde as pessoas usaram o microblog para levar ao mundo os problemas que estavam passando, numa situação onde a instantaneidade da web foi primordial.
Quero propor que o Twitter só seja usado em casos de guerra? Quando a China mandar mais soldados para o Tibet, ou quando os Talibãs cortarem mais dedos de eleitores, ou quando a Coréia testar mais armas nucleares? Não, claro que não (ainda que seja essencial que isso aconteça).
Existem algumas boas utilizações do Twitter, como por exemplo: Carol Hoffmann, que troca links e recomendações de leitura interessantes. Eu mesmo passo muitos recomendações para ela que são postados lá.
Acredito que toda tecnologia lançada leva um tempo até sua completa maturação e pelo visto o Twitter ainda está um pouco longe disso, mas tenho certeza de que ainda vamos ouvir falar de alguém que conseguiu potencializar as características desse serviço. O que é possível narrar no Twitter com 140 caracteres todo mundo já está testando. Mas como utilizar essa característica a favor da narrativa? Alan Moore faria um baile com isso . . .
_

Como eu costumo dizer, a carência é o mal da humanidade e tuiter é o novo Sasá Mutema digital, salvador dos trabalhadores enclausurados e dos adolescentes.
Tuiter para quem precisa, tuiter para quem precisa de tuiter…
Realmente muitas pessoas ainda usam o Twitter como muleta, em busca de “seguidores”, como aconteceu no início do orkut no Brasil: todo mundo queria ter mais fãs e amigos e contatos e tudo mais. Depois isso passa e a tecnologia poderá ser usada de forma mais produtiva. Muita gente já está fazendo isso.
“Twitter ainda é usado para postar relatos que só dizem respeito ao umbigo do usuário, do tipo” Sinceramente não acho a menor graça nessa “nova mania” nacional… Acho que de repente a Globo falou (seus repórteres e reportagens), alguém repetiu e em pouco um discutível consenso sobre a utilidade e onipresença do Twitter instaurou-se no imaginário coletivo dos web maniacos de pindorama… no mais: mais do mesmo !