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Projeto x Cliente

This entry was posted on fev 03 2010

Alguns clientes pedem trabalhos com pouco prazo. Normalmente são mal organizados e cheios de vícios. O que eu mais vi até hoje são solicitações de departamentos de marketing, muito preocupados com a venda mas nada antenados com a técnica de venda, ou seja, ao invés de entender a linguagem de seu público e solicitar que o design também a siga ou deixar que o designer analise e proponha o caminho a seguir, de acordo com sua metodologia de trabalho, esses clientes recorrem a clichês do tipo “marca grande”, “coloca bold nesse texto”, “faz um splash”, “tá muito sem vida, coloca mais cor aí”.

FATO 001: os emails desses clientes são truncados e difíceis de entender (cheios de !!!!!! no final de cada frase).

FATO 002: esses clientes solicitam mil alterações mas não são as pessoas que vão aprovar o projeto, o que gera novas frustrações de ambos os lados.

Esse tipo de cliente pode trazer mais prejuízo do que lucro, porque se a empresa não cobra pelas mil e uma alterações solicitadas, então o tempo alocado em cada projeto pode exceder o valor do contrato e mandar o planejamento para o espaço.

Quando é um cliente só seu, ou um freela, fica a critério aceitar ou não, mas quando trabalhamos em um escritório de design, temos que nos adequar às decisões dos donos, que em 99% das vezes tendem a aceitar os pedidos urgentes e absurdos desses clientes (simplesmente porque se sua postura fosse diferente, sequer teriam esses clientes na casa, já os teriam farejado na primeira reunião).

O cliente não tem sempre razão. Seguir o que o cliente solicita de forma mecânica ou seguir a máxima “o cliente é o nosso maior patrimônio” é pedir para entregar a gestão da empresa nas mãos de terceiros e desmotivar a equipe.

Trabalhar numa empresa que permite que esse tipo de situação ocorra é escolha de cada profissional, de acordo com o momento em que se encontra sua carreira. Normalmente, quem não está com grana tende a aturar qualquer coisa e quem está estável parte logo para um emprego mais sério.

Quando ouço a famosa frase “precisamos disso para o quanto antes” ou “para ontem” já ligo o sinal de alerta: será que esse cliente vai querer pagar uma taxa de urgência? E será que um trabalho feito tão as pressas terá qualidade suficiente para atender ao projetista, ao cliente e ao público consumidor final? Caso o projeto não fique à contento, terá que ser refeito, certo?

É implicância minha ou em design, para alguns clientes nunca há tempo para fazer, mas sempre há tempo para REfazer?


4 Responses to “Projeto x Cliente”

  1. Um contratante tende a ver a hora de trabalho do contratado sempre como menos valiosa do que a sua. A chave é equilibrar a relação entre a percepção do valor por parte do contratante e o custo efetivo da hora do contratado.


  2. E o cliente jamais terá uma boa percepção com relação ao profissional que não demonstra metodologia, conhecimento e postura. Então o ideal é dizer “veja como eu trabalho” logo de início e ditar o ritmo do projeto, quem não faz isso tem ainda a chance de dizer um bom “não é bem assim” na hora certa e esclarecer as coisas mas se perder essa chance, pode se preparar para falar “claro, faço agora”.


  3. Toda essa falta de senso, raciocínio lógico, planejamento estratégico, semankol, inteligência mínima, redes neuronais do lado do cliente é fruto da (falta de) cultura quando o assunto é design. Ainda paira no ar uma nuvem espessa de pré-conceitos (tem hífem isso?!) que dizem que designer faz “arte”. “Faz essa arte e manda pra mim!!!!!!” Quem já não ouviu isso? Não dá pra pensar em explicar metodologia de projetos de design para o cliente, se ele nem sabe direito o que significa praticar o design, pensar o design.


  4. “manda essa arte pra mim” realmente é podre rssss

    Acho que devemos alugar o ouvido do cliente com argumentos que nos guarneçam ANTES que ele alugue nosso ouvido com essas frases bizarras.


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